
“Tenho certeza, pelo que vejo aqui, pelos materiais e pela união do nosso segmento, de que teremos dias melhores para a nossa atividade”. O otimismo foi manifestado por José Cláudio Blos, novo presidente da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos -Assintecal, na cerimônia de abertura da 34ª edição do Inspiramais, que congrega 150 expositores de materiais para as indústrias de calçados, confecções, bijuterias e móveis. O evento, que acontece até esta quarta-feira dia 8 em São Paulo, deve levar ao Centro de Eventos Pro Magno mais de sete mil visitantes do Brasil, da América Latina e da Europa.
A força do salão como propulsor da criatividade brasileira e de negócios também foi ressaltada pelo presidente-executivo do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil-CICB, José Fernando Bello, observando a “importância da retomada do Inspiramais no coração dos negócios”. E um bom momento de negócios, pontuou, é o espaço Preview do Couro, que conta com mais de 60 peles duráveis e sustentáveis.
A superintendente da Assintecal, Silvana Dilly, também destacou a volta do salão, a segunda em São Paulo, após a pandemia. Anunciou:“Aqui, ao longo desses dois dias de evento, lançaremos mais de mil materiais inovadores e sustentáveis para as indústrias de calçados, vestuário, bijuterias, móveis, tapeçaria automotiva e até mesmo para o mercado pet. Aliás, nos anos mais recentes, o Inspiramais vem acentuando ainda mais a sua transversalidade, mostrando que os materiais desenvolvidos pela nossa indústria servem aos mais variados segmentos da indústria brasileira”.
Estão presentes, além dos brasileiros, 22 grupos de importadores oriundos da Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru e Turquia estão no salão. “Esses grupos produzem, anualmente, mais de 20 milhões de pares de calçados, o que demonstra o poder de compra desses
players”, disse Silvana.

A gerente de Indústria e Serviços da ApexBrasl, Viviane Lark, ao realçar a importância da cadeia produtiva da moda para as exportações brasileiras, frisou o apoio que a agência dá ao salão e também ao setor de uma maneira geral, por meio do Brazilian Materials, programa realizado em parceria com a Assintecal que tem como foco a internacionalização das empresas do segmento.
Além da exposição de mil produtos que interessam de perto aos possíveis importadores, , o evento tem outro grande atrativo: o Hub Conexão Criativa, espaço que apresenta técnicas e produtos genuinamente brasileiro de 33 empreendimentos de micro e pequeno portes.

E o coordenador do Núcleo de Pesquisa e Design da Assintecal, Walter Rodrigues, destacou a importância do evento como impulsionador de negócios através da moda e da criatividade. Nesta edição o tema é Essência, apresentando “produtos que ressignificam a ideia de luxo, apontam a relevância do retorno à essência do que cada marca expositora faz de melhor”.
Há ainda treze palestras programadas. Uma delas aconteceu a tarde desta terça-feira, com apresentação do case de sustentabilidade da Kisaflix S/A, indústria química que demonstra ser possível ser amigável com o meio ambiente ainda que atue com produtos poluentes. Sua gerente comercial, Raquel Becker, discorreu sobre três tendências tecnológicas para o avanço das práticas ESG nas indústrias calçadistas.

Por encontrar soluções atenuantes, como adesivos à base de água, livres de solventes, materiais 100 por cento recicláveis ou processos que permitem reduzir etapas de produção, a empresa é detentora do selo Diamante, concedido pelo Origem Sustentável, único programa de certificação ESG voltado exclusivamente para empresas da cadeia produtiva do calçado no mundo.
O Inspiramais é uma realização da Assintecal e do CICB, em parceria com a Abit e Associação Brasileira das Indústrias de Mobiliário (Abimóvel). A realização é do Brazilian Materials e a parceria do Sebrae Nacional. O apoio institucional é da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex).
Tarifaço

Enquanto isso, pela manhã desta terça, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados-Abicalçados, por meio de sua gerente de Relacionamento e Negócios, Letícia Sperb Masselli, esteve em Washington, na audiência do Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos que discutiu a aplicação de novas tarifas (25%) às exportações brasileiras. Além de Letícia, argumentaram contra a imposição de novas tarifas representantes locais de entidades congêneres do setor, como Matt Priest, da Footwear Distributors & Retailers of America (FDRA); Beth Hughes, da American Apparel & Footwear Association; e Julia K. Hughes, da United States Fashion Industry Association. Também participaram varejistas norte-americanos, representados por Peter Grueterich, do JPT Group LLC Bernardo Footwear; e Lauren Gray, da Dillard’s Inc.
Segundo Letícia, a argumentação da Abicalçados e das partes locais foi todas favoráveis ao Brasil, apontando, sobretudo, o impacto tarifário nos EUA, que não possui produção significativa de calçados. Atualmente, o Brasil é o quinto maior produtor de calçados do mundo e o maior produtor fora da Ásia, tendo produzido, 847 milhões de pares em 2025.
E argumentou que os EUA têm sido, historicamente, o principal destino das exportações de calçados brasileiros, representando uma parcela significativa das vendas externas do setor. Entretanto, embora os Estados Unidos importem calçados de várias origens, a gerente ressaltou que a oferta permanece concentrada na Ásia. Em termos de volume, a China detém a maior fatia, com 48%, seguida pelo Vietnã (28%) e Indonésia (10%). Portanto, uma tarifa adicional sobre os calçados brasileiros reduziria a competitividade de uma fonte de abastecimento ocidental, formal, confiável e complementar. Os EUA consomem mais de dois bilhões de pares de calçados por ano e produzem aproximadamente 20 milhões de pares, o equivalente a cerca de 1% de todo o seu consumo doméstico.