IA em 2026: Brasil avança em finanças, regulação e produtividade assistida
Multimodalidade, agentes autônomos, Open Finance e novo marco regulatório colocam o país em rota de integração da IA
07/01/2026 às 14:46
Um dos assuntos mais comentados no ano passado também promete dominar 2026. O uso da inteligência artificial vem aumentando significativamente e essa tendência deve seguir pelos próximos anos. Em 2026, a inteligência artificial no Brasil tende a sair da fase de demonstrações pontuais para se tornar parte estruturante de processos de negócio. A avaliação é de Danilo G. Moreira, CGO e cofundador da StaryaAI, com base em marcos regulatórios recentes e em dados de investimentos em setores-chave da economia. 

Segundo Danilo, a principal mudança até 2026 será menos foco em “provas de conceito isoladas” e mais em IA embutida em fluxos críticos, como atendimento, vendas, finanças e operações. Modelos multimodais, que combinam texto, imagem, áudio e vídeo, já disponíveis nas grandes nuvens, passam a atuar diretamente em canais de contato com o cliente, análise de documentos, suporte a compliance e sistemas corporativos como CRM, ERP e ITSM. Em paralelo, a chamada Agentic AI — agentes que tomam decisões, acionam ferramentas e colaboram entre si — deixa o status de buzzword e entra em roadmaps de produto e operações, exigindo governança, trilhas de auditoria e humano no loop em decisões sensíveis. 

No campo da produtividade, copilotos horizontais (e-mail, ofimática, CRM) e verticais (saúde, jurídico, finanças, manufatura) começam a mostrar ganhos mensuráveis em tarefas de conhecimento, embora de forma desigual entre setores e empresas. Em vez de promessas padronizadas de “10% a 30% de ganho para todos”, estudos internacionais indicam que o impacto varia por tarefa, nível de preparo organizacional e investimentos em qualificação e reorganização de processos. Em paralelo, cresce a chamada “IA regulatória”, com ferramentas para avaliação de risco, gestão de modelos, geração de relatórios de impacto e evidence logging, impulsionadas por marcos como o NIST AI RMF, a norma ISO/IEC 42001 e o EU AI Act.

Os dados mais recentes do setor, indicam que o sistema financeiro brasileiro está entre os mais avançados do mundo em uso de IA. A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025 projeta que o orçamento em IA, analytics e big data dos bancos no país deve crescer de R$ 1,12 bilhão em 2024 para R$ 1,8 bilhão em 2025, enquanto o orçamento em Open Finance sobe cerca de 65% no mesmo período. Com mais de 100 milhões de consentimentos ativos e dezenas de milhões de contas conectadas, o Open Finance cria uma infraestrutura de dados transacionais que favorece crédito mais granular, detecção de fraude e recomendações financeiras personalizadas, combinando dados abertos, modelos de IA e experiências centradas no cliente.
 
Paranaenses podem fazer cursos gratuitos de IA



O Santander, em parceria com a Google, lança dois novos programas gratuitos que exploram o uso prático da Inteligência Artificial por meio da tecnologia Gemini. As trilhas “IA Prática para Marketing” e “Domine IA com Gemini” foram desenvolvidas para capacitar estudantes e profissionais a compreender e aplicar a IA em diferentes contextos, desde a criação de campanhas e análise de dados no marketing digital até a automação de tarefas e aumento da produtividade no dia a dia.

“Os cursos ensinam, na prática, como usar a inteligência artificial para criar, aprender e trabalhar de novas maneiras. Com a Google, o Santander amplia o acesso a ferramentas que impulsionam o desenvolvimento profissional para o mercado de trabalho” afirma Carolina Learth, head de Plataformas Globais do Santander.

Google: IA prática para Marketing: apresenta as ferramentas automatizadas para que os participantes aprendem a dominar recursos como NotebookLM, Gemini e Google Analytics 4 (GA4) para aplicar o conhecimento em estratégias de campanha de marketing, identificação de público-alvo e geração de conteúdo relevante. Durante a formação, os alunos irão criar comandos eficazes com a ferramenta Performance Max, que complementa as campanhas de pesquisa com base em palavras-chave.

Google: Domine IA com Gemini: A trilha propõe uma imersão prática no universo da Inteligência Artificial, mostrando como a tecnologia está presente no cotidiano e no ambiente profissional. O participante aprenderá sobre o assistente de IA Gemini e suas funcionalidades multimodais (texto, imagem, áudio e código) e como utilizá-lo para criar conteúdo, automatizar tarefas e desenvolver projetos criativos. O curso passa por temas como o uso responsável e ético da IA e ensina como integrar os aplicativos do Google Workspace e o funcionamento das versões avançadas do Gemini Deep Research e o Gen AI Studio.

A iniciativa é 100% online, gratuita e oferece certificado de conclusão, sendo aberta ao público a partir de 16 anos. Para participar, basta realizar o cadastro na plataforma Santander Open Academy e acessar o link clicando AQUI. Não é necessário ser correntista do banco nem ter conhecimento prévio, apenas vontade de aprender e se desenvolver profissionalmente.
 
Transformação Digital acelera fusões e aquisições de provedores de cloud

A rápida digitalização no ambiente corporativo e o aumento da demanda por capacidade computacional e armazenamento de dados estão impulsionando o mercado brasileiro de computação em nuvem, que registrou um faturamento de R$ 2,1 bilhões no ano passado, segundo dados da AbraCloud. Para 2025, a expectativa é de um crescimento de 39%, o que também reflete nas atividades de fusões e aquisições (M&A) no segmento.

De acordo com um levantamento da Redirection International, especializada em assessoria de M&A, nos últimos anos pelo menos sete transações de fusões e aquisições envolvendo provedores de cloud brasileiros foram anunciadas ao mercado. Uma das mais recentes foi a aquisição de 60% da Escala 24x7 – principal parceira da AWS na América Latina - pela Stefanini, anunciada em abril de 2025.

O levantamento aponta que embora o mercado brasileiro de computação em nuvem ainda seja amplamente dominado por players globais, que concentram a maior parte da capacidade de IaaS e PaaS, os provedores nacionais estão conquistando mercado de forma consistente, principalmente devido aos crescentes investimentos em Data Centers e projetos de Inteligência Artificial (IA) e Analytics.

“O mercado brasileiro de infraestrutura de cloud atravessa uma fase de amadurecimento acelerado, principalmente nos últimos dois anos. Apesar de os hyperscalers internacionais – como AWS, Microsfot Azure e Google Cloud – ainda concentrarem um grande volume de dados processados no país, observamos um avanço constante dos provedores nacionais, especialmente em ofertas de nuvem híbrida, serviços gerenciados e processamento distribuído”, explica João Victor Pereira, analista da Redirection International.

Dentre os fatores que aceleram os gastos com cloud e Data Centers no Brasil está a adoção da IA e de ferramentas de Machine Learning, que aumentam a demanda por instâncias de alta performance, GPUs e armazenamento rápido. Setores regulados como bancos, fintechs, varejo e saúde são os mais ativos nas aplicações e pipeline de dados para nuvem ou para sistemas híbridos, que combinam nuvens públicas internacionais com provedores nacionais. Outro fator que impulsiona o segmento no país é o arcabouço legislativo de segurança da informação, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e iniciativas do governo digital que orientam investimentos em cloud com requisitos locais de dados.
 
Positivo Tecnologia e Intel apresentam nova era de AI PCs

A Positivo Tecnologia, em colaboração estratégica com a Intel, acaba de revelar uma nova geração de AI PCs equipada com os avançados processadores Intel Core Ultra - Série 3. Durante a CES 2026, maior evento de tecnologia do mundo e que acontece de hoje (6) a 9 de janeiro, em Las Vegas (EUA), as empresas anunciaram que notebooks da Positivo protagonizam a chegada no Brasil de inédita tecnologia da Intel de processamento de dados. É uma inovação capaz de empoderar e acelerar aplicações de inteligência artificial nos dispositivos de forma que possam oferecer desempenho ainda mais alto em processamento local e em ganho de eficiência energética, justamente, configurações e requisitos definidos pela Microsoft para a categoria Copilot+ PC. 

A nova plataforma Intel Core Ultra - Série 3 combina a arquitetura híbrida com CPU, GPU e NPU em um único sistema. Isso permite executar agentes de IA localmente e oferecer maior eficiência energética com autonomia de bateria ampliada. O resultado é a inauguração de uma categoria de notebooks preparada para produtividade com IA, segurança dos dados e aplicações de edge computing. Além disso, o processador proporciona muito mais velocidade, eficiência e inteligência para as tarefas do dia a dia por possuir a tecnologia Intel 18A, processo de fabricação mais avançado da Intel disponível para o mercado de PCs e que garante excelente eficiência energética. Na prática, isso significa desempenho superior em aplicações de IA, maior autonomia de bateria e uma experiência mais fluída.

“Esse lançamento é um marco histórico na parceria com a Intel e reforça o posicionamento da nossa Companhia como fornecedor brasileiro de infraestrutura de TI, que vai de PCs a servidores com tecnologia de ponta. Com essa união de forças, seremos a primeira empresa nacional a lançar no mercado local um PC com Inteligência Artificial (IA) embarcada de última geração, em um movimento sincronizado com o lançamento global da tecnologia. Isso demonstra nossa evolução em desenvolvimento de produtos aplicada às tecnologias mais avançadas do mercado", destaca Daniela Colin, diretora de Procurement e Desenvolvimento de Produtos da Positivo Tecnologia.

Os novos modelos aceleram operações de IA diretamente no dispositivo, o que reduz a dependência da nuvem. A NPU dedicada com 50 TOPs (trilhões de operações por segundo) indica a capacidade do notebook de executar, em larga escala e de forma contínua, tarefas de inteligência artificial, como análise de imagens, reconhecimento de padrões e automações.
 
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