Curitiba recebe exposição com 36 camisas de futebol que enfrentam o ódio dentro e fora do campo
Museu do Holocausto de Curitiba articula clubes brasileiros e internacionais em exposição inédita que mostra como o futebol pode ser um campo de transformação social, resistência e diversidade
14/04/2026 às 18:01
As 36 camisas não são por acaso. O número equivale a duas vezes 18, que na tradição judaica representa a palavra Chai (חי), que significa “vida”, em hebraico. Foto: Maringas Maciel
A partir desta terça-feira (14), o Museu do Holocausto de Curitiba abre ao público a exposição “Camisas Contra o Ód10”, mostra inédita que reúne 36 camisas de clubes e seleções que, nos últimos anos, vestiram mensagens contra o antissemitismo, o racismo, as violências de gênero, a intolerância religiosa, o terrorismo e as guerras. 
Dividida em seis módulos temáticos, a mostra reúne peças de clubes brasileiros — entre eles Athletico, Coritiba, Corinthians, Flamengo, Vasco, Santos, Fluminense, Atlético Mineiro —, das seleções masculina e feminina do Brasil, e de times internacionais como Borussia Dortmund, Shakhtar Donetsk e Darfur United, seleção simbólica formada por refugiados da região oeste do Sudão. 
Usados por jogadores(as) como Vinícius Júnior, Hulk, Germán Cano e Geyse Ferreira, os uniformes estampam desde mensagens em memória às vítimas do Holocausto e campanhas contra o antissemitismo até mensagens antirracistas, revelando como o esporte pode ser palco de mobilização social. “O futebol nos permite dialogar com públicos que, talvez de outra forma, nunca entrassem em um museu do Holocausto. É uma forma que encontramos para falar com a sociedade sobre temas urgentes, e fazer isso de um jeito que realmente alcance as pessoas”, afirma Carlos Reiss, coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba. 
A ideia surgiu de forma natural. A primeira peça a integrar o acervo foi uma camisa do Corinthians usada no jogo contra o Fortaleza, em novembro de 2019. O uniforme, que estampa uma estrela de David, faz parte da campanha pioneira “Uma estrela para não esquecer”, criada pela Tech & Soul em parceria com o Memorial do Holocausto de São Paulo. A camiseta foi adquirida por Amnon Czerny Z"L, sobrevivente do Holocausto que vivia em Curitiba, e doada durante a cerimônia do Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto, em 27 de janeiro de 2020. Amnon faleceu em setembro daquele ano, aos 84 anos. 
“Percebemos que os clubes começaram a incorporar, por conta própria, datas de memória do Holocausto em seus calendários, como o 27 de janeiro e o 9 de novembro, que marca a Noite dos Cristais. Começamos a fazer contato, os clubes foram super receptivos e a coisa extrapolou: construímos o acervo e queríamos mostrar todo esse material”, conta Reiss. 
A mostra conta com o apoio do Memorial do Holocausto de São Paulo, do Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+, do Grupo de Estudos e Pesquisas Aplicadas ao Futebol (GEPAF) da Universidade Federal de Goiás (UFG) e do Observatório da Discriminação Racial no Futebol. A concepção de arte é do designer Michel Neuhaus.

Serviço 
Exposição: Camisas Contra o Ód10 
Visitação: Até 30 de abril de 2026 
Local: Museu do Holocausto de Curitiba - R. Cel. Agostinho Macedo, 248 - Bom Retiro, Curitiba - PR 
Entrada: Gratuita, mediante agendamento pelo site do Museu do Holocausto de Curitiba | museudoholocausto.org.br
 
Idade indicativa: Durante o período da exposição “Camisas Contra o Ód10”, crianças menores de 12 anos poderão visitar o Museu exclusivamente para esta mostra, desde que acompanhadas por um adulto responsável. 
O agendamento deve ser realizado normalmente no site, apenas em nome do adulto. No momento da visita, é necessário informar à equipe de atendimento a presença da criança. A partir dos 12 anos, o agendamento é obrigatório para todos os visitantes. 
A visita ficará restrita à exposição “Camisas Contra o Ód10”, sem acesso à exposição permanente.
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