Mais de 50% dos brasileiros já usam fintechs ou bancos digitais
19/02/2026 às 05:00
Mais da metade dos entrevistados (55%) se identifica como cliente de um banco digital, fintech ou provedor de pagamentos

O novo Estudo Consumer Pulse da TransUnion, empresa global de informação e insights que atua como DataTech, revela uma consolidação da preferência por serviços bancários digitais e fintechs entre os brasileiros. Mais da metade dos entrevistados (55%) se identifica como cliente de um banco digital, fintech ou provedor de pagamentos "compre agora, pague depois" (BNPL), com 42% afirmando ser clientes dessas instituições por mais de três anos. Essa relação demonstra confiança: 63% dos entrevistados retornariam ou continuariam a usar essas instituições para novos produtos financeiros, como empréstimos e cartões de crédito. Entre as razões para essa preferência estão a experiência positiva oferecida pelo provedor atual (63%) e ofertas proativas, como aumentos no limite de crédito (24%). Os bancos tradicionais mantêm sua relevância, apesar da forte ascensão das fintechs. Vinte e nove por cento (29%) dos consumidores relataram que instituições tradicionais onde já possuem contas ou produtos de empréstimo são a opção preferida para solicitar um novo empréstimo digital.
 EXPERIÊNCIA DE INOVAÇÃO
"O estudo confirma que a experiência e a inovação são fatores decisivos na escolha das instituições financeiras. As fintechs se consolidaram como protagonistas na jornada digital e inclusão de novos consumidores no sistema bancário, enquanto os bancos tradicionais preservam espaço ao oferecer confiança e relacionamento aos clientes tradicionais. O desafio de ambos agora é equilibrar tecnologia e proximidade para atender às expectativas do consumidor brasileiro e garantir a primazia do relacionamento bancário", destaca Helena Leite, especialista de mercado do setor bancário da TransUnion Brasil. Outro ponto interessante do estudo mostra que os consumidores brasileiros também exploram ativamente fontes alternativas de crédito. Quarenta por cento (40%) dos entrevistados atualmente têm ou já tiveram um cartão de crédito emitido por varejistas (como os emitidos por supermercados ou lojas de roupas). Esse tipo de crédito está claramente em alta na Geração Z, crescendo de 38% no quarto trimestre de 2024 para 43% no quarto trimestre de 2025. Além disso, 21% dos consumidores já fizeram compras parceladas diretamente com varejistas, demonstrando uma diversificação no acesso a créditos para o consumo diário.
MUDANÇA NO PERFIL DE COMPRADORES DE AUTOMÓVEIS
A 27ª edição do Auto Acrefi, estudo mensal realizado pela Acrefi em parceria com a Cox Automotive, mostra que o mercado automotivo brasileiro iniciou 2026 com nova dinâmica de crescimento, marcada por maior seletividade no crédito e mudança no perfil das compras. O setor passa a depender menos do consumidor individual impulsivo e mais de decisões planejadas, com maior peso de compras corporativas e locadoras. Com a Selic elevada, o financiamento permanece disponível, mas com análise de risco mais rigorosa, o que favorece perfis de menor inadimplência e reorganiza o ritmo das vendas. Esse ambiente torna o mercado mais previsível, ainda que menos expansivo de forma generalizada. Os dados de preços refletem esse cenário. Os veículos 0km registraram leve alta de 0,14% em janeiro, após queda de 0,25% em dezembro. Já os seminovos (até 3 anos) recuaram 0,63%, enquanto os usados mais antigos avançaram 0,44%, indicando migração de parte da demanda para faixas mais acessíveis. “O início de 2026 mostra um mercado mais estruturado e menos especulativo. O crédito segue como motor importante, mas dentro de critérios mais técnicos, o que contribui para maior equilíbrio entre oferta e demanda. Isso reduz volatilidades e fortalece a qualidade da carteira das instituições, criando bases mais sólidas para o restante do ano”, afirma Cintia Falcão, diretora executiva da Acrefi.
CRESCE PROCURA POR VEÍCULOS ELÉTRICOS
Dentro desse contexto de reconfiguração, o segmento de veículos eletrificados se destaca como um dos principais vetores de expansão no início do ano. As vendas cresceram 65% em janeiro na comparação anual, movimento que contrasta com o desempenho mais contido dos modelos a combustão e reforça uma transformação estrutural no setor. A expansão é puxada principalmente por empresas, locadoras e consumidores de maior poder aquisitivo, além do avanço gradual da infraestrutura de recarga e incentivos ao segmento. “O crescimento dos eletrificados não é pontual. Ele sinaliza uma reorganização do mercado, com maior sofisticação da demanda e avanço das compras corporativas, que ajudam a sustentar o segmento mesmo em um ambiente de juros elevados”, acrescenta Cintia.
ALTA NA VENDA DE MOTOS CHEGA A 17%
O segmento de motocicletas começou 2026 em forte aceleração. Segundo o estudo, aproximadamente 178 mil motos foram emplacadas em janeiro, alta de 17,4% na comparação com o mesmo mês de 2025, consolidando a tendência de protagonismo observada ao longo do último ano. O ranking dos modelos mais vendidos mostra forte concentração da Honda, que ocupou quatro das cinco primeiras posições – CG 160 (37.671 unidades), Biz (21.024), Pop 110i ES (18.101) e NXR 160 Bros (15.101). A Yamaha aparece na sequência com a Factor (6.738 unidades). Na variação de preços, as motos 0km registraram leve alta de 0,01% em janeiro, após aumento de 0,63% em dezembro. Os modelos seminovos recuaram 0,05%, enquanto os usados avançaram 0,11%, indicando estabilidade com leve valorização nos modelos mais antigos. Para a Acrefi, o crescimento do segmento está associado a fatores estruturais como juros elevados, busca por alternativas mais econômicas de transporte e expansão de atividades de entrega e serviços urbanos: “As motocicletas deixaram de ser apenas alternativa de baixo custo e passaram a ocupar papel estratégico na mobilidade urbana e na geração de renda. Esse movimento tende a permanecer consistente ao longo de 2026”.
WHATSAPP É FUNDAMENTAL PARA VENDAS EM PEQUENOS NEGÓCIOS
Com presença em mais de 90% dos celulares brasileiros e cerca de 147 milhões de usuários no país, segundo estimativas consolidadas de mercado reunidas por Statista e relatórios setoriais, o WhatsApp se tornou um dos principais pilares da atividade comercial no Brasil. Em pequenos e médios negócios, o aplicativo deixou de ser apenas um canal de conversa para assumir funções centrais da operação, como vendas atendimento ao cliente e pós-venda. Sabrina Nunes, especialista em estratégia digital com foco na estruturação de vendas atendimento e pós-venda via WhatsApp e fundadora da Francisca Jóias, explica que essa centralidade ocorre por que o aplicativo passou a operar como uma engrenagem essencial da economia cotidiana. Levantamentos do Sebrae indicam que mais de 80% dos pequenos negócios de serviços utilizam o WhatsApp como principal meio de comunicação com clientes. “O WhatsApp é o caixa o SAC e o CRM do pequeno negócio tudo ao mesmo tempo”, afirma.
CONSÓRCIO É INSTRUMENTO DE PLANEJAMENTO FINANCEIRO
Em um ambiente de crédito mais caro e maior cautela na tomada de decisões financeiras, o consórcio vem deixando de ser apenas uma alternativa ao financiamento tradicional para se consolidar como instrumento de planejamento patrimonial no Brasil. A modalidade tem atraído consumidores que priorizam previsibilidade orçamentária, disciplina financeira e organização de médio e longo prazo. Esse movimento já aparece nos números do setor. Em 2025, o sistema de consórcios alcançou o maior patamar da história, com mais de 12,7 milhões de participantes ativos, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). No mesmo período, as vendas de cotas superaram 5 milhões, mantendo trajetória de expansão mesmo em um cenário macroeconômico desafiador. O desempenho indica uma mudança mais estrutural no comportamento do consumidor. Em vez de recorrer ao crédito com juros para antecipar a compra de bens, parte dos brasileiros tem optado por modelos de aquisição programada, que permitem organizar o fluxo financeiro sem comprometer excessivamente a renda mensal.
MERCADO DO LEITE NO BRASIL PASSARÁ POR AJUSTE EM 2026
O mercado brasileiro de leite e lácteos inicia 2026 em um cenário de transição, marcado por ajuste ao longo da cadeia produtiva. De acordo com a StoneX, empresa global de serviços financeiros, o forte avanço da captação registrado em 2025, impulsionado por um ciclo favorável ao produtor, com boa rentabilidade e custos relativamente controlados, resultou em um desequilíbrio relevante entre oferta e demanda, pressionando preços e margens ao longo do último ano. Juliana Torres, analista de inteligência de mercado, explica que o excesso de leite disponível no mercado ao longo de 2025 levou a uma queda generalizada dos preços e encerrou o ano com margens significativamente mais apertadas, especialmente no campo. Para 2026, segundo ela, a expectativa é de manutenção dos volumes de captação, mas sem novos avanços expressivos. “A compressão das margens observada no fim do ano passado tende a moderar a produção, sobretudo a partir do segundo trimestre, favorecendo um reequilíbrio gradual entre oferta e demanda”, disse.
VAGAS DE EMPREGO PÓS-CARNAVAL
Após o feriado de Carnaval, o Paraná começa essa quarta-feira (18) com 25.571 vagas de emprego abertas, distribuídas em todas as regiões do Estado por meio da Rede Sine/Agências do Trabalhador. Os números reforçam o aquecimento do mercado de trabalho paranaense e demonstram o impacto positivo das políticas públicas voltadas à geração de emprego, renda e desenvolvimento regional. As oportunidades contemplam diferentes níveis de escolaridade e perfis profissionais, com destaque para funções ligadas à indústria, comércio, serviços e agronegócio. Entre os cargos com maior número de vagas estão alimentador de linha de produção (6.693), abatedor (1.418), operador de caixa (1.049) e magarefe (858). A Regional de Cascavel lidera o ranking, com 6.226 vagas abertas, impulsionada principalmente pelo setor industrial e agroindustrial, com forte demanda por alimentadores de linha de produção e abatedores. Na sequência aparece a Regional de Curitiba, que soma 5.048 oportunidades, refletindo a diversidade econômica da capital e da Região Metropolitana.
 
 
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