
Com a digitalização cada vez mais presente nas empresas, a cibersegurança deixou de ser uma preocupação exclusiva da área de TI e passou a ocupar papel central na estratégia das organizações. Segundo o docente da área tecnológica do Senac Novo Hamburgo, Eduardo Filippsen Barreto, proteger dados e sistemas é hoje uma questão de sobrevivência no mercado. “Praticamente tudo dentro das empresas depende de sistemas. Um incidente pode interromper operações, gerar prejuízos financeiros e ainda impactar a reputação da organização”, destaca.
Entre os principais riscos enfrentados pelas empresas estão ataques de phishing, ransomware e vazamentos de dados, muitas vezes causados por falhas humanas ou sistemas desatualizados. Barreto chama atenção para o fato de que negócios de todos os portes estão vulneráveis. “Não existe mais essa ideia de que apenas grandes empresas são alvo. Pequenas e médias também são frequentemente atacadas, justamente por serem vistas como mais frágeis”, explica.
Mais do que evitar ataques, a cibersegurança também está diretamente ligada à capacidade de resposta diante de incidentes. Ter backups estruturados, monitoramento contínuo e um plano de ação bem definido pode reduzir significativamente os impactos. “Uma boa estratégia permite que a empresa responda rapidamente e diminua o tempo de parada, garantindo a continuidade das operações mesmo em situações críticas”, afirma.
Tecnologia aliada à proteção de dados
O uso de tecnologias como inteligência artificial e machine learning tem fortalecido a defesa digital. Essas ferramentas permitem identificar comportamentos suspeitos em tempo real, antecipando possíveis ameaças. “Elas conseguem detectar movimentações fora do padrão, como acessos incomuns, o que ajuda tanto na prevenção quanto na resposta mais ágil”, ressalta.
Outro ponto essencial é o fator humano. A conscientização dos colaboradores é considerada uma das principais barreiras contra ataques cibernéticos. “A maioria dos incidentes começa com uma ação simples, como clicar em um link falso. Por isso, quando a segurança faz parte da cultura da empresa, os próprios colaboradores se tornam uma linha de defesa”, pontua.
Mesmo com recursos limitados, pequenas e médias empresas podem adotar práticas eficientes de segurança, como atualização de sistemas, uso de autenticação em dois fatores e realização de backups frequentes. “Muitas vezes, o problema não é falta de tecnologia, mas sim de organização e prioridade”, reforça o docente.
Formação profissional e olhar para o futuro
A qualificação profissional também tem papel importante nesse cenário. De acordo com Barreto, cursos na área de tecnologia preparam os alunos para enfrentar desafios reais do mercado, combinando teoria e prática. Para os próximos anos, a tendência é de ataques cada vez mais sofisticados, impulsionados inclusive pelo uso de inteligência artificial, além de uma maior exigência em relação à proteção de dados e privacidade.
Por fim, o especialista reforça que investir em cibersegurança deve ser uma prática constante dentro das empresas. “É fundamental tratar a segurança como parte do negócio. Começar pelo básico bem feito, investir em treinamento e revisar processos. O custo de se proteger é sempre menor do que o de lidar com um incidente”, conclui o docente.