Os erros de arbitragem são decorrentes das limitações físicas naturais de percepção visual, e tornam-se inevitáveis porque, provêm de humanos. Também contribui para os equívocos, a ausência de preceptores de arbitragem, com a devida qualificação para ministrarem cursos da modalidade, em consonância com a realidade que o futebol da atualidade exige.
Acrescento ao exposto acima, um estudo que li na revista News Scientists, de um pesquisador da Universidade de Wolverhamptom, da Inglaterra que afirma: “os árbitros de futebol são influenciados pelos gritos dirigidos das arquibancadas na hora de apitar e por isso, muitas decisões são decididas em descompasso com os fatos acontecidos no retângulo verde".
Uma outra pesquisa que tive acesso, realizada por cientistas ingleses da Universidade Northumbria, da cidade de Newcastle, ambos constataram que os gritos dos torcedores que estão no estádio têm efeito direto sobre os jogadores, mas sobretudo, sobre o desempenho da arbitragem no momento de apitar alguma falta, em específico, o pênalti.
Para os pesquisadores, os árbitros gostam de posar confiantes e severos, mas, quando quarenta mil vozes gritam “bola na mão”, eles começam a duvidar do que viram. É necessário entender que o árbitro é humano e não uma máquina. O problema da arbitragem é universal e a solução para a diminuição dos equívocos dos árbitros no campo de jogo, passa de forma imperiosa pela profissionalização da categoria.

Profissionalizar a arbitragem vai propiciar ao árbitro maior independência nas suas decisões e livrá-lo da pressão do submundo do futebol. Significa tempo para treinar, estudar, incluso a melhora do aspecto emocional para interpretar e aplicar de maneira mais próxima da uniformidade as leis que regem o futebol, no retângulo verde - e vai propiciar ao árbitro se preparar no mesmo patamar que os atletas para acompanhar a alta velocidade do jogo.
Agora, os árbitros continuarão a equivocar-se, assim como os atacantes seguirão perdendo seus gols, os goleiros engolindo “seus frangos”, e o dia a dia seguindo, com chuva, frio, sol, etc... O que não podemos aceitar é o erro por má-fé ou por prepotência.
Valdir de Córdova Bicudo, é ex-árbitro de futebol e comentarista de arbitragem