Setor industrial e os vetores de transformação em 2026
05/03/2026 às 19:16
(*) João Roberto Benites
 
Começo de ano, executivos e conselheiros retomando as agendas, e empresários compilando análises e tendências de mercado para planejar investimentos e a trilha de crescimento. Como conselheiro de administração e consultivo de algumas organizações, estou igualmente nesse movimento, fazendo a lição de casa, acompanhando os números de fechamento de 2025 e as oportunidades que se desenham para 2026.
Dedicando atenção especial ao setor industrial brasileiro, compartilho neste artigo alguns dados e insights. Não tivemos um 2025 de grandes avanços e, assim, 2026 chega sinalizando um período de transição estrutural, influenciado pela implementação da Nova Indústria Brasil NIB, pela busca contínua de redução do Custo Brasil e pela incorporação de novas tecnologias produtivas. Análise recente da consultoria KPMG indica que esse ambiente combina pressões conjunturais com oportunidades relevantes de crescimento e reposicionamento competitivo, especialmente em um contexto de reorganização das cadeias globais e de políticas industriais mais ativas.
Os dados macroeconômicos reforçam a complexidade do momento. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE, a produção industrial brasileira cresceu apenas 0,6% em 2025, após ter avançado 3,1% em 2024, evidenciando uma desaceleração expressiva do ritmo de atividade. Em dezembro de 2025, houve retração mensal de 1,2% frente a novembro, a maior desde julho de 2024, quando a queda havia sido de 1,5%. No acumulado do ano, a indústria de transformação recuou 0,2%, após crescimento de 3,7% em 2024, enquanto a indústria extrativa avançou 4,9%, sustentando parcialmente o resultado agregado.
A Reuters também trouxe dados relevantes, destacando que o desempenho de 2025 foi impactado por juros elevados, política monetária contracionista e pelo aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Esse conjunto de fatores reduziu a demanda e elevou a volatilidade, levando a indústria a registrar, em dezembro, o desempenho mensal mais fraco em cerca de 18 meses. A G5 Partners complementa esse diagnóstico ao apontar que o setor não apresentou crescimento mensal desde agosto de 2025, quando havia registrado alta de 0,7%.
Apesar do quadro restritivo, o estudo da KPMG identifica oportunidades relevantes para 2026. A transformação digital e a automação industrial, com a adoção de tecnologias 4.0 e inteligência artificial, surgem como vetores centrais de aumento de produtividade e eficiência, com potencial de ganhos percentuais significativos na redução de custos operacionais. Os investimentos em infraestrutura e construção, impulsionados por obras públicas e programas habitacionais, tendem a elevar a demanda por bens manufaturados, máquinas e equipamentos, beneficiando setores como materiais de construção, vidro e metais processados.
A transição energética e a descarbonização também ganham peso estratégico, estimulando a substituição de ativos produtivos e a adoção de tecnologias limpas, em linha com exigências ambientais cada vez mais rigorosas nos mercados internacionais. Nesse contexto, segmentos como papel e celulose, automotivo, aeroespacial e defesa assumem papel central, ao combinar inovação tecnológica, sustentabilidade e potencial exportador.
Por outro lado, persistem gargalos estruturais relevantes. A qualificação da mão de obra permanece como um fator crítico, uma vez que a defasagem técnica limita a adoção plena de tecnologias avançadas. O Custo Brasil, associado à logística ineficiente, à burocracia, à carga tributária elevada e à insegurança jurídica, continua pressionando as margens e reduzindo a força competitiva. Para 2026, a expectativa predominante é de uma recuperação moderada, condicionada à flexibilização gradual da política monetária e aos estímulos governamentais previstos na NIB, que mobiliza recursos relevantes para inovação, digitalização e aumento do conteúdo tecnológico.
 
João Roberto Benites -
Preside Conselhos de Administração de empresas familiares. Atua como Conselheiro Consultivo da Grant Thornton Brasil e do Hospital das Clínicas (SP). É conselheiro  certificado pelo IBGC, especialista em expansão estratégica de empresas.

fontes: 
  
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/producao-industrial-no-brasil-cai-12-em-dezembro-mostra-ibge/#goog_rewarded
https://monitormercantil.com.br/desafios-e-oportunidades-do-setor-industrial-brasileiro-em-2026/
https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/02/03/indstria-sente-juros-e-tarifas-em-2025-mas-pode-ter-recuperao-moderada-em-2026-dizem-economistas.ghtml
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