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O mercado de
inteligência artificial (IA) na América Latina deve crescer cerca de
US$ 40,5 bilhões em 2026, chegando aos
US$ 504,7 bilhões até 2034. Os números extremamente positivos fazem parte de um relatório da
Market Data Forecast, publicado neste trimestre, que aponta também uma taxa anual de crescimento (CAGR) de 37,1%.
O avanço da inteligência artificial na região reflete uma aceleração da digitalização em diversos setores da economia. Empresas de diferentes portes estão adotando soluções baseadas em IA para automatizar operações, analisar grandes volumes de dados e personalizar experiências de clientes. Na prática, tecnologias desse tipo já são usadas por bancos para detectar fraudes em tempo real, por hospitais para apoiar diagnósticos médicos e por varejistas para prever demanda e otimizar estoques.
Para
Fabio Tiepolo, CEO da
Starya AI, empresa referência no setor, o crescimento projetado para a região reflete uma transformação estrutural na forma como empresas e governos utilizam tecnologia. “A inteligência artificial deixou de ser um experimento restrito a grandes empresas e passou a integrar o dia a dia de organizações de todos os portes. A combinação entre digitalização acelerada, disponibilidade de dados e avanço das ferramentas de IA cria um ambiente propício para ganhos de produtividade em praticamente todos os setores”, afirma.
Na avaliação do CEO da Starya AI, o impacto da inteligência artificial tende a se ampliar nos próximos anos, impulsionando novos modelos de negócio e transformações no mercado de trabalho. “A adoção de IA deve continuar avançando à medida que mais empresas busquem eficiência operacional e melhor uso de dados. Ao mesmo tempo, veremos uma demanda crescente por profissionais especializados em tecnologia, ciência de dados e desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial”, conclui.
Natura é destaque no Prêmio Nacional de Inovação
A
Natura foi destaque no
9º Prêmio Nacional de Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizado na última quinta-feira (26), ao vencer duas categorias:
Lei do Bem e Pesquisadores Inovadores. Única empresa a ser premiada em todas as edições do evento e convidada como Hors Concours (referência absoluta na categoria) em 2021, a empresa consolida uma trajetória de inovação singular no país, evidenciando o papel estratégico de seus mais de 500 pesquisadores e da sua capacidade de transformar projetos de complexidade em soluções inovadoras de impacto para o mercado nacional.
“Receber estes reconhecimentos é motivo de grande orgulho para todos nós. Expressamos nosso reconhecimento a todos os pesquisadores e pessoas colaboradoras dedicados à Pesquisa e Desenvolvimento, cujo compromisso com a excelência garante que a inovação seja o motor de competitividade da nossa companhia”, afirma Manuel Rios, diretor executivo de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Natura.
Na categoria Lei do Bem, a Natura venceu com a iniciativa ligada ao bioingrediente Ajurú, desenvolvido em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA). Coletado em uma comunidade próxima à restinga amazônica, ele é capaz de estimular a produção de um tipo único de colágeno. O projeto resume o modelo de inovação da companhia ao combinar o desenvolvimento de bioingredientes amazônicos, a pesquisa por ingredientes de alto desempenho cosmético, a atuação em rede com parceiros estratégicos e a capacidade de gerar impacto positivo.
Já na frente Pesquisadores Inovadores, categoria que debutou na premiação este ano e que reconhece nomes que se destacaram em projetos de PD&I no País, a Natura celebrou a vitória de Carla Scanavez. A cientista foi reconhecida por seu papel fundamental na coordenação do Programa de Aceleração em Cabelos da companhia, no qual desenvolveu as comprovações da bioproteína tripla ação na Linha Natura Lumina, tecnologia que aumenta a resiliência dos fios em 291%. Pioneira em modelos de folículo 3D e estudos de microbiota de couro cabeludo, a pesquisadora articulou parcerias globais (como entre a Universidade de São Paulo e a de Princeton, nos Estados Unidos) para o desenvolvimento de novas metodologias altamente tecnológicas que converteram ativos da sociobiodiversidade, como Murumuru, em patentes internacionais.
Ponta Grossa recebe encontro sobre automação e digitalização industrial
A
Eletronor, empresa do Grupo Sonepar e referência em automação industrial e na distribuição de materiais elétricos na Região Sul, realiza no dia
15 de abril, em Ponta Grossa (PR), o
ROK Technology - Rockwell Automation & Eletronor, encontro técnico e estratégico voltado à modernização e à transformação digital da indústria. O evento reúne gestores, engenheiros e especialistas das áreas de automação, manutenção, engenharia e produção da região dos Campos Gerais e do Paraná, em um ambiente de troca de conhecimento sobre os desafios atuais e futuros da operação industrial.
Promovido em parceria com a Rockwell Automation, o ROK Technology conecta os principais lançamentos da marca e as soluções já consolidadas no mercado, com apresentação de uma arquitetura unificada que apoia a transformação digital industrial. A proposta é oferecer uma visão prática de como a automação inteligente e a conectividade entre sistemas podem elevar a eficiência operacional, a resiliência e a competitividade das indústrias em um cenário de crescente complexidade.
“O objetivo é aproximar os profissionais da indústria das principais tendências globais em automação e digitalização. Queremos oferecer um espaço para troca técnica qualificada, em que gestores e especialistas conheçam soluções aplicáveis, entendam o impacto da integração de sistemas na eficiência operacional e avaliem caminhos concretos para a modernização das plantas industriais”, comenta
Carlos Varisco, diretor da Eletronor.
IA na gestão pública enfrenta desafios de execução
Curitiba chega aos 333 anos, celebrados em 29 de março, com um histórico de planejamento urbano que passa a incorporar a
inteligência artificial como ferramenta operacional, em um movimento que leva a tecnologia do discurso para a prática e impacta diretamente a forma como a cidade responde às demandas urbanas.
O avanço da capital paranaense ocorre em contraste com o cenário nacional, marcado por limitações históricas de produtividade e pela dificuldade de transformar planejamento em execução, uma combinação que restringe a eficiência da gestão pública e mantém o Brasil distante de padrões internacionais de desempenho, conforme apontam dados da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) e análises do
FGV IBRE sobre a estagnação da produtividade nos últimos anos.
Nesse contexto, a incorporação de inteligência artificial à gestão urbana passa a ser menos uma agenda de inovação e mais um instrumento de reorganização estrutural da administração pública, ao permitir previsibilidade, leitura de padrões e melhor alocação de recursos, ainda que sua efetividade dependa diretamente da capacidade de integração entre áreas e da continuidade de políticas públicas.
“A diferença entre discutir tecnologia e operá-la na prática revela um dos principais pontos de inflexão no debate sobre modernização do setor público no país, sobretudo em um ambiente em que a baixa capacidade de implementação limita o impacto de políticas digitais. É nesse cenário que a experiência de Curitiba passa a ser interpretada como evidência concreta de aplicação”, explica
Gui Zanoni, especialista em
futuro do trabalho, inovação e inteligência artificial, com certificação internacional em futurismo pelo IFTF.org (2025).
Ainda segundo o especialista, o diferencial não está no acesso à tecnologia, mas na capacidade de integrá-la à rotina administrativa de forma contínua, superando a lógica de projetos isolados e avançando para um modelo de gestão orientado por dados, no qual a tomada de decisão passa a se apoiar em evidências e não apenas em diagnósticos pontuais.