Iniciativa possibilita acesso gratuito de idosos a cirurgias cardíacas robóticas em Campina Grande do Sul
10/04/2026 às 18:00
Foto: Divulgação
Projeto do Hospital Angelina Caron, viabilizado por investimento social via renúncia fiscal, oferece procedimentos de alta complexidade ainda não cobertos pelo SUS

Idosos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, podem realizar cirurgias cardíacas com apoio de tecnologia robótica no Hospital Angelina Caron por meio de uma iniciativa específica que teve início neste ano. A ação integra o Projeto Idoso 360, desenvolvido pela instituição e viabilizado por meio de captação de recursos via renúncia fiscal, que permitirá a realização desses procedimentos ao longo de 2026.
Mais do que viabilizar uma tecnologia específica, o projeto evidencia o papel estratégico da renúncia fiscal como ferramenta de fortalecimento da qualidade assistencial no SUS. Isso porque, embora o sistema público financie os procedimentos cirúrgicos, ele ainda não contempla etapas fundamentais ligadas à incorporação de tecnologias avançadas, qualificação de equipes e gestão clínica, lacunas que passam a ser supridas por meio de investimentos incentivados.
“Com os recursos captados por meio da renúncia fiscal, conseguimos financiar justamente a camada tecnológica e assistencial que o SUS ainda não cobre. Isso permite oferecer ao paciente um tratamento mais moderno, menos invasivo e com melhores desfechos clínicos”, explica a gerente de Investimento Social do Hospital Angelina Caron, Stephanie Formoso.
Para 2026, a expectativa é realizar até 30 cirurgias cardíacas com tecnologia robótica dentro do projeto, que teve início no primeiro trimestre deste ano e contabiliza quatro procedimentos realizados. Em muitos casos, esses pacientes não teriam acesso a esse tipo de abordagem na rede pública tradicional, seja pela indisponibilidade da tecnologia ou pelas limitações estruturais do sistema.
Para o cirurgião cardiovascular do hospital, Dr. Rodrigo Ribeiro de Souza, trata-se de uma iniciativa que une inovação tecnológica e responsabilidade social. “Por meio desse projeto social do hospital, conseguimos ampliar o acesso de pacientes do SUS a uma tecnologia avançada que ainda é pouco disponível na rede pública”, afirma.
 
Modelo 360: olhar integral para o paciente
A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla adotada pelo hospital nos últimos anos: o conceito de atendimento 360. A proposta é olhar de forma integrada para toda a jornada do paciente — desde o encaminhamento pela atenção básica até a recuperação — com foco na melhoria da experiência e dos resultados clínicos.
Na prática, isso significa investir não apenas em tecnologia, mas também em infraestrutura hospitalar, modernização do parque tecnológico e, principalmente, na atuação de equipes multidisciplinares. Profissionais como fisioterapeutas, psicólogos e fonoaudiólogos, por exemplo, são fundamentais para a recuperação do paciente, mas nem sempre estão contemplados nos modelos tradicionais de financiamento do SUS.
“Nosso objetivo é complementar o que o sistema público oferece, elevando o padrão de atendimento e impactando diretamente o desfecho clínico do paciente. A renúncia fiscal é o que viabiliza esse avanço”, destaca Stephanie.
 
Como funciona
Os pacientes atendidos pelo projeto seguem o fluxo tradicional do SUS, sendo encaminhados ao hospital por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Após avaliação clínica detalhada, são selecionados aqueles com maior potencial de benefício com a técnica robótica.
Além dos critérios médicos, também são considerados aspectos sociais, com prioridade para pacientes que dependem exclusivamente do sistema público e que residem na região de atuação do hospital.
“Todos os pacientes passam por uma avaliação médica detalhada. São considerados fatores como a necessidade da cirurgia, o tipo de doença cardíaca, as condições clínicas gerais e se o caso permite a realização da técnica minimamente invasiva robótica com segurança”, explica o cirurgião. “O objetivo é selecionar aqueles idosos que possam ter maior benefício com uma recuperação mais rápida e menor impacto cirúrgico”, complementa.
A cirurgia robótica evita a abertura completa do tórax, que tradicionalmente exige o corte do osso esterno. O procedimento é realizado por pequenas incisões entre as costelas, com movimentos extremamente precisos controlados pelo cirurgião.
“Para pacientes idosos, isso representa vantagens importantes, como menos dor no pós-operatório, menor sangramento, redução do risco de infecções, menor tempo de internação e recuperação mais rápida”, destaca Souza.
 
Renúncia fiscal como vetor de transformação
Com cerca de R$ 23 milhões em investimentos, o Projeto Idoso 360 contempla diversas frentes de atuação, sendo aproximadamente R$ 1,6 milhão destinados à aquisição dos kits necessários para viabilizar as cirurgias robóticas.
O modelo se baseia na destinação de parte do imposto de renda de empresas para projetos previamente aprovados pelos Fundos do Idoso e da Criança, permitindo que esses recursos sejam aplicados diretamente em iniciativas com impacto social mensurável.
Na prática, a renúncia fiscal permite viabilizar etapas do cuidado que hoje não são cobertas pelo SUS, como o uso de tecnologias avançadas, a qualificação das equipes e a ampliação da estrutura assistencial, impactando diretamente na qualidade do atendimento e nos desfechos clínicos dos pacientes.
Além do impacto direto nos pacientes atendidos, a iniciativa também contribui para a formação de profissionais e para o avanço da prática médica. Como hospital-escola, a instituição integra os procedimentos ao processo de formação de residentes e à produção científica.
Um exemplo recente foi a realização de uma cirurgia robótica em um paciente com anatomia cardíaca invertida, um caso de alta complexidade que só foi possível graças à tecnologia disponível.
 
Compromisso que vai além da assistência 
Mais do que números, o projeto representa vidas. Cada recurso investido por meio da renúncia fiscal se transforma em uma vida preservada, uma família acolhida e uma nova história sendo escrita. 
“Nosso compromisso é cuidar com excelência e investir com propósito. A gente entende que, por trás de cada investimento, existe uma vida, uma família e um futuro. Quando conseguimos conectar empresas, sociedade e saúde pública por meio da renúncia fiscal, mostramos que é possível ampliar o acesso a tecnologias ainda não disponíveis no SUS e construir um modelo mais sustentável e inovador de atendimento. E, assim, abrir caminho para que muitas outras histórias como essas sejam escritas”, finaliza Stephanie.
 
 
Comentários    Quero comentar
* Os comentários não refletem a opinião do Diário Indústria & Comércio