Após o vendaval, contratos e seguros viram dúvida: o que fazer agora?
18/11/2025 às 18:18
O Paraná vive dias de reconstrução. As imagens de telhados retorcidos, lavouras destruídas e empresas paralisadas se somam à incerteza jurídica que surge após a passagem dos ventos que ultrapassaram 250 km/h em cidades como Rio Bonito do Iguaçu, Quedas do Iguaçu, Laranjeiras do Sul, Candói e Guarapuava. Além das perdas materiais, muitos paranaenses agora enfrentam outra tempestade: a dos contratos, seguros e obrigações que permanecem em vigor mesmo diante do caos.

Situações extremas como essa exigem não apenas solidariedade, mas também consciência jurídica. Contratos de locação, prestação de serviços, financiamentos e compromissos empresariais continuam válidos, mas a lei permite que sejam revistos ou temporariamente suspensos quando há caso fortuito ou força maior. Em termos práticos, isso significa que o locatário pode negociar a redução temporária do aluguel ou o diferimento de parcelas, desde que demonstre os danos e mantenha a boa-fé.

No campo dos seguros, é fundamental agir rápido. A comunicação imediata à seguradora e a documentação detalhada dos prejuízos — com fotos, vídeos e orçamentos — são condições essenciais para garantir o acionamento da apólice e evitar negativa de cobertura. Muitos contratos preveem prazos curtos para aviso de sinistro, e o descuido com esse detalhe pode gerar nova perda, desta vez burocrática.

Empresas e produtores rurais, por sua vez, precisam mapear suas perdas e formalizar notificações a clientes e fornecedores. Essa simples providência demonstra diligência e ajuda a afastar eventuais penalidades por descumprimento contratual. Em momentos de crise, o diálogo jurídico bem orientado é o caminho mais seguro para preservar relações comerciais e evitar a judicialização desnecessária.

A reconstrução do Paraná passa, também, por uma reconstrução de responsabilidades. Saber o que foi atingido, agir com rapidez e negociar com equilíbrio são atitudes que fazem diferença entre o colapso e o recomeço. Foi com essa visão que nasceu o Método MAN – MAPEAR, AGIR e NEGOCIAR, uma filosofia que une estratégia, empatia e resultado humano para lidar com os desafios do Direito em tempos de vulnerabilidade.

Por Moisés Teixeira – Advogado (OAB/PR 40.116), especialista em Direito Imobiliário – PUC/PR. Membro da Comissão de Direito Imobiliário da OAB/PR e criador do Método MAN – MAPEAR, AGIR e NEGOCIAR.
Dedica-se à análise crítica de temas que impactam o cotidiano das relações jurídicas e patrimoniais.
Instagram: @moisesteixeira.adv
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