Um tipo de amor
30/03/2026 às 05:30
Foto de Khadeeja Yasser na Unsplash
por Luiz Felipe Leprevost

Há um tipo de amor que se compreende com as mãos. Um tipo de amor que sintoniza nos olhos. Um tipo de amor que é pela boca. Um tipo de amor que é pela festa. Um tipo de amor que é em silêncio. 
Um tipo de amor que a experiência de vida ensina. Um tipo de amor que se chama saudade. Um tipo de amor na memória. Um tipo de amor que vive cada momento como se fosse o último. 
Há um tipo de amor de vulcão. Um tipo de amor que é rio largo quase sem margens. Um tipo de amor labirinto de espelhos. Um tipo de amor sob a chuva. Um tipo de amor que somente a música. E um tipo de amor que se faz com a noite, principalmente com a noite.
Há um tipo de amor que são pares de tênis sujos de caminhar juntos. Um tipo de amor no barulho da chave na porta. Um tipo de amor soletrado no cansaço do dia. Um tipo de amor nos lençois estendidos. Um tipo de amor de pijama e luz apagada. E um tipo de amor na velocidade com que vocês se despiram. Um tipo de amor nos lençois embolados. 
Há um tipo de amor na biblioteca da casa. Um tipo de amor cultivado na prateleira de temperos. Um tipo de amor que se desenha no vapor do espelho. Um tipo de amor na fresta de sol de manhã nos pés do filho deitado no sofá. Um tipo de amor que restava esquecido no bolso do casaco que você, depois de meses, acabou de vestir.
Há um tipo de amor que é nó de marinheiro, impossível desatar. Um tipo de amor que a gente anota na palma do coração para que vire pássaro. Um tipo de amor que continua como luz de farol mesmo que o barco tenha atracado.
Há um tipo de amor que você declara escrevendo na areia da praia sabendo que daqui a pouco a maré vai subir, exatamente como nesta crônica.
Comentários    Quero comentar
* Os comentários não refletem a opinião do Diário Indústria & Comércio