
Curitiba, sua história e os aprendizados construídos ao longo da formação da cidade foram o fio condutor da oitava edição do New Ideas for Life, projeto do Hospital INC (Instituto de Neurologia de Curitiba), que ocorreu no dia 7 de maio, na sede da instituição. Coube ao convidado desta edição, Rafael Greca, conduzir o público por esse percurso histórico e cultural, compartilhando reflexões sobre a construção da identidade curitibana e a evolução urbana da capital paranaense. Reconhecido pela valorização da cultura local e pelo profundo conhecimento sobre a cidade, Greca trouxe ao encontro relatos, memórias e visões que ajudaram a traduzir Curitiba ao longo do tempo. Escritor, poeta e pesquisador, Greca é membro da Academia Paranaense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, além de ter sido eleito prefeito de Curitiba por três mandatos.
O Hospital INC promoveu o encontro como uma oportunidade de compartilhar ideias, histórias e experiências transformadoras. O bate-papo foi mediado pelo neurocirurgião e sócio-fundador do INC, Prof. Dr. Ricardo Ramina e também pelo neurocirurgião Dr. André Giacomelli, diretor Técnico do INC. “O INC, assim como Curitiba, acredita em ideias ousadas graças a visionários como Rafael Greca e Jaime Lerner, que nos ensinaram que limites não são barreiras, mas pontos de partida. Esse evento nasceu do desejo de pensar diferente e ir além do convencional. Tivemos a grande honra de receber um símbolo vivo da nossa cidade, cuja trajetória inspira pela sensibilidade humana e compromisso genuíno com o bem das pessoas”, destacou Dr. Ricardo Ramina, idealizador do New Ideas for Life.
Verdadeiro guardião da memória curitibana, Greca percorreu, durante o encontro, desde as origens da fundação até os dias atuais, revisitando as transformações, inovações e o pioneirismo de Curitiba. Em sua fala, ressaltou a importância da preservação do patrimônio histórico e do meio ambiente – lembrando o cuidado das nascentes desde o marco zero da cidade, há 333 anos. “No lugar da Igreja Matriz, onde hoje é a Catedral Nossa Senhora da Luz, existe um poço de água pura que foi preservado pelos Provimentos do Ouvidor Pardinho. Curitiba nasceu protegendo suas nascentes. Então, como vocês percebem, a história é mestra da vida”, afirmou.
Greca também destacou como Curitiba se consolidou, a partir de 1829, como importante destino de imigrantes italianos, alemães, ucranianos, russos, judeus e poloneses, que contribuíram significativamente para a herança cultural da cidade. “Mas, primeiro, tivemos os povos originários, que dormiam nas coivaras (cavernas), no útero da terra. Viemos da terra e desse povo que guardava as sementes dos pinhões na água corrente dos rios para que fossem conservadas”. Ao abordar a construção da estrada de ferro entre Paranaguá e Curitiba, projetada pelos irmãos Rebouças, Greca ressaltou a sua importância histórica. “Foi uma das maiores obras de engenharia do Brasil no século 19, refletia a visão estratégica de quem sempre buscou novos horizontes. Essa capacidade de enxergar longe também faz parte do espírito humano que inspira uma instituição como o INC”.
Durante o bate-papo, Dr. André Giacomelli destacou a contribuição de Rafael Greca para o fortalecimento da identidade cultural da cidade. “Greca sempre transmitiu para a população um sentimento de pertencimento e ajudou a construir uma memória afetiva de Curitiba, fazendo com que as pessoas enxergassem poesia e beleza no urbanismo da cidade. Por isso, acredito que a sua trajetória se mistura à própria história de Curitiba”, observou.
Cuidado com os espaços urbanos
Defensor de Curitiba como uma cidade de vanguarda, Greca compartilhou sua visão para preservação do patrimônio histórico e cultural. “Acredito na renovação permanente e na importância do cuidado com os espaços urbanos. Desde o Plano Diretor, criado em 1971, quando o Jaime Lerner começou a implantar o calçadão da Rua XV, Curitiba vem trabalhando para recuperar e valorizar o Centro Histórico e edificações como a Capela Santa Maria e o Paço da Liberdade - que é uma das coisas mais lindas do mundo. Precisamos ter zelo e vontade para manter esses espaços com coisas boas, sem terrenos baldios, imóveis em ruínas ou sujeira. Para isso, são necessários investimentos e empreendedores”, acredita.
Para quem conhece o passado curitibano como poucos, Greca também arriscou previsões sobre o futuro da cidade nas próximas décadas. “Tudo será conectado em rede daqui para frente: saúde, escolas, transporte, hospitais, comunicação”, disse ele, acrescentando que a mobilidade urbana exigirá infraestrutura mais eficiente, transporte público de qualidade e seguro, redução do uso de veículos individuais, adoção de horários alternativos e mais solidariedade no trânsito. “Devemos usar todos os recursos de que dispomos, como a Inteligência Artificial, a favor da humanidade, para que ela triunfe”.