O Brasil que não sai do vermelho: 4 em cada 10 inadimplentes estão endividados há mais de uma década, aponta pesquisa
Para Renan Diego, consultor financeiro, a falta de organização é um grave fator para o cenário desafiador do endividamento de longo prazo
16/04/2026 às 18:29
Quatro em cada dez brasileiros que estão inadimplentes atualmente estão com nome negativado há uma década ou mais. O dado preocupante foi revelado pelo levantamento inédito sobre os 10 anos do Mapa da Inadimplência da Serasa, divulgado desde 2016. Ainda de acordo com a análise, que aponta um cenário de avanço consistente da inadimplência no país, nos últimos 10 anos, o número de brasileiros com contas em atraso cresceu 38,1%. Para Renan Diego, consultor financeiro, esse é um reflexo da falta de independência financeira, algo comum entre os brasileiros.

"A dificuldade de realizar uma organização da renda ou até mesmo um planejamento de gastos é algo recorrente entre os brasileiros. Uma grande parte da população não sabe conciliar as suas despesas fixas, como o aluguel, conta de água e luz, com os gastos extras, que são as compras de mercado, roupas e eletrônicos. Além disso, o país está passando por uma alta inflação ao mesmo tempo em que os salários não sustentam os gastos que não são considerados básicos. Dessa forma, esse cenário se agrava com a falta de conhecimento em educação financeira e a pouca compreensão sobre como ela influencia no endividamento", explica Renan.

No balanço mais recente feito pela Serasa, referente ao mês de fevereiro de 2026, o país alcança 81,7 milhões de pessoas em situação de inadimplência. Já em relação ao número de dívidas, o país já soma mais de 332 milhões de contas, um volume de 43% superior ao registrado em 2016. Como consequência, a dívida média por consumidor avançou 12,2%, passando de R$ 5.880,02 para R$ 6.598,13, considerando valores corrigidos pela inflação entre os últimos dez anos.

"É importante ressaltar que existem diferentes estratégias que podem ajudar os brasileiros a se manterem organizados em relação às suas finanças pessoais, portanto que as despesas sejam revisadas mensalmente. A primeira dica é cortar os gastos que são desnecessários, como assinaturas de streamings que não são utilizados, compras excessivas de roupas e acessórios, além das aquisições feitas por impulso. Outro passo importante é evitar assumir novas dívidas, principalmente se já tem parcelas que comprometem uma grande parte da renda", o consultor financeiro indica.

A Serasa também apontou transformações nos perfis de brasileiros endividados, registrando um avanço da inadimplência entre a população com mais de 60 anos. Dez anos atrás, esse grupo representava 12,23% do total de inadimplentes, representando a menor participação entre as faixas etárias. Atualmente, os jovens de 18 a 25 anos reduzem sua participação em 4 pontos percentuais, os consumidores acima de 60 anos ampliam sua fatia em 7 pontos percentuais. De acordo com Renan, o movimento pode ser um reflexo da alta inflação vem sendo registrada nos últimos meses, o que eleva os juros e aumenta as chances do endividamento entre a população. 

"Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra entre os brasileiros, especialmente os que recebem só um salário-mínimo. Esse efeito acontece já que o valor de produtos e serviços aumentam sem que a renda acompanhe esse crescimento, fazendo com que o planejamento seja fundamental para evitar o endividamento. É importante priorizar as contas essenciais, como água, luz, gás, aluguel e condomínio, considerando que a falta de pagamento pode levar à interrupção desses serviços e, no caso do condomínio, até a uma ação judicial”, recomenda o consultor financeiro.

Ainda segundo Renan, negociar as dívidas é um passo fundamental, mas o acesso a condições facilitadas precisa vir acompanhado de informação e organização, para que o consumidor consiga manter o equilíbrio de forma sustentável. Ao combinar oportunidades com ações contínuas de educação financeira, como as oferecidas nos mutirões, a instituição contribui para a transformação de hábitos e para a prevenção do retorno à inadimplência.

Sobre Renan Diego:
Especialista em finanças pessoais e investimento, Renan Diego é formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e atua há 10 anos como consultor financeiro. À frente da edtech Produtividade Financeira, que conta com um ecossistema de educação financeira, investimentos e qualidade de vida, o carioca já educou mais de 9.500 brasileiros que querem administrar melhor o próprio dinheiro e investir do zero sem abrir mão da qualidade de vida. O profissional também conta com MBA em Value Investing e certificação CEA. Hoje, com mais de 508 mil seguidores no Instagram (@renandiegooficial), o especialista compartilha na sua página oficial conteúdos sobre como poupar, administrar e investir melhor o dinheiro com qualidade de vida.
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