Condomínios: O que você precisa saber para não errar na Assembleia Geral
Especialista da AACEP detalha as obrigatoriedades e os benefícios da AGO para síndicos e moradores
31/03/2026 às 10:52
Bianca Ruggi, vice-presidente da AACEP, explica por que a AGO anual é o pilar fundamental de uma gestão transparente e eficiente.  Crédito da foto - reunião ilustrativa de AGO Reprodução AACEP
A Assembleia Geral Ordinária (AGO) é uma das reuniões mais importantes da administração condominial. Além de ser obrigatória por lei, é nela que ocorre a prestação de contas do exercício anterior e a aprovação da previsão orçamentária para o próximo período, garantindo transparência, organização financeira e segurança jurídica tanto para o síndico, quanto para os condôminos.

Para explicar a importância da AGO, Bianca Tedeschi Ruggi - advogada na área condominial e vice-presidente da AACEP – salienta que na maioria dos ambientes coletivos, essa assembleia costuma acontecer no início do ano — geralmente em março —, momento em que se encerra o exercício contábil anterior e se define o planejamento financeiro para o novo ciclo.
 
O que é definido na AGO?
De acordo com o Art. 1.350 do Código Civil Brasileiro, o condomínio deve realizar essa reunião ao menos uma vez por ano. Os temas centrais e obrigatórios são:

·    Prestação de contas: detalhamento dos gastos e investimentos do exercício anterior.
·    Aprovação da previsão orçamentária: planejamento de gastos para o ano que se inicia.
·    Fixação da taxa condominial: definição do valor das cotas com base no orçamento aprovado.
·    Eleição de síndico (se houver vacância): dependendo da convenção, a eleição pode ser anual ou bienal.

Por que ela é obrigatória?
Embora a convenção do condomínio possa prever outros temas, a prestação de contas e a previsão orçamentária são os pilares da AGO. É fundamental que os condôminos participem, esclareçam dúvidas e dialoguem com o síndico e a administradora.

Bianca também destaca que a transparência deve ser a regra: o síndico deve submeter o orçamento à aprovação e permitir que a gestão seja devidamente fiscalizada pelos moradores.

Riscos da omissão
Cabe ao síndico convocar a assembleia dentro do prazo, apresentar as contas de forma clara, levar a previsão orçamentária organizada e registrar a ata corretamente. Caso o síndico não a convoque, a lei permite que um quarto (1/4) dos condôminos o faça. A ausência da AGO pode gerar graves problemas, como:

·        Insegurança Jurídica: dificuldade para cobrar inadimplentes (por falta de cota formalmente aprovada).
·        Bloqueio de Contas e Crédito: questionamentos sobre a legitimidade da gestão perante instituições financeiras.
·        Conflitos Internos: desconfiança entre moradores e falta de transparência.

Uma assembleia mal conduzida pode gerar impugnações e processos judiciais. Por isso, o auxílio de uma administradora profissional é fundamental para trazer rigor técnico e organização ao processo.

Por que a AGO acontece geralmente em março?
Embora a lei não determine um mês específico, a prática de realizar a reunião entre fevereiro e março justifica-se por:

1.      Fechamento Contábil: tempo hábil para consolidar os dados financeiros de dezembro a fevereiro.
2.      Reajustes Salariais: acesso aos novos índices das convenções coletivas dos funcionários.
3.      Planejamento Antecipado: permite que o condomínio opere com o novo orçamento ainda no início do ano, evitando "remendos" financeiros posteriores.

Benefícios de uma AGO bem realizada
A vice-presidente da AACEP observa que a AGO não é apenas uma formalidade; é o termômetro da saúde do condomínio. Entre as principais vantagens, destacam-se:

·        Transparência Total: os condôminos sabem exatamente como o dinheiro está sendo aplicado.
·        Planejamento Estratégico: menos surpresas com taxas extras ou obras emergenciais.
·        Segurança para o Síndico: contas aprovadas significam dever cumprido e proteção legal contra questionamentos futuros.
·        Redução de Conflitos: uma gestão organizada mitiga boatos e reclamações infundadas.

“Condomínios que realizam a AGO com seriedade garantem uma gestão mais segura e a valorização do patrimônio. Contar com o apoio técnico de uma administradora especializada, como as filiadas à AACEP, é o melhor caminho para assegurar que todos os trâmites legais e administrativos sejam seguidos com excelência”, enfatiza Bianca Tedeschi Ruggi.

Sobre a AACEP
A Associação das Administradoras de Condomínios do Estado do Paraná (AACEP) congrega 31 administradoras associadas, que representam mais de 2.700 condomínios no estado do Paraná e onde vivem cerca de 740 mil pessoas.

A AACEP [www.aacepr.com.br] tem sede na capital paranaense e membros filiados em Curitiba, Campo Largo, Londrina, Ponta Grossa, Colombo, Guarapuava, Francisco Beltrão, Pato Branco, Cascavel e Foz do Iguaçu. A entidade atua para levar informações, profissionalismo à gestão condominial e busca novas administradoras nas cidades de médio porte do Paraná.

Sobre Bianca Tedeschi Ruggi
Bianca Tedeschi Ruggi é advogada atuante na área condominial, vice-presidente da AACEP, sócia da Grupo Ruggi Administradora de condomínios, coordenadora do Curso Síndico Diamante em Curitiba, diretora de Condomínios Secovi/PR.

 
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