
Foto de Sasun Bughdaryan na Unsplash
por Saúde e bem-estar com Dr. Ricardo Gullit
Uma pequena fruta vermelha pode dificultar que bactérias grudem na bexiga e causam infecção urinária. Pode parecer estranho, mas esse é exatamente o mecanismo que cientistas acreditam explicar o possível efeito do cranberry na prevenção de infecções urinárias de repetição. Nos últimos anos, essa fruta ganhou atenção da medicina justamente por esse motivo.
A infecção urinária é uma das doenças infecciosas mais frequentes na prática médica. Muitas mulheres terão ao menos um episódio ao longo da vida. Para algumas, porém, o problema se repete várias vezes ao ano. Esse padrão, conhecido como infecção urinária de repetição, pode causar grande desconforto e levar ao uso frequente de antibióticos. Nesse contexto surge uma pergunta natural. Existe algo que possa ajudar a prevenir essas infecções sem precisar recorrer sempre a medicamentos?
Um dos produtos naturais mais estudados para essa finalidade é o cranberry, uma fruta originária da América do Norte. Há muitos anos ela vem sendo investigada como uma possível estratégia para reduzir o risco de novas infecções urinárias.
O mecanismo proposto é curioso. Certas substâncias presentes no cranberry parecem dificultar que bactérias consigam grudar nas paredes da bexiga. Sem conseguir se fixar no trato urinário, esses microrganismos teriam mais dificuldade para causar infecção.
Isso não significa que o cranberry seja uma cura milagrosa. O efeito observado é moderado e os estudos científicos não são tão fortes. Além disso, os produtos disponíveis no mercado variam muito em concentração e formulação, o que torna difícil definir exatamente qual seria a dose ideal.
Mesmo assim, o cranberry é uma opção razoável como estratégia complementar de prevenção. Ele pode ser consumido na forma de suco – sendo a dose mais usada cerca de 300 mL ao dia - ou em cápsulas.
Outro ponto importante é que os efeitos colaterais costumam ser mínimos. Algumas pessoas podem apresentar desconforto digestivo leve ou azia. Já o suco deve ser consumido com moderação, pois contém açúcar e calorias.
Vale lembrar que essa estratégia parece funcionar melhor em mulheres saudáveis que apresentam infecções recorrentes, mas não possuem alterações anatômicas importantes no sistema urinário. Em outros grupos, como idosos institucionalizados ou pessoas com doenças da bexiga, os estudos não mostraram benefício claro.
A principal mensagem é simples. Produtos naturais podem ter algum papel na prevenção de doenças, mas devem ser utilizados com bom senso e sempre dentro de uma orientação médica adequada. No caso da infecção urinária de repetição, medidas simples continuam sendo fundamentais. Manter boa hidratação, não reter urina por longos períodos e procurar avaliação médica diante de episódios frequentes são atitudes essenciais.