Dia Mundial do Câncer de Ovário reforça alerta global para diagnóstico precoce e equidade no acesso ao tratamento
06/05/2026 às 08:51
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No dia 8 de maio, o mundo se mobiliza em torno do Dia Mundial do Câncer de Ovário, uma data criada em 2013 por líderes globais na defesa da causa para ampliar a conscientização sobre a doença, dar visibilidade ao tema e impulsionar ações coordenadas de enfrentamento. Em 2026, a campanha segue o tema #NenhumaMulherParaTrás (#NoWomanLeftBehind), um chamado urgente para reduzir desigualdades no diagnóstico e no tratamento.
 
A mensagem é clara: nenhum sintoma deve ser ignorado, nenhuma mulher deve enfrentar atrasos desnecessários no diagnóstico e nenhuma paciente deve ser privada de um atendimento de qualidade por conta de onde vive. A mobilização global busca garantir que avanços médicos e científicos alcancem todas as mulheres, em todos os lugares.
 
Dados recentes reforçam a urgência da causa. Projeções indicam que, até 2050, o número de casos de câncer de ovário no mundo deve crescer mais de 55%. A maior parte das mortes ocorrerá em países de baixa e média renda. Além disso, as taxas de sobrevivência em cinco anos ainda são consideradas baixas, variando entre 36% e 46% em países mais desenvolvidos, números significativamente inferiores aos de outros tipos de câncer, como o de mama, cuja taxa pode chegar a 90% em diversas regiões.
 
Entre os tumores ginecológicos, o câncer de ovário é o mais letal, principalmente por seu caráter silencioso. Trata-se da terceira neoplasia ginecológica mais comum, atrás apenas dos cânceres do colo do útero e do endométrio.
 
De acordo com Dr. João Soares Nunes, oncologista clínico do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), o grande desafio está justamente na identificação precoce da doença. “Na fase inicial, o câncer de ovário pode não apresentar sintomas. Conforme evolui, surgem sinais que muitas vezes são confundidos com problemas comuns do dia a dia, o que contribui para o diagnóstico tardio”, explica.
 
Entre os principais sinais e sintomas estão pressão, dor ou inchaço abdominal e pélvico, dores nas costas ou pernas, alterações digestivas como náusea, gases e constipação, perda de apetite, vontade frequente de urinar, fadiga persistente e até a presença de massa abdominal palpável.
 
Diversos fatores podem aumentar o risco da doença, como o avanço da idade, histórico familiar de câncer (especialmente de ovário, mama e colorretal), mutações genéticas como BRCA1 e BRCA2, infertilidade, menarca precoce e menopausa tardia. O excesso de peso e a exposição a substâncias como amianto e radiações também estão associados a maior risco.
 
A detecção precoce ainda é um desafio. Segundo o especialista do IOP, não há evidências científicas suficientes que sustentem a recomendação de rastreamento populacional para o câncer de ovário. “O diagnóstico costuma ocorrer a partir da investigação de sintomas ou em pacientes com maior risco, seguido de exames laboratoriais e de imagem. Por isso, é fundamental que as mulheres estejam atentas ao próprio corpo e mantenham acompanhamento médico regular”, destaca.
 
O tratamento varia conforme o tipo e estágio do tumor, podendo incluir cirurgia para remoção do tumor, quimioterapia após a cirurgia (adjuvante) ou antes do procedimento (neoadjuvante), com o objetivo de reduzir o tamanho da lesão.
 
Em termos de prevenção, a orientação é manter hábitos saudáveis, como controle do peso corporal, além de consultas médicas regulares, especialmente a partir dos 50 anos. É importante destacar que o exame preventivo ginecológico (Papanicolaou) não detecta o câncer de ovário, pois é específico para o câncer do colo do útero.
 
Neste Dia Mundial do Câncer de Ovário, a mensagem global reforça que informação salva vidas. Ampliar o acesso ao diagnóstico, reduzir desigualdades e garantir tratamento adequado são passos essenciais para que, de fato, nenhuma mulher fique para trás.
 
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#WorldOvarianCancerDay
#NoWomanLeftBehind
#NoPersonLeftBehind
 
*Com informações do Ministério da Saúde
 
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