
Após um período marcado por alta volatilidade e sucessivos choques de oferta, o mercado global do cacau inicia 2026 ainda sob um ambiente de incertezas, embora em uma configuração distinta da observada nos últimos dois anos. A escalada abrupta dos preços no fim de 2025, quando os contratos futuros chegaram próximo de US$ 12,5 mil por tonelada em Nova Iorque, deu lugar a um movimento consistente de correção, levando as cotações à casa dos US$ 5 mil por tonelada. Mesmo assim, os preços permanecem historicamente elevados, sustentados por estoques globais ainda muito baixos e pela memória recente de duas safras frustradas no Oeste Africano.
MUDANÇAS NA DEMANDA
Do lado da demanda, o setor vive uma fase de ajuste estrutural. Após enfrentar custos extremos por dois anos, a indústria de chocolates e confeitaria reduziu tamanhos de produtos, reformulou receitas e testou substitutos parciais para a manteiga de cacau, cuja cotação nos Estados Unidos atingiu picos próximos de US$ 40 mil por tonelada. Essas estratégias, de acordo com o analista, resultaram em queda significativa no consumo de subprodutos e, consequentemente, na demanda por amêndoas, contribuindo para o recuo recente das cotações internacionais.
As divulgações trimestrais de moagem continuam sendo o termômetro mais observado pelos agentes do setor, embora a leitura dos dados exige prudência. A retração observada na Europa e Ásia, e de forma mais moderada na América do Norte, reflete tanto compressão de margens quanto limitações na oferta de amêndoas de qualidade, um cenário que ainda dificulta separar efeitos cíclicos de mudanças estruturais de consumo. Fonte: Consultor de Inteligência de Mercado Lucca Bezzon - Via assessoria.
MAÇÃS: SAFRA 2026
A Rasip Agro, unidade da RAR Agro & Indústria, projeta colher aproximadamente 55 mil toneladas de maçãs na safra de 2026, um crescimento de aproximadamente 30% em relação a 2025, quando a produção somou 42 mil toneladas em função dos desafios climáticos enfrentados no ano. Do total previsto, entre 15% e 20% deverá ser destinado ao mercado externo, reforçando a presença da empresa no comércio internacional da fruta. A produção da safra será composta por 75% de maçãs do grupo Gala, o que inclui o clone Belgala, e 25% do grupo Fuji.
CRESCIMENTO
Para o presidente executivo da RAR Agro & Indústria, Sergio Martins Barbosa, o avanço da produção reflete a consolidação da operação ao longo dos últimos anos. “A projeção de colher cerca de 55 mil toneladas de maçãs na safra de 2026 confirma a evolução consistente da nossa operação, resultado de investimentos em tecnologia, manejo e genética. O crescimento em relação ao ano anterior e a destinação de até 20% da produção para a exportação reforçam a qualidade da maçã produzida em Vacaria e a competitividade da Rasip Agro no mercado internacional”, destaca. Via assessoria.
FERTILIZANTES EM ALTA NOS PORTOS BRASILEIROS
Os compradores de fertilizantes enfrentam um cenário de preços elevados nas primeiras semanas de 2026. De acordo com o relatório semanal da StoneX, empresa global de serviços financeiros, na última semana de janeiro as cotações da ureia nos portos brasileiros estavam cerca de 10% acima do nível observado no mesmo período de 2025. Já os preços do SSP e do cloreto de potássio (KCl) registraram altas próximas de 20% na mesma comparação anual.
ALTA GLOBAL
Esse movimento de valorização não se restringe ao Brasil. A alta dos fertilizantes em relação ao início de 2025 também é observada, em maior ou menor grau, em outros mercados, o que indica um fenômeno de caráter global.
FATORES SAZONAIS
Entre os fatores que sustentam esse patamar mais elevado de preços estão elementos sazonais, como a preparação para as aplicações agrícolas em diversos países, e fatores geopolíticos difíceis de antecipar, como a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Neste contexto, o Oriente Médio é uma região estratégica para os nitrogenados, e qualquer instabilidade tende a gerar volatilidade e reforçar um viés altista nas cotações.
ESTADOS UNIDOS
Nos Estados Unidos, o início do ano marca a retomada das compras para a temporada de primavera, com aumento das importações entre fevereiro e abril, período tradicionalmente mais aquecido. Esse fortalecimento da demanda norte-americana costuma pressionar os preços tanto no mercado doméstico quanto nos países fornecedores.
CHINA
A China também atravessa um período sensível no primeiro semestre. Apesar de ser grande produtora, o impacto sazonal sobre as importações é mais limitado, com exceção do KCl, cujas compras tendem a crescer nos primeiros meses do ano. O principal efeito chinês ocorre pelo lado das exportações.
ESTRATÉGIA
Em momentos estratégicos, as autoridades costumam restringir as vendas externas para priorizar o abastecimento interno, o que reduz a oferta global e intensifica a disputa por cargas. Para alguns fertilizantes, a expectativa é de que essas restrições se estendam ao menos até meados do segundo semestre de 2026.
DEMANDA INDIANA
Outro fator relevante é a demanda indiana, diante da expectativa de um novo certame de compras. Caso a Índia anuncie uma nova rodada nas próximas semanas, essa demanda poderá coincidir com um período-chave para mercados como Estados Unidos, Canadá, China e Europa, reforçando o sentimento altista.
POSTURA CAUTELOSA
Nesse contexto de preços firmes, os compradores brasileiros tendem a adotar uma postura mais cautelosa. Os preços elevados, somados a relações de troca pouco atrativas, em alguns casos entre as piores dos últimos anos, reduzem o estímulo para a antecipação das compras da próxima temporada. Fonte: Consultor de Inteligência de Mercado: Tomás Pernías - Via assessoria.
O MERCADO DO BOI
Em janeiro, os valores médios do boi gordo registraram apenas pequenas oscilações frente aos de dezembro/25, apontam pesquisas do Cepea. No entanto, agora em fevereiro, as médias parciais já estão acima das do mês anterior. De acordo com pesquisadores do Cepea, ao longo de janeiro, os valores do boi gordo foram sustentados pelo bom desempenho das vendas internas e pelo expressivo avanço das externas. Ressalta-se que dados parciais da Secex apontam que as exportações brasileiras de carne in natura já superam as de janeiro do ano passado, quando os embarques haviam sido recordes para o mês.
PASTAGEM
Do lado da oferta, pesquisadores do Cepea indicam que chuvas favoreceram a recuperação de boa parte das pastagens, permitindo aos pecuaristas segurarem os animais no pasto por mais tempo. Dessa forma, a oferta de animais permaneceu reduzida em janeiro, assim como as escalas de abate, que variaram entre 3 e 10 dias. Agora em fevereiro, compradores precisam ceder e ofertar preços mais elevados para conseguirem completar as escalas.