Ouvir quem produz é construir um Paraná mais forte
Por Fabio Oliveira
Nenhum estado cresce de verdade quando decisões são tomadas longe da realidade de quem produz. E talvez ouvir a ponta tenha sido o principal mérito dos Fóruns Regionais da Indústria promovidos pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná: percorrer o interior, diferentes regiões e compreender os desafios de quem movimenta diariamente a economia do Paraná.
Os números ajudam a entender a dimensão dessa responsabilidade. Hoje, somos o quarto maior parque industrial do Brasil, com quase 80 mil indústrias, mais de 1 milhão de empregos diretos e 28,5% do PIB estadual. Em 2025, o Paraná registrou crescimento econômico de 2,8%, resultado 22% superior ao desempenho nacional e que reforça a posição de quarta maior economia do país.
Em um estado tão plural quanto o nosso, faz-se necessário compreender as realidades de cada região. O que impacta a indústria em Guarapuava não é exatamente o mesmo que preocupa empresários em Londrina, Maringá, Cascavel, Irati ou Ponta Grossa.
Cada região possui vocações econômicas, gargalos logísticos e necessidades diferentes de competitividade. Quem vive o dia a dia do interior sabe disso. E talvez a principal percepção deixada por esses encontros seja muito clara: o Paraná produtivo quer participar das decisões que impactam seu futuro.
Os encontros aproximaram das regiões um debate que muitas vezes fica concentrado apenas nos grandes centros. E algumas preocupações chamaram atenção em diversas regiões: 83% dos industriais apontam a corrupção como um dos principais obstáculos ao ambiente de negócios no país, seguida pela preocupação com a conjuntura econômica nacional, citada por 74% dos entrevistados, segundo sondagem industrial da Fiep.
Os dados nacionais da indústria também acendem um alerta. O crescimento do setor praticamente caiu pela metade em 2025, passando de 3,1% em 2024 para 1,4%, indicando uma desaceleração da atividade industrial no país.
E isso torna ainda mais importante ouvir quem está na ponta, compreendendo as dificuldades reais enfrentadas por quem investe, produz e gera empregos.
Talvez esteja aí uma das grandes virtudes dessa iniciativa: compreender que o desenvolvimento não se constrói de cima para baixo. Ele nasce da conexão entre regiões e da capacidade de dialogar com quem enfrenta diariamente os desafios reais da economia.
Competitividade, inovação e crescimento econômico dependem, antes de tudo, da capacidade de construir soluções ouvindo quem está na ponta.
O Paraná, conhecido pela força do campo, também é o da indústria: forte, inovadora, transformadora, agregadora de valor à produção, geradora de empregos e impulsionadora do desenvolvimento do estado. São forças que caminham juntas e fazem do Paraná uma das economias mais fortes do Brasil.
Fabio Oliveira é especialista em gestão pública e deputado estadual.