Panificação brasileira fatura R$ 164 bi em 2025
01/04/2026 às 05:00
O setor de panificação e confeitaria do Brasil atingiu um faturamento de R$ 164,12 bilhões em 2025, um incremento de R$ 10,76 bilhões em relação ao ano anterior

O setor de panificação e confeitaria do Brasil atingiu um faturamento de R$ 164,12 bilhões em 2025, um incremento de R$ 10,76 bilhões em relação ao ano anterior, consolidando-se com uma fatia de 1,29% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Os dados são da nova pesquisa do Instituto de Desenvolvimento das Empresas de Alimentação, que mapeou o cenário de um dos mercados mais capilares do Brasil, responsável por atender 47,5 milhões de consumidores diariamente. Apesar do expressivo crescimento de 6,80% no faturamento global, os indicadores revelam uma mudança estrutural na economia das padarias: o desenvolvimento do setor não se deu por um aumento expressivo no volume de consumidores (o fluxo de clientes cresceu 1,27%), mas sim pela capacidade de elevação do ticket médio, que registrou uma alta de 5,46% (R$ 36,61 por visita). "Em 2025, a pergunta que definiu o mercado não foi como crescer, mas como crescer vendendo melhor. Os dados revelam que o empresário do setor depende cada vez mais da sua capacidade de ajuste da operação, ofertar produtos de maior valor agregado e gerir processos internos com inteligência. Quem não profissionalizar a operação e não olhar para a produtividade terá sérias dificuldades de manter as margens", analisa Emerson Amaral, CEO do Instituto de Desenvolvimento das Empresas de Alimentação.
AUMENTO DA EXPORTAÇÃO DE SOJA ELEVA PREÇO DOS FRETES
As exportações de soja cresceram no mês de fevereiro, contribuindo para o aumento no preço dos fretes. Além da colheita, o período chuvoso é outro fator que influencia na alta dos preços do serviço de transporte de grãos. A análise está na edição de fevereiro do Boletim Logístico, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O monitoramento dos corredores logísticos evidencia o Arco Norte e o porto de Santos (SP) como principais canais de exportação de soja e milho no início de 2026. Pelo Arco Norte, houve o escoamento de 40,8% da produção de milho e 38,4% da produção de soja. Já pelo Porto de Santos foram exportados 33,5% da safra de milho e 36,8% da de soja. Com a previsão de safra recorde divulgada pela Conab no último levantamento da safra de grãos, os próximos meses devem ser marcados pelo aumento dos fretes rodoviários. “No mercado externo, oscilações cambiais, incertezas geopolíticas e o valor do petróleo devem continuar influenciando o preço dos fretes. Já no mercado interno, os produtores devem lidar com o avanço da colheita das culturas de primeira safra, o que também mantém a pressão de alta nas cotações para a remoção dos grãos”, analisa o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth.
MENOS DE 20% DOS PROFISSIONAIS SE SENTEM PREPARADOS PARA A IA
Apenas 19,3% dos profissionais brasileiros afirmam se sentir preparados para usar Inteligência Artificial no ambiente de trabalho. É o que revela o quarto capítulo da série Panorama do Trabalho no Brasil, mapeamento realizado pela Serasa Experian, primeira e maior datatech do país, e ajuda a explicar por que, apesar do avanço da tecnologia, a maioria dos profissionais ainda se percebe em fase de adaptação. A Geração Z é a que se sente mais preparada para lidar com IA no trabalho (22,8%). Já, 60,5% dos profissionais dizem estar apenas parcialmente preparados, evidenciando um cenário de transição no uso da tecnologia no ambiente profissional. Para Fernanda Guglielmi, gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian, a maior afinidade da Geração Z com a tecnologia está relacionada ao contexto em que esses profissionais se desenvolveram. “A Geração Z não percebe a tecnologia como uma ferramenta externa, mas como parte do ambiente em que cresceu. A Inteligência Artificial não é ‘nova’ para esses profissionais, porque eles se desenvolveram interagindo com sistemas inteligentes e veem a tecnologia como uma extensão da própria criatividade, não como algo a ser aprendido ou temido. É fundamental que gestores de RH e líderes entendam esse contexto, porque ele impacta diretamente produtividade, engajamento, atração de talentos, aprendizado, ética e competitividade das empresas”, afirma.
USO DE IA EM EMPRESAS BRASILEIRAS MAIS DO QUE DOBRA EM DOIS ANOS
Já imaginou realizar o inventário de uma empresa com a câmera do celular ou monitorar normas de segurança 24 horas por dia, reduzindo riscos de acidentes? Essas são realidades em indústrias brasileiras que estão adotando inteligência artificial (IA) para automatizar processos, aumentar a eficiência e melhorar a gestão de dados. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o percentual de empresas industriais que utilizam IA saltou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024, refletindo a rápida incorporação da tecnologia nos processos produtivos. Os principais usos são na automação de processos operacionais, integração de sistemas, análise preditiva de dados, geração de relatórios inteligentes e apoio à tomada de decisões em tempo real. Esse movimento é relevante considerando o impacto que a indústria tem na economia brasileira. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que o setor industrial responde por cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e é responsável por aproximadamente 69% das exportações de bens e serviços. O aumento da eficiência industrial tende a fortalecer a competitividade do país e gerar impactos positivos em toda a economia. “Mais do que automatizar tarefas, a IA permite que as empresas entendam melhor seus dados e tomem decisões com mais rapidez e precisão. Isso impulsiona a operação dos negócios”, afirma Bruna Mulinari, fundadora da Dataplai, empresa especializada em projetos de inteligência artificial. Segundo a empresa curitibana, as indústrias são atualmente os principais consumidores de soluções especializadas em IA, mas não os únicos. O uso dessa tecnologia em áreas como o atendimento ao cliente, por exemplo, também cresceu. “A expectativa é que esse movimento continue em expansão. A tecnologia tem sido incorporada de forma gradual, com diferentes níveis de adoção entre setores e portes de empresas.”, reforça Mulinari.
PRODUTOS DA PÁSCOA SUBIRAM BEM MENOS DO QUE A INFLAÇÃO
A Páscoa dos brasileiros não será tão salgada em 2026. Cálculos feitos pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base nos dados do IPCA-15 do IBGE, indicam que os itens alimentícios tradicionalmente mais procurados pelos consumidores para essa data apontaram alta de 0,59% no intervalo de um ano — muito abaixo da inflação acumulada em 12 meses até fevereiro, de 4,1%.
A elevação tímida dos preços também é bem menor do que a da Páscoa anterior, em que esses mesmos produtos subiram 2,45%, segundo a FecomercioSP. O estudo selecionou 14 itens historicamente mais buscados pelos brasileiros na Páscoa, como chocolates, pescados, vinho e pães, conformando uma Cesta de Páscoa.
CHOCOLATE TEVE AUMENTO DE 26% EM UM ANO
O item geralmente mais comprado na Páscoa (o chocolate) está muito mais caro agora, ao subir 26,11% em um ano, depois de já ter encarecido 15,6% na Páscoa do ano passado, para os tipos de barra e os bombons. Isso se explica, sobretudo, pela forte elevação do preço do cacau no mercado internacional de 2024 em diante — que, mesmo com um arrefecimento no último ano, ainda tem pressionado os valores localmente. Como o IBGE não mensura as variações do ovo de Páscoa, por ser um produto sazonal, a tendência é que se acompanhe a elevação do chocolate. Na contramão, está o arroz, que caiu 28% em um ano, além do azeite, cuja retração foi de 24,12% (na verdade, trata-se de uma recuperação depois da forte elevação de 18%, em 2025). Itens relevantes nas refeições pascoais, com peso relativo na cesta, ajudaram a diminuir a sua inflação. Produtos como o alho (- 21,5%) e o ovo (-5,14%) também ficaram mais baratos.
FEIRA DE PRODUTOS PARA MERCADOS MUÇULMANOS
O termo Halal, originado da tradição islâmica, significa "permitido" e está relacionado a tudo o que é recomendado para o consumo dos muçulmanos a fim de preservar sua saúde e segurança. Abarca finanças, moda, turismo, entretenimento, fármacos, cosméticos e, como não poderia deixar de ser, alimentos e bebidas. Quem quiser saber mais sobre este conceito – especialmente no que tange a alimentos e bebidas – não pode ficar de fora da Anuga Select Brazil, a maior feira das Américas dedicada ao setor de alimentos e bebidas, que acontecerá em entre os dias 7 e 9 de abril, no Distrito Anhembi, em São Paulo. O evento contará com mais uma edição da Halal Zone — espaço dedicado ao Halal liderado pela Fambras Halal Certificadora, a maior certificadora Halal da América Latina. As cifras do mercado Halal de alimentos e bebidas impressionam: o setor movimentou cerca de US$ 1,43 trilhão em 2023, com projeção de atingir US$ 1,94 trilhão até 2028, uma taxa média de crescimento anual de 6,2%. E muitas pessoas ainda não sabem que o Brasil é o grande protagonista deste mercado:  de acordo com dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, em 2025, o país exportou US$ 44,2 bilhões a países islâmicos árabes e não árabes. Entre os principais produtos comercializados estão carne de frango, carne bovina, açúcar, café e arroz.
CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO E AS REAÇÕES DO MERCADO
A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã nas últimas semanas tem provocado efeitos imediatos nos mercados globais de energia, especialmente no petróleo e seus derivados, reforçando um cenário de instabilidade geopolítica e alta volatilidade. Desde o início das tensões, o preço do barril chegou a ultrapassar os US$ 100, com picos próximos de US$ 119 após ataques a infraestruturas energéticas e riscos de interrupção no transporte pelo Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Esse cenário elevou o chamado “prêmio de risco geopolítico”, pressionando custos em toda a cadeia produtiva. A reação do mercado, no entanto, tem sido marcada por oscilações bruscas. Apenas nesta semana, sinais de um possível cessar-fogo fizeram o petróleo recuar mais de 5%, voltando para a faixa abaixo dos US$ 100, após semanas de forte alta. Ainda assim, analistas apontam que a volatilidade permanece elevada, com impactos diretos sobre inflação, câmbio e custos industriais. Essa instabilidade já começa a ser sentida no Brasil, especialmente em setores dependentes de derivados do petróleo. De acordo com Luiz Alberto Gomes Jr., diretor-executivo da Acipar, o momento é de cautela. “A gente vive um cenário de muita apreensão. O mercado reage rapidamente a qualquer movimento geopolítico, e isso tem impacto direto nos custos das matérias-primas. O setor está atento e preocupado com a continuidade desse conflito”, afirma.
 
 
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