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Único pecado: não ser vascaíno, mas é perdoado porque vestiu a camisa do Vasco para homenagear Roberto Dinamite. Perdeu para Botafogo, mas saiu alegre do Maracanã justificando ter visto três gols do Garrinha, sendo impossível fica magoado diante da Alegria do Povo. Aos 17 anos vai abandonar a bola por ser barrado nas Olimpíadas, mas desiste ao descobrir que a decisão não foi técnica e, sim, perseguição da ditadura militar. Esses são instantes do emocionante documentário Zico, o Samurai de Quintino.
Realizado por João Wainer, o filme, um dos raros feitos sobre futebol nessa Pátria de Chuteiras, estreia em 30 de abril para todas as torcidas, principalmente as do Brasil, da Itália, da Turquia e do Japão.
O roteiro, muito bem costurado por Thiago Iacocca, viaja pela vida e pelo futebol de Arthur Antunes Coimbra, Zico, um maiores (amado e respeitado) craques dos estádios. Impressionam as imagens garimpadas, apresentando desde o menino franzino, mais para frango garnizé do que galo de Quintino, aos dias de hoje, passando por suas dores e glórias.
Participam a família de Zico (dos avós nos quadros da parede aos netinhos), jogadores como Pelé, Júnior, Carpegiani, Ronaldo Fenômeno, amigos e a torcida do Flamengo.
Os gols de Zico são os personagens mais vistosos, mas a alma do filme é o guerreiro samurai, tão bem percebido no Japão, ao convidá-lo para jogar num time que aqui seria de várzea, na cidade de Kashima, então com 40 mil habitantes Ele, responsável, nunca deixou um time na mão, nunca perdeu um voo ou atrasou alguma viagem.
Zico ensinou aos japoneses como jogar futebol, fez o clube italiano Udinese ser famoso no Brasil e deu visibilidade para times turcos. E é personagem de um filme que emociona e alegra o espectador, do começo ao último minuto.
Enfim, o documentário é um gol de placa de João Wainer, que tem em seu currículo a direção de Doleira, Bandida, A Jaula, Larissa: O Outro lado de Anitta, Pixo e Junho, além de premiados clipes musicais.
E, por fim, fundado em 1895, o Clube de Regatas do Flamengo, com mais de 45 milhões de torcedores, ostenta o título da maior torcida do mundo. Nos últimos dez anos, formou mais de cinco mil esportistas em categorias de base, onde Zico foi jogar, aos 14 anos, após fazer doze gols numa partida de futsal.