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Não importa se o segundo filme da história de Lauren Weisberger, editada em livro em 2003 e lançada no cinema em 2006, é espetacular ou não, se a crítica ama ou não e nem se o mundo da moda o reverencia. O fato é que o público, curioso, espera a bilheteria abrir (e a Disnery, tilintar). Afinal, O Diabo Veste Prada é um sucesso até hoje e ter a magnífica visão de Meryl Streep vinte anos depois é de visão obrigatória.
A bilheteria abre oficialmente nesta quinta 30 de abril em cinemas de todo o país. Maryl, aos 76 anos, realmente está magnífica. E, embora à altura, em pompa e circunstância, o segundo não supera a surpresa do primeiro. É um pouco demorado, excede em conversas e quando fica interessante (as cenas em Milão, por exemplo) aí o ritmo infelizmente acelera.
O enredo traz um humor é muito sutil para quem não está familiarizado com a história das personagens e chega a ser confuso para quem desconhece o drama da vida real do jornalismo impresso.
A história original é centrada em uma revista de moda novaiorquina, a fictícia Runway, com sua relação de poder tanto no trabalho quanto nas passarelas. Na vida real, Lauren Weisberger conta o quanto sofreu como assistente da poderosa editora-chefe da Vogue. No Diabo Veste Prada 2, a ironia: a assistente (Andy Sachs, agora premiada jornalista vivida pela sempre maravilhosa Anne Hathaway) recebe oferta de 350 mil dólares para escrever a biografia da sua chefe “cruela”, Miranda Priestly.
O cerne do roteiro 2: em crise editorial e financeira, a poderosa revista curva-se aos anunciantes, a editora-chefe Miranda (a nossa Meryl Streep) precisa ser politicamente correta e comedida nas despesas (a cena da viagem de avião é bem ilustrativa), enquanto aguarda ser alçada ao cargo de diretora editorial. Já Andy Sachs, secretamente, busca investidor para salvar a revista da falência ao mesmo tempo em que é assediada para escrever a biografia de Miranda.
O estreante filme mantém David Frankel na direção, bem como Aline Bros McKenna e Lauren Weisberger no roteiro. Permanece ainda o elenco principal, incluindo Stanley Tucci no papel do elegante consultor de moda Nigel Kipling e a atriz Emily Blunt, agora uma manda-chuva de um grupo de marcas de luxo. Mas há novidades no elenco: Kenneth Branagh (figurante de luxo), Lucy Liu, Justin Theroux e Simone Ashley, por exemplo.
O eixo-central da história é entremeado por surpreendentes e rápidas figurações, como Lady Gaga se curvando aos desejos de Miranda e Donatella Versace sendo repreendida à beira da passarela. É de se destacar também a filmagem da Galleria Vittorio Emanuele II, espaço fashion por excelência de Milão. Mas tenho dúvidas (e não consegui confirmar) se o refeitório com o mosaico A Última Ceia, realmente serviu de locação para o jantar de Miranda a seus convidados.
Além do mural de Da Vinci, outros itens curiosos:
1- Anna Wintour, a Miranda Priestly da vida real, contracenou com Anne Hathaway na cerimônia do Oscar 2026. Meryl Streep, contudo, ausentou-se da festa; mas é bom lembrar que ela foi indicada ao Oscar por sua performance no primeiro longa.
2- A modelo Gisele Bündchen, atriz em O Diabo Veste Prada, não está no elenco do novo filme porque, na época das filmagens, estava gestante do terceiro filho.
3- A editora-chefe da Vogue, Anna Wintour, em 2025 passou a ser diretora editorial global, cargo que Miranda esperava alcançar no segundo filme.
4- Claudia Raia interpretará Miranda Priestly em O Diabo Veste Prada – Um Novo Musical, com estreia prevista para 25 de fevereiro de 2027.