
Foto: Jonathan Campos / AEN
A avicultura brasileira encerrou o primeiro trimestre de 2026 com crescimento nas exportações, mesmo diante de um cenário internacional adverso. O desempenho positivo foi destacado pelo presidente da ABPA, Ricardo Santin, que classificou o período como desafiador, porém vitorioso.
Apesar das incertezas, a avicultura nacional conseguiu avançar. “Chegamos em março com mais de 500 mil toneladas exportadas e crescemos cerca de 6% em relação ao ano passado”, destacou. No acumulado do trimestre, o crescimento ficou próximo de 5% em volume e 6% em receita.
A crise no Oriente Médio impactou diretamente a logística global, já que a região responde por mais de 30% das exportações brasileiras de carne de frango. Segundo Santin, a resposta do setor foi imediata. “Conseguimos encontrar rotas alternativas e manter o abastecimento. Mesmo sem acesso direto ao Estreito de Ormuz, chegamos aos clientes por outros portos”, explicou.
Entre as alternativas, passaram a ser utilizados corredores via Turquia, Jordânia, Arábia Saudita, Omã e Emirados Árabes. A estratégia garantiu a continuidade das entregas, mas trouxe custos adicionais.
Embora os volumes tenham crescido, a rentabilidade foi afetada.
Santin detalha o cenário:
“Tivemos aumento de 30% a 50% no custo do combustível e do frete, além de quase 50% de alta nas embalagens plásticas”, afirmou. “Sem falar nos insumos importados e nas taxas de risco, que encarecem toda a operação”.
Para os próximos meses, o setor mantém cautela. “É um período de dificuldade que ainda não acabou. A gente reza para que a guerra termine e possamos voltar a uma normalidade mínima”, disse.
Mesmo assim, Santin reforça a confiança na avicultura brasileira.
Fonte: Avinews