
O volume total de dívidas ativas chegou a R$ 518 bilhões, patamar que mantém a inadimplência acima dos níveis observados antes da pandemia
O Brasil terminou 2025 com 81,2 milhões de pessoas inadimplentes, o equivalente a 49,7% da população adulta, segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa. O volume total de dívidas ativas chegou a R$ 518 bilhões, patamar que mantém a inadimplência acima dos níveis observados antes da pandemia e reforça os desafios estruturais do crédito ao consumidor no país. O levantamento mostra que cada inadimplente acumulava, em média, R$ 6.382 em dívidas, distribuídas em quatro compromissos financeiros, com valor médio de R$ 1.593 por dívida. Os números indicam que o problema não está concentrado em atrasos pontuais, mas no acúmulo de parcelamentos ao longo do tempo, muitas vezes com a combinação de diferentes modalidades de crédito. A composição das dívidas ajuda a explicar o cenário. Bancos e cartões de crédito respondem por 26,1% do total, seguidos por contas básicas, como água, luz e gás (22,1%), e por financeiras, que concentram 19,6% das pendências. O dado reforça que o endividamento atinge tanto o consumo quanto as despesas essenciais do orçamento familiar.
CUSTO DA CESTA BÁSICA SUBIU NA MAIORIA DAS CAPITAIS BRASILEIRAS
O valor do conjunto dos alimentos básicos aumentou em 24 capitais brasileiras entre dezembro/2025 e janeiro/2026. É o que aponta a Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos divulgada nesta segunda-feira (09), pela parceria entre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Manaus (AM), Palmas (TO) e Rio de Janeiro (RJ) foram as capitais que apresentaram maiores altas do custo do conjunto de alimentos básicos, com variações positivas de +4,44%, +3,37% e +3,22%, respectivamente. São Luís (MA), Teresina (PI) e Natal (RN) apresentaram um cenário oposto, com pequenas variações negativas no preço, com recuos de -0,57%, -0,51% e -0,22%, respectivamente.
TOMATE E PÃO FRANCÊS, OS QUE MAIS SUBIRAM DE PREÇO
Dentre os alimentos que são os maiores responsáveis por esse cenário, estão o tomate e o pão francês. O fruto, que vinha apresentando quedas sucessivas do preço nos últimos meses, voltou a subir no primeiro mês de 2026 em 26 das 27 capitais, devido à menor oferta de frutos de qualidade. A maior variação positiva foi de +63,54%, observada em Cuiabá (MT). A única capital em que o hortifruti ficou mais barato foi São Luís (MA), com decréscimo de -6,76%. Já o preço do pão francês subiu em 22 capitais, com elevação de maior expressão em Manaus (AM), que foi de +3,06%. O resultado é explicado pelos aumentos de custos da energia elétrica e da principal matéria-prima, farinha de trigo importada. Apesar do aumento do preço da cesta básica de alimentos na maioria dos municípios sede das unidades federativas, alguns alimentos que compõem o conjunto demonstraram queda generalizada no mês passado. É o caso do leite integral que caiu em todas as 27 capitais, com destaque para a oscilação negativa de -8,0% em Campo Grande (MS), diminuição motivada pelos altos estoques dos derivados lácteos.
EXPORTAÇÕES CRESCEM 43% EM JANEIRO
Os dados mais recentes, lançado em janeiro, da balança comercial brasileira mostram um início de ano aquecido para o comércio exterior. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações cresceram 43,8% na média diária até a segunda semana de janeiro de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado do mês, o país registrou exportações de US$ 10 bilhões e importações de US$ 5,9 bilhões, com superávit de US$ 4,1 bilhões. Apenas na segunda semana de janeiro, o saldo positivo foi de US$ 2 bilhões. O avanço expressivo reacende o debate sobre quais empresas conseguem, de fato, transformar momentos favoráveis do comércio internacional em crescimento sustentável. Embora o aumento das exportações seja frequentemente associado a fatores como câmbio, demanda externa e competitividade do produto, especialistas apontam que o desempenho não é distribuído de forma homogênea entre os exportadores. Para Vanessa Fernandes Tobias, advogada especialista em estruturação nacional e internacional de empresas e patrimônios, com escritórios sediados no Brasil e exterior o crescimento das exportações tende a beneficiar mais quem já vinha se preparando estruturalmente para operar fora do Brasil. “Empresas que crescem no comércio internacional quase nunca são surpreendidas pelo próprio crescimento. Quando os números disparam, isso normalmente favorece quem já organizou governança, estrutura societária e controles antes de expandir”, afirma.
BRASILEIRO GANHA MAIS, MAS CONTINUA ENDIVIDADO
Mesmo com a melhora do mercado de trabalho e o avanço da renda real, o Brasil inicia 2026 com um paradoxo financeiro. Dados da PNAD Contínua, do IBGE, indicam crescimento da renda do trabalho, enquanto o Banco Central mostra que o endividamento das famílias segue acima de 48% da renda acumulada em 12 meses. O contraste revela que o aumento do ganho mensal não tem se traduzido, necessariamente, em maior segurança financeira. Ricardo Hiraki, especialista em educação financeira e sócio-fundador da Plano, avalia que o problema central está menos no valor recebido e mais na forma como o dinheiro é administrado. “O problema não é quanto se ganha, mas a falta de clareza sobre como o dinheiro circula ao longo do mês”, afirma. O cenário é reforçado por levantamentos da Confederação Nacional do Comércio (CNC). A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor aponta que cerca de 76% das famílias brasileiras convivem atualmente com algum tipo de dívida, com destaque para o uso recorrente do cartão de crédito. Esse comportamento costuma se intensificar no início do mês, quando parcelas, contas fixas e compromissos assumidos consomem boa parte do salário antes mesmo de qualquer planejamento financeiro.
INADIMPLÊNCIA EM ALUGUÉIS NO PR TEM LEVE QUEDA
A taxa de inadimplência de aluguel no Paraná registrou leve queda em 2025, saindo de 2,95%, em 2024, para 2,89%, com variação de 0,06 ponto percentual. Apesar da diminuição, o índice no estado é o mesmo da região Sul, de 2,89%, mas abaixo da média nacional, que foi de 3,50% em 2025. Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica, principal plataforma de soluções tecnológicas e financeiras para os mercados condominial e imobiliário no país. Segundo Manoel Gonçalves, Diretor de Negócios para Imobiliárias da Superlógica, “a queda da inadimplência no Paraná no último ano não é uma surpresa, visto que o estado se manteve com índices baixos de inadimplência durante todo o 2025 e a região Sul é a que tem a menor taxa dentre todas do Brasil. De qualquer forma, é importante acompanhar de perto as projeções para inflação e juros, já que qualquer alta pode agravar a inadimplência no pagamento do aluguel e intensificar o endividamento das famílias nos próximos meses”.
SAFRA DE SOJA DEVE BATER RECORDE MAIS UMA VEZ
A safra brasileira de soja 2025/26 caminha para um novo recorde de produção, impulsionada por boas condições climáticas em grande parte do ciclo e pelo desempenho acima do esperado em importantes regiões produtoras. De acordo com a consultoria Céleres, a produção nacional está estimada em 181,3 milhões de toneladas, crescimento de cerca de 5% em relação à safra anterior, que havia atingido o recorde de 172,8 milhões de toneladas. O avanço reflete, principalmente, as produtividades observadas no Sul do país. Estados como Rio Grande do Sul e Paraná se destacaram ao longo da safra, beneficiados por um regime climático favorável, o que levou a consultoria a revisar para cima sua projeção inicial, que era de 177,2 milhões de toneladas. “As lavouras apresentaram um desempenho bastante consistente, especialmente no Sul, o que reforça a leitura de uma safra cheia e acima das expectativas iniciais”, afirma Anderson Galvão, consultor da Céleres. A área plantada cresceu de 47,64 para 48,60 milhões de hectares, ou seja, 2,0% a mais, indicando continuidade da expansão, ainda que em ritmo mais moderado. Falando especificamente de produtividade média, esta avança de 3,63 para 3,73 t/ha, ou seja, 2,9% maior.
CONFIANÇA DO CONSUMIDOR BRASILEIRO AUMENTA
A confiança do consumidor brasileiro iniciou 2026 em alta. O Índice de Confiança do Consumidor medido pela Varejo360 alcançou 55,9% em janeiro, o melhor resultado desde abril de 2025 e a terceira elevação consecutiva na série, refletindo uma percepção mais positiva da população sobre emprego, finanças pessoais e ambiente econômico. O levantamento, realizado mensalmente com mais de 2.500 entrevistados em todas as regiões do país, mostra que o avanço foi impulsionado principalmente pela melhora nas finanças domésticas (64,9%) e pelo aumento gradual no conforto para gastos não essenciais (50,6%). Apesar disso, o consumidor segue atento: mais de 50% ainda se dizem desconfortáveis para consumir fora do essencial, reforçando um cenário de retomada moderada. No mercado de trabalho, 45,3% dos entrevistados ainda avaliam como difícil conseguir emprego, mas houve queda em relação ao mês anterior, sinalizando uma tendência de melhora na percepção sobre oportunidades. Já no orçamento familiar, cresce o número de brasileiros que consideram sua situação financeira boa ou muito boa, movimento que deve ganhar força nos próximos meses com a desoneração do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil.
PERSPECTIVA DE CRESCIMENTO DE FATURAMENTO NO CARNAVAL
Após movimentar aproximadamente R$ 712,22 milhões no Paraná durante o Carnaval de 2025, segundo estimativa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR), a expectativa para 2026 é de superação desse resultado. O cenário é sustentado por indicadores antecipados do setor de turismo: de acordo com dados compilados pelo Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação (SEHA), a rede hoteleira do Litoral paranaense já registra cerca de 90% dos leitos reservados para o feriado, enquanto em Curitiba a ocupação projetada chega a 70% — percentuais superiores à média de 60% observada no mesmo período pré-Carnaval de 2025, conforme levantamento divulgado pelo Governo do Estado do Paraná. O avanço nas reservas antecipadas indica um fluxo turístico mais intenso e estadias potencialmente mais longas, com reflexos diretos sobre segmentos como hospedagem, bares e restaurantes, transporte de passageiros, comércio e serviços ligados ao lazer. Na avaliação de entidades do setor, esse movimento reforça a tendência de crescimento da atividade econômica estadual durante o período carnavalesco, mesmo antes da consolidação oficial dos números de 2026.