
Os jornalistas Dias Lopes e Sérgio Brandão entraram em campo para relembrar Leocádio Cônsul, craque da era de ouro do futebol brasileiro, cujas memórias entrelaçadas com entrevistas originaram o livro
Um menino bom de bola- A autobiografia. O lançamento está agendado para 24 de abril deste ano, na Biblioteca Pública do Paraná, às 16h.
Leocádio, que hoje mora em Mafra-SC, foi brilhante jogador do meio-campo no Coritiba e outros grandes clubes do Sul e Sudeste. Foi nas décadas de 1960 e 1970, quando o futebol “possuía uma mística própria, onde o talento era a regra e não a exceção”, diz Sérgio Brandão, devoto torcedor coxa. (Já o paraibano Dias Lopes é “cidadão do futebol”, cronista das antigas que não revela o time do coração).

Após dois anos de pesquisa documental e lembranças do próprio biografado, Dias Lopes e Brandão contam a trajetória de Leocádio (do interior catarinense ao estrelato no Coritiba) desde ainda menino em Mafra (SC), segue no Operário de Ponta Grossa e chega aos clubes que formavam o forte cenário do futebol regional e nacional da época, como Londrina, Ferroviária (SP), Apucarana e o Metropol, hoje Criciúma. A narrativa se atém mais ao período em que “Leocádio defendeu as cores do Coritiba, clube onde permaneceu por mais tempo, consolidou seu nome e se tornou uma figura icônica para a torcida alviverde”.
Os jornalistas observam que, através das memórias de Leocádio, o leitor é transportado para um tempo onde a habilidade individual resolvia partidas e onde o meio-campo era o setor dos maestros.
É tempo de Coxa

O Coritiba também é tema de dois futuros livros, cujas pesquisas estão em andamento e trazem títulos provisórios:
Os primórdios do Coritiba Foot Ball Club: Seus fundadores e precursores, de Daniel Vinicius Ferreira, Luiz Carlos Betenheuser Júnior e Wagner Bettega, e
Coxa -Desde que a bola é bola, de Adherbal Fortes de Sá Jr.
Numa tarde de café com bolo de laranja, quem ouvisse aqueles homens (Adherbal e Luiz Carlos), animadamente conversando, não teriam dúvidas: os dois são apaixonados por futebol. Paixão por sua história, incluindo capítulos curiosos, porém mais precisamente pelo Coritiba. (Por sinal, eles devem estar na glória com a vitória coxa sobre o Corinthians em São Paulo).
Luiz Carlos, de formação universitária em Administração pela UFPR, é daqueles “coxa desde criancinha”, levado ao estádio pelas mãos do pai torcedor do Coritiba devido às cores verde e branca - (“Papai era vascaíno e não queria nenhum time aqui que lembrasse as cores do Flamengo). No posto de um dos vice-presidentes do clube, há cinco anos, ele pesquisa a história do time do Alto da Glória, defendendo a tese de que sua origem é brasileira, e não alemã, como dizem pelas arquibancadas da cidade.
Sua garimpagem concentra-se em cem anos de documentação guardada em 478 caixas no Estádio Couto Pereira, contendo cinco mil fotos e a relação dos 173 precursores, entre fundadores e pioneiros do clube.
“O livro já beira umas 500 páginas e mais de mil caracteres*”, conta, informando que pretende obter ajuda de historiadores da UFPR para dar um formato científico à pesquisa. Por enquanto, ele e os amigos estão alimentando o site oficial do Coritiba com os achados. Um deles conta que o esporte, masculino por excelência, teve no time paranaense um projeto feminista: instituir um esquadrão só de mulheres, conforme atesta documento de 1910. O projeto não vingou, mas foram quatro senhorinhas que bordaram, costuraram e desfraldaram a primeira bandeira dos coxas.
Com Adherbal, veterano jornalista com cadeira na Academia Paranaense de Letras, a conversa no café começa como era a bola, se com cinco ou seis gomos (meridianos do globo). E Luiz Carlos recorre ao estatuto Coxa-Branca: o escudo deve ter uma bola com cinco gomos.
Adherbal, mas só no primeiro capítulo, trata dos fundadores do Coritiba, ata de 1909. E segue com uma abordagem entre sociológica, histórica e jornalística até “a emoção do próximo jogo”. Para tanto, também conta com os arquivos da Sala da História do Coritiba, onde o historiador Rudi Iurck Filho atua no resgate do patrimônio alverde usando IA.
Com uma memória centenária fartamente documentada, a sala no Couto Pereira ficou pequena para abrigar os arquivos. E outra remessa, cerca de 500 caixas, está sob guarda da Universidade Federal do Paraná. As milhares de fotos desses arquivos estão sendo digitalizadas por outro coxa apaixonado, o fotógrafo Maringá(s) Maciel. Mas essa é outra história (e apaixonante, aguardem).
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Correção:onde se lê caracteres, o certo é “mil notas de rodapé”.