
As escolas de samba desenvolvem uma dramaturgia cantada e dançada ao ar livre, seguindo o bater de bumbos e tamborins - única no mundo. Uma aula ilustrada sobre o gênero brasileiro por excelência foi eleita para abrir o 34º Festival de Curitiba, na noite desta segunda-feira e com reprise amanhã, 31 de março.
Uma síntese dessa aula-show, Samba: As Escolas e suas Narrativas, dada por Milton Cunha e ilustrada por cerca de 40 expoentes do carnaval carioca e velha guarda de Curitiba na Pedreira Paulo Leminski, foi antecipada na sala de imprensa do festival pela manhã de hoje.
Com formação na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Milton Cunha é divulgador das escolas também no exterior. E, ferrenho defensor da cultura do samba e sabedor que Curitiba é resistente à cultura popular dos negros, não se faz de rogado: “O festival está comprando uma briga”.
“Se você não gritar e espernear, o racismo estrutural sufoca tudo o que é popular. A resistência é feroz e violenta”, observou. E “é uma vitória diária de uma luta diária”, completa Nilse Fran, vice-presidente da Portela, sobre os preconceitos que envolvem as escolas de samba. “Eu trago a resistência no ventre”, disse, muito emocionada. Já em lágrimas, depõe a rainha de bateria Luara Bombom, rainha da bateria da Mocidade Unida do Santa MRTA: Não é sexo, não é só exposição do corpo: o rebolado dos quadris da passista é uma linguagem, é a história de uma resistência. “O samba é nossa voz”, proclama, reclamando a invasão do espaço das passistas por celebridades.

A entrevista matutina contou com Mestre Ciça, histórico regente de bateria e tema do enredo campeão da Unidos da Viradouro no carnaval de 2026. “Tenho mais de 50 anos de escola de samba. É muita honra estar no festival”, festejou. O ator Demerson d’Alvaro, notabilizado como o orixá exu no desfile de 2022 da Grande Rio, e o figurinista Samuel, discípulo da carnavalesca Rosa Magalhães, também compareceram à sala de imprensa.

Nesta edição, a sala de imprensa homenageia a memória de dois dignos atores: a mineira Teuda Bara e o curitibano Maurício Vogue, no hotel Mabu, quartel-general da organização do FC.
A aula-show idealizada por Milton tem a participação de representantes de cerca de 14 escolas de samba do Rio de Janeiro, e em Curitiba vai contar também com a presença da velha guarda das agremiações locais. “Não dava pra vir pra cá e não falar da dor e das delícias dos sambistas de Curitiba”, opinou.
A cerimônia de abertura terá como MCs os atores Fernanda Fuchs e Diogo Verardi, que fazem sucesso com as esquetes de Malhassaum.
A aula-show integra a Mostra Lucia Camargo, principal vitrine do evento, com 28 espetáculos selecionados. Estarão em cena grupos teatrais com longas e sólidas trajetórias nacionais, como o carioca Armazém (nascido no Paraná), os cearenses da Carroça de Mamulengos, os mineiros do Grupo Corpo e o Galpão, que nesta
terça-fera estará no Guairão com o premiado (Um) Ensaio Sobre a Cegueira, baseado no clássico de José Saramago.
CONFIRA
De 30/3 até 12/4 de 2026
Os ingressos vão de grátis até R$85 (mais taxas administrativas).
Em www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria no Shopping Mueller
Descontos especiais para colaboradores de empresas apoiadoras, clubes de desconto e associações.
A Mostra Lucia Camargo, a Mostra Fringe e o Interlocuções são apresentados por Petrobras, Sanepar e Governo do Estado do Paraná, Prefeitura de Curitiba e Fundação Cultural de Curitiba, Renault e Geely, com patrocínio de EBANX, Viaje Paraná, Itaipu Binacional e Copel, com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal - Do lado do povo brasileiro e Paraná Festivais - Governo do Paraná. Confira no site oficial todos os espetáculos que contam com acessibilidade em Audiodescrição e intérpretes de Libras.