Crise hídrica: como as construtoras estão se preparando para um futuro possível
Momento exige pensar soluções que podem ajudar reverter a exploração irresponsável de um recurso que não pode acabar: a água
10/03/2026 às 10:27
Crédito: Rafael Mandryk
As estimativas não são as melhores. No começo de 2026, pesquisadores da Organização das Nações Unidas (ONU) alertaram que o estado atual do mundo é de falência hídrica. Na prática, isso significa que aquíferos, rios e mananciais estão sendo explorados em um ritmo maior do que conseguem se recuperar. O quadro acende um alerta global e exige mudanças estruturais em setores estratégicos para o desenvolvimento das cidades.
 
A construção civil é uma das áreas que, cada vez mais, precisa se adaptar a essa realidade, não só durante o processo de construção de uma obra, mas também na forma como os empreendimentos serão abastecidos ao longo dos anos. “A gente precisa pensar nisso de forma responsável, com um bom manejo dos recursos que ainda temos, sobretudo tendo em vista o crescimento populacional e imobiliário que os centros urbanos vêm apresentando”, conta o engenheiro civil Maurício Wildner da Cunha, da construtora Andrade Ribeiro.
Entre as principais dificuldades encontradas pelo setor estão o alto consumo de água nas diferentes etapas da obra, a impermeabilização crescente do solo urbano, que compromete a recarga natural dos lençóis freáticos, e a necessidade de reduzir a pressão sobre os sistemas públicos de abastecimento, especialmente em cidades que já enfrentaram rodízios e restrições hídricas nos últimos anos.
Algumas construtoras vêm buscando pensar soluções nesse sentido. No grupo Andrade Ribeiro, por exemplo, uma das soluções adotadas foi a instalação de um poço artesiano em um empreendimento localizado na região do Ecoville,o Seventy Upper Mansion, em Curitiba, bairro que figura entre os mais valorizados da capital paranaense e concentra parte significativa dos lançamentos imobiliários de médio e alto padrão.

Alternativas para reduzir a pressão sobre o sistema público

A utilização de poço artesiano, quando acompanhada de critérios técnicos e licenciamento ambiental, pode representar um avanço na gestão hídrica dos empreendimentos. Sobretudo por atuar como um facilitador quando o assunto é dependência da rede pública, hoje já sobrecarregada.
“Um poço artesiano evita, por exemplo, o desabastecimento quando há falhas na rede pública, ou até mesmo durante possíveis crises hídricas. Ainda, é um fator importante no quesito economia, pois proporciona a autossuficiência de água e, consequentemente, uma economia financeira”, explica o engenheiro.
O desafio, no entanto, é estrutural, relembra o engenheiro. “O poço é apenas uma das alternativas. É preciso que o setor de construção esteja cada vez mais comprometido com um crescimento sustentável, mudando essa ideia de que esse cuidado está relacionado apenas com a redução de custos ou ainda com foco em agregar valor ao imóvel”, conclui.
 
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