79% das famílias brasileiras começaram 2026 endividadas
06/03/2026 às 05:00
Pesquisa da CNC indica que cerca de 79% das famílias brasileiras iniciaram 2026 endividadas, o maior patamar da série histórica para o período

A prática de guardar dinheiro, frequentemente associada apenas à disciplina, ainda é um obstáculo para grande parte dos brasileiros. Apesar da intenção de criar uma reserva para emergências, viagens ou compras de maior valor, o peso das despesas fixas, as taxas de juros elevadas e a cultura do consumo imediato acabam comprometendo qualquer tentativa de organização financeira. Dados recentes da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), indicam que cerca de 79% das famílias brasileiras iniciaram 2026 endividadas, o maior patamar da série histórica para o período. O índice corresponde a quase metade da população adulta do país e reflete os efeitos do encarecimento do custo de vida, do crédito oneroso e da dificuldade de manter as finanças equilibradas. O padrão de consumo também ajuda a explicar esse contexto. Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil aponta que 62% dos brasileiros admitem realizar compras por impulso pela internet. Entre eles, 40% reconhecem ter gastado além do que podiam, enquanto 35% contraíram dívidas ou atrasaram o pagamento do cartão de crédito e de contas essenciais em decorrência dessas aquisições.
INADIMPLÊNCIA TEM LEVE AUMENTO NO PR EM FEVEREIRO
O Departamento de Inteligência de Dados da Associação Comercial do Paraná (ACP) divulgou os números atualizados de inadimplência de pessoa física no Estado e na capital paranaense. Os dados apontam leve alta no volume de consumidores com registro restritivo no mês de fevereiro, na comparação com janeiro. No Paraná, o total de CPFs com algum tipo de restrição passou de 3.077.198 em janeiro para 3.081.186 em fevereiro, um aumento de 0,1295%. Em Curitiba, o número de pessoas físicas inadimplentes subiu de 562.143 em janeiro para 563.473 em fevereiro, variação de 0,2365% no percentual superior ao registrado no consolidado estadual.De acordo com o Presidente da ACP Paulo Mourão, apesar de o crescimento ser considerado discreto, o avanço da inadimplência exige atenção, especialmente em um cenário de pressão sobre o orçamento das famílias. "O monitoramento contínuo dos indicadores permite acompanhar o comportamento do crédito e subsidiar decisões estratégicas do setor empresarial", resume.
BRASIL BATE RECORDE DE EXPORTAÇÃO DE TABACO
O Brasil alcançou, em 2025, o maior valor já registrado em divisas com exportações de tabaco. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC/ComexStat), o setor somou US$ 3,389 bilhões, resultado 13,85% superior ao obtido em 2024 (US$ 2,977 bilhões). O desempenho supera, inclusive, o recorde anterior, de 2012, quando as exportações haviam gerado US$ 3,272 bilhões. O crescimento da receita foi impulsionado, principalmente, pelo forte aumento do volume embarcado. Em 2025, o Brasil exportou 561.052 toneladas de tabaco para 121 países, volume 23,23% superior ao registrado em 2024 (455.221 toneladas). A diferença entre o avanço do volume (+23,23%) e o crescimento da receita (+13,85%) é explicada pela redução do preço médio por tonelada. Em 2024, o valor médio foi de aproximadamente US$ 6.540 por tonelada, enquanto em 2025 ficou em torno de US$ 6.040 por tonelada, uma queda estimada de 7,6%. Em 2025, a Europa manteve-se como principal destino do tabaco brasileiro, respondendo por 41% do valor exportado. O Extremo Oriente representou 36% dos embarques, seguido por África/Oriente Médio (8%), América do Norte (6%), América Latina (6%) e Leste Europeu (3%). Entre os principais países importadores estão Bélgica, China e Indonésia.
PRESSÃO DOS CUSTOS DAS MAQUININHAS
Com mais de 15 milhões de microempreendedores individuais (MEIs) ativos no país, segundo dados do Governo Federal, cresce a demanda por modelos de pagamento com menor custo fixo, como maquininhas sem aluguel. O avanço da formalização ampliou a base de pequenos negócios com faturamento variável, margens mais apertadas e maior sensibilidade a despesas mensais recorrentes. Esse movimento ocorre em paralelo a uma transformação no comportamento de pagamento no Brasil. Dados do Banco Central do Brasil indicam que o Pix já movimentou mais de R$ 17 trilhões e superou 160 milhões de usuários cadastrados, tornando-se o meio de pagamento mais utilizado no país em número de transações. Na prática, isso representa um aumento expressivo no volume diário de operações realizadas por pequenos estabelecimentos, muitas delas de baixo valor e liquidação imediata. Com mais transações circulando em ritmo acelerado, o fluxo de caixa do microempreendedor tornou-se mais dinâmico. O dinheiro entra mais rápido, gira com maior frequência e exige controle constante. Nesse contexto, o aluguel fixo da maquininha, cobrado independentemente do volume vendido, passa a destoar da lógica operacional de quem trabalha com receitas pulverizadas e oscilações sazonais.
FRANQUIAS DE SAÚDE E BELEZA CRESCEM 15% EM 2025
O franchising segue em forte evolução no Brasil e se mantém como um dos pilares competitivos da economia nacional. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor registrou faturamento de R$ 301,7 bilhões em 2025, crescimento de 10,5% em relação ao ano anterior. O país soma atualmente 3.297 redes franqueadoras, 202.444 operações em funcionamento e cerca de 1,76 milhão de empregos diretos gerados pelo sistema. Considerando o desempenho anual de 2025, o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar foi o segundo maior do franchising brasileiro, com faturamento de R$ 74,3 bilhões e crescimento de 14,6% no período, impulsionado especialmente por maior busca por um estilo de vida saudável e preventivo. O primeiro lugar ficou com Limpeza e Conservação, que avançou 16,8%, alcançando R$ 2,5 bilhões no ano. Já no recorte mais recente da pesquisa, referente ao quarto trimestre de 2025, o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar continuou a se destacar, ocupando o segundo lugar em crescimento no período, com alta de 17,4% e faturamento de R$ 21,6 bilhões.
FRANQUIAS DE FOOD SERVICE CRESCERAM QUASE 11% EM 2025
O setor de franquias mostra-se estratégico para a economia brasileira, atingindo a marca histórica de R$ 301,7 bilhões de faturamento no último ano. De acordo com o balanço da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o crescimento de 10,5% reforça a maturidade do sistema, que hoje conta com 3.297 redes em funcionamento, nas mais de 202 mil unidades espalhadas pelo país, responsáveis pela geração de 1,76 milhão de postos de trabalho diretos. Já o segmento de Alimentação - Food Service, registrou recorde de faturamento, de R$ 51,8 bilhões, e cresceu 10,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.  O fôlego do setor ficou nítido no balanço do quarto trimestre de 2025, quando o segmento faturou R$ 15,3 bilhões, com alta de 9,9%, confirmando a tendência de aumento na demanda e a eficiência das operações franqueadas no país.
COMPRAS COM CREDIÁRIO TEM ELEVAÇÃO NO TICKET MÉDIO
O valor médio das compras financiadas via crediário subiu 21% no primeiro bimestre de 2026 na comparação com igual período de 2025, passando de R$ 1.481 para R$ 1.806, segundo dados da Top One Financeira, especializada em crediário e empréstimos no ponto de venda. No mesmo intervalo, a companhia registrou crescimento de 5,8% no volume de vendas financiadas. O avanço ocorreu em meio à maior seletividade na concessão. O percentual de aprovações sobre os pedidos de crédito recuou 11% em relação ao primeiro bimestre do ano passado, indicando ajuste na análise mesmo com operações de maior valor médio. A taxa de inadimplência encerrou o bimestre sem variação relevante frente ao mesmo período de 2025. O indicador, no entanto, permanece acima da média histórica pré-2020 (pandemia), sugerindo manutenção da pressão sobre a qualidade do crédito. Entre os que solicitaram análise de crédito no bimestre, a participação de primeiras compras foi de 69% do total de contratos, o que reflete maior entrada de novos consumidores na modalidade e possível migração do cartão de crédito para o crediário.
ÍNDIA É A NOVA “CHINA” PARA O COMÉRCIO BRASILEIRO
Enquanto o Brasil comemorava o Carnaval, a diplomacia econômica do país focou em Nova Délhi com uma das maiores missões de abertura de mercados já realizada pela gestão atual. O objetivo é claro: posicionar a Índia como o "novo sonho de consumo" e parceiro estratégico para o agronegócio e a tecnologia nacional, em um movimento de diversificação que espelha a aproximação com a China nas últimas décadas. A Índia, nação mais populosa do mundo com 1,44 bilhão de habitantes e uma nova classe média urbana de mais de 350 milhões de pessoas, apresenta uma demanda crescente por proteínas e alimentos industrializados. Este cenário, combinado à busca indiana por fornecedores confiáveis, cria uma janela de oportunidade única para o Brasil. "A Índia, em 2025, mantém-se como a nação mais populosa do mundo, com uma classe média urbana cujo poder aquisitivo tem aumentado 7% ao ano desde 2022, intensificando a demanda por proteínas e produtos premium. A combinação dessas tendências faz com que o agronegócio brasileiro enxergue no mercado indiano uma janela estratégica e promissora”, explica Tiago Costa, professor do curso de Agronomia da UniCesumar.
CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO E O PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último fim de semana levaram ao fechamento do Estreito de Ormuz, a principal rota marítima para o escoamento do petróleo do Oriente Médio. A interrupção da navegação acendeu um alerta nos mercados internacionais, pois pode elevar o preço dos combustíveis e encarecer produtos e serviços ao redor do mundo. Os efeitos do conflito já podem ser sentidos nas próximas semanas nos preços que os consumidores finais pagam nos produtos. O Oriente Médio é a fonte de 30% do petróleo e de 17% do gás natural do mundo. O valor do barril de petróleo está em alta e deve pressionar o preço de combustíveis, transportes, alimentos e o custo da indústria. O especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor da Mix Fiscal, Fabrício Tonegutti, explica reflexo na bolsa de valores. "Seja como for o mercado já sentiu o impacto dessa guerra, o preço do petróleo tipo brent subiu 9% na última segunda-feira, dia 02 e na terça-feira, dia 03, foi constatada uma nova alta. É uma pressão inflacionária global, porque encarece o preço dos transportes! Essa incerteza pressiona as bolsas de valores mundo afora: Na Europa, a bolsa de Frankfurt caiu 4%, no Japão o tombo foi de 3º e no Brasil, a Bovespa abriu a terça-feira em queda de 4%", ressalta o diretor da Mix Fiscal, empresa com 20 anos de experiência em inteligência tributária para o varejo. 
 
 
Comentários    Quero comentar
* Os comentários não refletem a opinião do Diário Indústria & Comércio