Avanços na cirurgia robótica elevam taxas de cura do câncer de próstata
Procedimento minimamente invasivo pode alcançar até 98% de cura em casos diagnosticados precocemente
20/11/2025 às 10:57
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A estimativa mais recente do Instituto Nacional do Câncer (INCA), referente ao triênio 2023–2025, aponta o surgimento de 71.730 novos casos anuais de câncer de próstata no Brasil. A doença tem tratamento e pode apresentar altos índices de cura quando identificada precocemente, mensagem reforçada pelo Novembro Azul, campanha que incentiva os homens a cuidarem da saúde e realizarem exames preventivos. Nesse contexto, a cirurgia robótica surge como uma importante aliada, capaz de elevar as taxas de cura em até 98%.

Ari Adamy Júnior, urologista e coordenador Médico do Programa de Cirurgia Robótica do Pilar Hospital, em Curitiba, lembra que a cirurgia é uma opção válida para a cura quando a doença ainda não se espalhou para outras partes do organismo – a chamada metástase. “O câncer de próstata é uma doença que normalmente não dá sintomas numa fase inicial. Por isso, a importância de manter em dia os exames de rotina, justamente para tentar diagnosticar um câncer de próstata antes que ele se dissemine”, alerta.

O principal mecanismo para essa detecção, conta o especialista, é a dosagem do PSA (Antígeno Prostático Específico), um exame de sangue para avaliar a saúde da próstata, que deve ser solicitado e analisado por um médico. Os valores considerados normais geralmente variam com a idade. É o profissional de saúde que vai determinar a necessidade de investigação adicional, como uma biópsia. 

Tratamentos e opções cirúrgicas
Adamy reforça que assim que confirmada a doença, é discutido com o paciente o protocolo de tratamento, o que vai variar com o estadiamento da condição – se a fase é inicial ou avançada, basicamente. “Podemos, simplesmente, apenas acompanhar esse tumor, fazer radioterapia, algum tipo de medicação ou indicar a cirurgia como tratamento”, esclarece. 

A opção pela cirurgia pede novas decisões da equipe médica: essa cirurgia pode ser feita por corte, por laparoscopia ou por via robótica, que seria laparoscópica assistida por robô. “A cirurgia robótica permite curar mais pacientes com menor impacto do ponto de vista de sequelas”, explica. “Ela garante uma recuperação mais rápida da continência urinária e da função sexual, o que devolve qualidade de vida aos homens após o tratamento”, completa.

Por isso, hoje em dia, nos principais centros do mundo, a cirurgia robótica é a principal forma de realização das cirurgias de prostatectomia radical, acrescenta o médico do Pilar. “Ela é considerada um grande avanço nos tratamentos, ao lado de novos medicamentos desenvolvidos para doenças mais avançadas e terapias focais de radioterapia”, avalia.

Aliada da prevenção
O médico vê a disseminação de informações sobre a cirurgia robótica para o câncer de próstata como grande aliada na sensibilização da população masculina para a busca pelo diagnóstico precoce. “Muitos homens ainda têm receio de procurar ajuda, em função da preocupação com eventuais riscos e sequelas do tratamento. Queremos mostrar que vale a pena se cuidar, fazer os exames de rotina, porque hoje, cada vez mais, conseguimos entregar tratamentos melhores e com menos sequelas”, finaliza.
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