Diploma universitário segue indispensável em meio a discursos sobre seu fim 
20/02/2026 às 18:05
Nos últimos anos, multiplicaram-se discursos que tentam minimizar a importância da universidade e até decretar o “fim do diploma”. Para o professor do UniBrasil, Bruno Lorenzetto, essa visão é não apenas equivocada, mas perigosa para o futuro do país. “Não podemos alimentar a narrativa de que o diploma é dispensável ou irrelevante. Ele continua sendo um passaporte legítimo para o mercado de trabalho e para a ascensão social”, afirma.
Os números reforçam a urgência do tema: apenas 22% da população brasileira possui diploma universitário, contra 48% nos países da OCDE. “Se quisermos competir globalmente, precisamos expandir o acesso ao ensino superior sem abrir mão da qualidade”, destaca Lorenzetto. Ele lembra que profissões regulamentadas – como medicina, direito e engenharia – jamais poderão ser substituídas por cursos livres ou certificações digitais.
Além disso, o professor ressalta que o diploma não é apenas um requisito burocrático, mas a base para o desenvolvimento de competências técnicas e humanas indispensáveis. “Vivemos um paradoxo: tecnologias substituem tarefas humanas, mas cresce a demanda por habilidades profundamente humanas. É nesse cenário que o ensino superior se mostra insubstituível”, explica.
Lorenzetto também rebate a ideia de que universidades deveriam se limitar às demandas imediatas do mercado. “A teoria sem prática é irresponsável; a prática sem teoria pode nos destruir. As universidades são espaços de produção de conhecimento qualificado, de formação crítica e de liderança. Reduzir seu papel a mero treinamento é um erro histórico”, afirma o professor.
Para ele, o futuro da educação superior passa pela combinação entre inovação, reflexão crítica e soft skills. “Diploma e universidade sempre existirão. O que precisamos é valorizá-los e adaptá-los às novas realidades, sem abrir mão da essência formativa que garante cidadania e desenvolvimento social”, conclui.
Comentários    Quero comentar
* Os comentários não refletem a opinião do Diário Indústria & Comércio