
No Paraná, esse custo médio mensal é de R$ 4.300, o segundo maior entre os estados brasileiros, atrás apenas do Distrito Federal
Manter o equilíbrio financeiro tem sido um desafio constante para os brasileiros. De acordo com a pesquisa "Custo de Vida no Brasil" realizada pela Serasa em parceria com o instituto Opinion Box, o custo de vida médio mensal do brasileiro chega a R$3.520, considerando gastos com moradia, contas recorrentes, supermercado, transporte, saúde, educação, lazer, alimentação, compras em geral e serviços e cuidados pessoais. No Paraná, esse custo médio mensal é de R$ 4.300, o segundo maior entre os estados brasileiros, atrás apenas do Distrito Federal com R$4.920. Com cada vez mais despesas fixas, como supermercado, moradia e outros compromissos do dia a dia, o custo de vida segue pressionando o orçamento das famílias e exigindo cada vez mais atenção e planejamento financeiro. Apesar desse cenário, apenas 19% dos entrevistados afirmam considerar fácil gerenciar pagamentos e despesas do dia a dia.
PARANAENSES TÊM O MAIOR GASTO COM MERCADO
Nas compras de supermercado, o Paraná lidera o ranking com o custo de R$1.210 por mês. O gasto médio mensal nacional é de R$930, com maior valor no Sul (R$1.110) e menor no Nordeste (R$780). Já nas contas recorrentes, que incluem despesas como água, luz, internet e streaming, a média mensal brasileira é de R$520, chegando a R$590 no Centro-Oeste e caindo para R$420 no Nordeste. Para os paranaenses, o gasto é de R$570. Gastos com moradia, que incluem aluguel, condomínio ou financiamento, também apresentam forte variação regional. No Paraná, o valor dessas despesas é de R$1.340, sendo o segundo estado mais caro da pesquisa. O custo médio mensal nacional é de R$1.100 por mês, com o maior valor registrado no Sul (R$1.310) e o menor no Nordeste (R$800), reforçando o peso dessa despesa em regiões com imóveis mais valorizados. "As variações regionais mostram que o custo de vida está diretamente ligado ao contexto econômico local. Em regiões onde os preços são mais elevados, as despesas essenciais passam a consumir uma parcela ainda maior da renda disponível", explica Aline.
BRASILEIRO PRIORIZA HIGINE E BEM-ESTAR
Reconhecido mundialmente pela alta frequência de banhos — superior à média global —, o brasileiro sempre manteve uma relação próxima com o cuidado pessoal. No entanto, esse comportamento se intensificou a partir da pandemia da covid-19, quando práticas como a lavagem frequente das mãos e a atenção à limpeza ganharam ainda mais relevância no dia a dia. Esse movimento não se restringiu ao cuidado com o corpo, mas se estendeu também ao ambiente doméstico, reforçando a percepção de que higiene, conforto e bem-estar começam dentro de casa. De acordo com a pesquisa “Hábitos de limpeza do brasileiro: antes e durante a pandemia”, o número de pessoas que se envolvem de alguma forma nas atividades de cuidado com o lar aumentou, saltando de 69% para 74%. Essa mudança de comportamento ajuda a explicar a trajetória de crescimento do mercado brasileiro de higiene, beleza e cuidados pessoais. Segundo levantamento do Imarc Group, o setor foi avaliado em cerca de US$ 29,9 bilhões em 2024 e tem projeção de alcançar US$ 43 bilhões até 2033, impulsionado pela consolidação de hábitos ligados à higiene, ao autocuidado e ao bem-estar no dia a dia das famílias.
INADIMPLÊNCIA AUMENTA NO PR NO INÍCIO DO ANO
A inadimplência das famílias paranaenses aumentou no início de 2026, conforme dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR). No cenário nacional, o movimento foi de alta no endividamento, que atingiu novamente o recorde histórico, alcançando 79,5% das famílias brasileiras em janeiro. Em janeiro, o percentual de consumidores paranaenses com contas em atraso no estado subiu 1,5 ponto percentual, passando de 12,4% em dezembro para 13,9%. O avanço ocorreu mesmo com a estabilidade do índice de endividamento, que permaneceu em 85,1% no período. Na comparação com janeiro de 2025, quando a inadimplência representava 12,3% das famílias, o indicador também se mostra mais elevado, sinalizando maior pressão sobre o orçamento doméstico no início deste ano.
NÃO CONSEGUEM PAGAR AS DÍVIDAS
Também houve aumento, ainda que discreto, da parcela de famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas. O percentual passou de 2,4% em dezembro para 2,7% em janeiro, reforçando o impacto financeiro típico do período pós-festas e férias. Mesmo com o aumento das contas em atraso, o Paraná segue em posição mais favorável no comparativo nacional. O estado ocupa a 11ª colocação no ranking de endividamento, mas aparece como o penúltimo estado quando o critério é inadimplência, com percentual significativamente inferior à média brasileira, que é de 29,3%. Além disso, o índice de endividados no estado é menor do que o registrado em janeiro de 2025, quando 88% das famílias paranaenses possuíam algum tipo de dívida.
PEQUENAS EMPRESAS PODEM FATURAR COM O CARNAVAL
O Carnaval é uma das datas mais aguardadas do primeiro semestre e, para as PMEs do varejo online, representa uma oportunidade de vender mais produtos e serviços. A estimativa para o faturamento do e-commerce em todo o ano de 2026 deve atingir a marca recorde de R$ 258,4 bilhões, valor 10% superior ao registrado no ano anterior, sendo o Carnaval um dos principais períodos de vendas. O uso do retail media é uma das estratégias fundamentais para destacar produtos de conveniência e converter vendas. O Carnaval é uma das datas mais aguardadas do primeiro semestre e representa um momento estratégico para as pequenas e médias empresas (PMEs) que atuam no varejo online. Em 2025, o faturamento desse segmento cresceu 13% nos dias de festividades, em relação ao mesmo período do ano anterior, e somou R$ 36,4 bilhões, de acordo com dados da Nuvemshop. A perspectiva de alta se mantém para este ano, baseada principalmente pelas projeções da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e Comércio Eletrônico (Abiacom), que prevê um recorde de R$ 258,4 bilhões em vendas para o e-commerce até dezembro de 2026, 10% a mais que no ano passado, sendo o Carnaval uma das principais datas de consumo. Além das fantasias, que movimentaram R$ 2,7 milhões para as PMEs do varejo online durante as festividades de 2025, o levantamento da Nuvemshop aponta que as categorias de maior destaque nas vendas foram: Moda (+29%); Saúde e Beleza (+21%) e Acessórios (+19%).
EXPORTAÇÕES AOS EUA CAEM PELO 6º MÊS CONSECUTIVO
O início de 2026 trouxe um cenário mais desafiador para o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos. A nova edição do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborada pela Amcham Brasil, mostra que as exportações brasileiras ao mercado americano atingiram US$ 2,4 bilhões em janeiro, com queda de 25,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, marcando o sexto recuo consecutivo. No mesmo período, as importações brasileiras provenientes dos Estados Unidos também registraram retração, recuando 10,9%. Como a queda nas exportações foi mais intensa, o déficit mensal do Brasil na balança bilateral se aprofundou para cerca de US$ 0,7 bilhão, mais que o triplo do observado em janeiro de 2025. Os dados indicam que a queda nas exportações foi fortemente influenciada pelo desempenho dos óleos brutos de petróleo, que registraram retração de 39,1% na comparação anual. Além disso, produtos sujeitos a tarifas adicionais tiveram queda média de 26,7%, com destaque para bens impactados pela Seção 232, que recuaram 38,3%. Entre os produtos com maior impacto negativo no mês estão os semiacabados de ferro ou aço, sucos, elementos químicos inorgânicos e combustíveis derivados de petróleo.
FALTA DE TRANSPARÊNCIA DOS BANCOS
O avanço do endividamento das famílias brasileiras tem sido acompanhado por um aumento expressivo de conflitos entre consumidores e instituições financeiras, especialmente em torno da falta de clareza na composição das dívidas. Dados do Banco Central mostram que mais de 77% das famílias encerraram 2024 endividadas, enquanto levantamentos da Serasa Experian indicam mais de 72 milhões de inadimplentes em 2025. Nesse contexto, a dificuldade de acesso ao Descritivo de Evolução da Dívida (DED) tem se consolidado como um dos principais entraves à renegociação de contratos bancários. O documento reúne o histórico completo da operação de crédito, detalhando valor principal, juros, multas, encargos, tarifas e pagamentos efetuados desde a contratação. Sem esse material, o consumidor perde a capacidade de avaliar se o saldo cobrado corresponde às condições pactuadas originalmente, o que fragiliza qualquer tentativa de acordo e amplia a assimetria na relação com os bancos. Segundo Marcos Pelozato, advogado e contador especializado em reestruturação financeira, a falta de transparência gera impactos que vão além do conflito individual. “Quando o cliente não consegue compreender a própria dívida, a renegociação se torna inviável. Isso prolonga a inadimplência, aumenta o risco para o sistema financeiro e acaba se refletindo no custo do crédito para toda a sociedade”, afirma.
PARANÁ AUMENTA EXPORTAÇÕES COM UE
Mesmo antes do acordo comercial União Europeia - Mercosul entrar em vigor, as exportações paranaenses para a União Europeia totalizaram US$ 197,9 milhões em janeiro de 2026, o que representou aumento de 12,9% em relação ao mesmo mês de 2025, quando as vendas para o bloco econômico somaram US$ 175,3 milhões. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), organizados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social e divulgados nesta quarta-feira (11). Mercados tradicionais influenciaram de forma relevante o crescimento das exportações estaduais para a União Europeia, com destaque para as vendas destinadas à Alemanha, Holanda e Polônia, que apresentaram incrementos de, respectivamente, 19,5%, 25,7% e 215,2% no primeiro mês deste ano. No caso da Alemanha, houve salto de US$ 36,9 milhões para US$ 44,1 milhões, com o farelo de soja sendo o líder da pauta, enquanto as exportações para a Holanda passaram de US$ 31,6 milhões para US$ 39,7 milhões, puxadas principalmente pelo biodiesel. As vendas para a Polônia avançaram de US$ 5,4 milhões para US$ 17,1 milhões, refletindo também as vendas crescentes de farelo de soja.