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O casal Katiusce Ritter e Ilton Pereira é morador do Centro e percorre diariamente o calçadão da Rua XV entre a casa e o trabalho. Foto: Ricardo Marajó/SECOMÉ improvável que qualquer pessoa que more em Curitiba não tenha ao menos uma história relacionada ao calçadão da Rua XV de Novembro, no Centro. Afinal, são 54 anos de história desta revolucionária intervenção urbana, a primeira via exclusivamente de pedestre do Brasil, criada pelo ex-prefeito e governador Jaime Lerner (1937-2021) no dia 19 de maio de 1972.
“O calçadão da Rua XV, que nesta terça-feira (19/5) celebra seus 54 anos, é um símbolo da Curitiba inovadora, humana e visionária que ajudou a inspirar cidades em todo o Brasil e no mundo. Essa obra histórica de Jaime Lerner segue viva no cotidiano dos curitibanos, tornou-se um cartão-postal e reafirma a capital como referência em soluções urbanas criativas e sustentáveis”, destaca Eduardo Pimentel.
O prefeito lembra ainda que a criação do calçadão da Rua XV, há mais de cinco décadas, também é inspiração para o programa Curitiba de Volta ao Centro, lançado pela gestão em 2025. “Em 1972, esta intervenção urbana ajudou a devolver vida e movimento ao Centro da cidade, atraindo moradores, turistas e novos investimentos. Hoje, com as ações do programa, buscamos promover um novo redesenvolvimento para a região central”, justifica Eduardo Pimentel.

Prefeito Eduardo Pimentel inaugurou, em março de 2026, a estátua de Jaime Lerner no calçadão da Rua XV.
Morando e trabalhando no Centro, o casal Katiusce Ritter, 40 anos, e Ilton Augusto Pereira, 42 anos, é exemplo de que o calçadão realmente faz parte da rotina diária de quem vive em Curitiba. “Além de percorrermos boa parte da Rua XV para irmos ao escritório, na vizinha Rua Marechal Deodoro, passeamos, tomamos um café, saímos com os filhos e resolvemos coisas do dia a dia”, observa Katiusce, que mora com o marido na Rua Riachuelo.
Ilton afirma que o calçadão tem um charme único, como nenhum outro lugar em Curitiba, por reunir história, comércio e convivência em um só lugar. “Não consigo nem imaginar como era com os carros passando. Percorrendo a Rua XV, a gente aprecia prédios antigos e pode fazer compras nas lojas ou seguir para outras partes do Centro, como o Largo a Ordem e Passeio Público”, acrescenta ele.
Espalhados ao longo do mais famoso calçadão do país, comerciantes acompanham diariamente o movimento de moradores e turistas.
Permissionários de uma das nove bancas do calçadão da XV, Jessica e Urubatan Gaia são proprietários da Floricultura Gaia, desde 1981. “São 45 anos de uma relação próxima com muitos fregueses que moram ou trabalham perto da Rua XV. As pessoas vêm em busca de um presente ou de algo bonito e natural para decorar a casa ou o escritório. A gente passou a ser referência por estar aqui no calçadão há tanto tempo e muitos clientes conhecemos pelo nome”, conta Urubatan.
Uma referência histórica do calçadão é a Confeitaria das Famílias, presente na Rua XV há 81 anos. O estabelecimento, inaugurado em 1945, atravessou gerações acompanhando as transformações da via e do Centro. “Recebemos gerações de curitibanos, famílias inteiras vêm tomar café e saborear nossos doces e salgados, e também os turistas que visitam Curitiba e querem conhecer o calçadão da XV e a nossa confeitaria”, salienta Ederson Adancheski, gerente há 29 anos do estabelecimento, famoso por ter criado a torta Marta Rocha.
Com 100 anos de história, o Bar Mignon também é testemunha da importância do calçadão para a economia do bairro e para a memória urbana de Curitiba. “Aqui no Bar Mignon, o freguês vive uma experiência bem curitibana. Moradores e visitantes podem se sentar nas mesinhas ao ar livre, sob as coberturas do tempo do fechamento da XV, e saborear nossos clássicos cachorro quente ou sanduíche de pernil”, observa Paulo Cordeiro, gerente e proprietário do estabelecimento, aberto em 1925, citando um dos marcos urbanos do calçadão: as características estruturas de acrílico roxo que fazem parte do mobiliário urbano implantado nos anos 1970.
