
As relações interpessoais fazem parte da nossa vida desde o nascimento. Ao longo dos anos, podemos escolher de quem nos aproximar na vida pessoal, mas na escola, no trabalho e na faculdade, é necessário se adaptar aos grupos pré-formados. Quando a escolha não é possível, buscamos possíveis afinidades. Mas a verdade é que ao compartilharmos , é quase impossível não nos aproximarmos de quem as ouviu. Nos cursos do Projeto Despertar Para a Autonomia II, realizado pela Associação Vovô Vitorino, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, os alunos participam de uma oficina socioemocional antes do início das aulas que busca a integração da turma.
“Quando os alunos chegam com essa oficina, geralmente ficam mais abertos, participativos e respeitosos uns com os outros. Facilita até mesmo a comunicação e cria um ambiente mais seguro para a troca dos aprendizados. A gente acaba tendo essa troca de uma maneira mais rápida, a confiança e disposição para colaborar”, destaca Erick Herculano, professor de gastronomia dos cursos do Projeto Despertar para a Autonomia II.
A dinâmica do curso possibilita que os alunos estreitem os laços antes das aulas. “A oficina foi importante para nos conhecermos, criar uma primeira conexão e um ambiente acolhedor. Fez muita diferença, pois já começamos as aulas com um nível de aproximação, o que facilitou o trabalho em grupo. Eu já conhecia a Juliana, mas o curso nos aproximou”, conta Ingrid Sembarski, sócia no Vida na Marmita.
Ingrid e Juliana Kich já eram amigas, mas, ao fazerem o curso de Marmitas Saudáveis e passarem por todo o processo de formação teórica, prática e oficinas, a conexão entre elas aumentou, e as duas se tornaram sócias. Com as técnicas aprendidas durante as aulas, abriram uma empresa de marmitas saudáveis e estão conquistando sua independência financeira.
Troca de histórias gera empatia
Mesmo com o fim das aulas e a formatura realizada em março deste ano, as participantes da turma continuam se falando e se ajudando. A oficina, que as aproximou desde o início, faz parte da conexão gerada entre elas. “Foi bem legal conhecer um pouco da história de cada uma. A gente realmente se comove com algumas histórias e cria laços, tanto que temos um grupo das alunas e trocamos ideias até hoje”, afirma Juliana.
Para o professor, que já deu aula para outras turmas, a diferença é visível. “O andamento do curso costuma fluir muito melhor. Eles já chegam mais à vontade para interagir, o que reduz o tempo de adaptação. Acho que se não tivesse o socioemocional, os alunos chegariam sem esse gelo quebrado e, provavelmente, o primeiro dia de aula seria um pouco mais difícil”, comenta Erick.
Formação completa
Durante a primeira fase do projeto, os alunos participavam apenas da oficina de empreendedorismo, realizada em parceria com o Sebrae. Mas em 2025, a presidente da Associação e assistente social que ministra as oficinas, Livercina Xavier, viu a necessidade de implementar o socioemocional como parte do curso. “À medida que a formação foi trabalhada na primeira edição, a equipe percebeu e nossos parceiros trouxeram insights sobre as pessoas serem admitidas pela competência profissional e demitidas pela falta de controle emocional. Então, tivemos a percepção de que não basta apenas ensinar a profissão, é preciso trabalhar as emoções”, explica.
A partir disso, foram criadas as oficinas, que são o segundo encontro presencial entre os alunos. Além da empatia e conexão, os participantes aprendem a dominar o socioemocional, que inclui competências como comunicação, autocontrole, colaboração e resiliência, tanto para quem busca uma oportunidade no mercado de trabalho ou pensa em abrir o próprio negócio.
Os conteúdos buscam preparar os futuros profissionais para enfrentar as pressões e conflitos do dia a dia, além de ensinar sobre como lidar com frustrações profissionais, como uma demissão inesperada ou a quebra de expectativa no próprio negócio. As atividades são realizadas em grupos e envolvem dinâmicas, simulações de situações reais da profissão e a prática de comunicação e controle emocional, além de promover reflexão sobre emoções, feedback construtivo e a ética profissional. Ao final do curso, é possível analisar a evolução de cada um. Para mais informações, acesse https://www.instagram.com/despertarparaautonomia/ ou entre em contato pelo telefone (41) 98466-1250.
Sobre a Associação Vovô Vitorino
Fundada em 1992, a Associação Vovô Vitorino atua na proteção da infância e apoia o desenvolvimento da comunidade do Tatuquara e região, nas áreas da assistência social, educação e implementação de projetos que visam a sustentabilidade ambiental, como o Reciclar é Viver, que em 2024 retirou mais de 67 toneladas de materiais recicláveis das ruas e recebeu, em 2009, o Prêmio Betinho - Atitude Cidadã, e em 2012, o Troféu Zilda Arns, na categoria meio ambiente. Além do fortalecimento de vínculos, com um grupo que atende cerca de 100 crianças de 7 a 13 anos e as capacitações profissionais, que já formaram mais de 1500 pessoas. Anualmente, a organização realiza um prêmio, o Troféu Vitorino Xavier, que reconhece iniciativas e líderes que trouxeram benfeitorias para suas comunidades. Além do bazar que é promovido todos os meses, apoiando a economia solidária e circular e possibilitando que roupas que não têm mais uso para algumas pessoas tenham um novo destino.
Sobre o Despertar Para a Autonomia
O Projeto é uma realização da Associação Vovô Vitorino, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e está na sua segunda edição. O programa oferece cursos de capacitação profissional para moradores do Tatuquara e de Araucária (PR). Em sua primeira edição, entre 2021 e 2023, a iniciativa formou 520 pessoas em 13 cursos, e a expectativa é que nos próximos três anos, mais 1.500 concluam as formações em áreas como gastronomia, beleza, indústria, gestão, tecnologia e construção civil.