
Na lista da festa do Oscar, que acontecerá em março, um dos convidados deve ser Foi Apenas Um Acidente, filme franco-iraniano que está nos cinemas, como o Cine Passeio em Curitiba, desde hoje. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, do diretor Iraniano Jafar Panahi, o roteiro, também dele, é um bem-humorado libelo contra um sistema de governo autoritário a partir do desejo de vingança das vítimas.
Jafar Panahi poderia ser vingativo, afinal já passou pela prisão iraniana, está proibido de trabalhar como cineasta e acaba de ser mais uma vez condenado. Ao lado das sentenças, coleciona prêmios desde O Balão Branco, de 1995. No lugar do ódio, destila ironia e alimenta esperança.
O título Foi Apenas Um Acidente remete ao início do filme: um cachorro é atropelado e uma avaria leva o carro à oficina. E ali trabalha um mecânico que, ao ouvir o arrastar da perna mecânica do dono do automóvel, descobre estar diante de seu torturador.
Em clima de certo suspense, meio shakespeariano, entre humor e drama, o espectador, acompanha o mecânico em sua busca de confirmar se sua presa (sim, ele captura o sujeito) é mesmo o torturador e enfim cumprir sua vingança. Que aventura!
Cada amigo do mecânico, procurado como testemunha, tem sua história, sentimentos diferentes, uns querem se vingar matando o suspeito. E onde vai parar tudo isso? A plateia torce pela bondade, pelo perdão, pela humanidade do grupo de vingadores, enquanto sorri quando a mulher do suspeito vai ter um filho.
Vou gritar um pedido de desculpas ao leitor por nada mais dizer para não tirar a graça da surpresa. Exceto elogiar o elenco e torcer para que o filme não destrone O Agente Secreto na festa do Oscar.
Direção, roteiro e produção: Jafar Panahi
Elenco: Vahid Mobasseri , Mariam Afshari , Ebrahim Azizi , Hadis Pakbaten , Majid Panahi , Mohamad Ali Elyasmehr
Fotografia: Amin Jafari
Montagem: Amir Etminan
Figurino e direção de arte: Leila Naghdipari