A Queda do Céu na Cop30 e nos cinemas
15/11/2025 às 11:58
Com estreia nas salas de cinema no dia 20 de novembro, A Queda do Céu, filme com Davi Kopenawa, teve sessão especial na programação da COP30 em Belém, nesta semana, numa iniciativa da 10ª Mostra de Cinema da Amazônia em parceria com o Observatório do Clima e Instituto Ciência de Arte. O premiado documentário tem direção Eryk Rocha, que também esteve na sessão para debate com o público, ao lado do líder yanomami.
A pré-estreia na COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) tem sentido urgente e explicável: o encontro reúne quase 200 países, até 21 de novembro, em debate sobre metas de redução de emissões, transição energética, preservação de florestas, financiamento climático e mecanismos para adaptação a eventos extremos.
Baseado no livro homônimo escrito pelo xamã e pelo antropólogo francês Bruce Albert e vencedor de 25 prêmios nacionais e internacionais, A Queda do Céu teve a sua première mundial no Festival de Cannes, na Quinzena dos Realizadores. Davi Kopenawa é personagem central do documentário, sendo acompanhado juntamente com a comunidade de Watorikɨ ao longo do importante ritual Reahu.
O filme chega aos cinemas brasileiros justamente no mês em que pela primeira vez o Brasil recebe a Conferência das Partes. É uma coprodução Brasil-Itália da Aruac Filmes, Hutukara Associação Yanomami e Stemal Entertainment com Rai Cinema, e produção associada francesa de Les Films d'ici. Na Itália, o seu lançamento comercial é programado também para este mês de novembro.
  “A imagem da Queda do Céu trazida pelos Yanomami e por Davi Kopenawa é uma síntese precisa das questões mais urgentes do nosso tempo e do nosso país. O Brasil não se sustenta sem a escuta profunda dos povos indígenas, e o filme é um convite para essa escuta”, diz Eryk Rocha. E Gabriela Carneiro da Cunha completa: “Muitos aqui ainda não conhecem a força do pensamento de Davi Kopenawa. O filme é um convite para ver, ouvir e sonhar com os Yanomami um outro projeto de Brasil”.
A jornalista Devika Girish escreveu no The New York Times que “há mais de um século, os Yanomami vêm sendo assolados por invasores: primeiro missionários, depois madeireiros e agora garimpeiros, que destroem seu habitat e trazem doenças e destruição ao povo. Os cineastas não estão isentos dessa história. Em um momento marcante do filme, um ancião olha para a câmera e reconhece que permite ser filmado pelos diretores, apesar do sofrimento causado por ‘homens brancos’ como eles. ‘Parem de nos incomodar! Espero que contem isso aos brancos’, ele diz. Seu apelo não é apenas pela sobrevivência da aldeia, mas de todo o planeta”.
Premiações
Documentário brasileiro mais premiado do último ano, “A Queda do Céu” participou de 80 festivais no Brasil e no mundo e, entre os prêmios recebidos, venceu o Grande Prêmio do Júri da Competição Kaleidoscope do festival DOC NYC, o maior festival de documentários dos Estados Unidos da América; o Prêmio Especial do Júri da Competição Internacional no DMZ Docs 2024 (Coreia do Sul), o maior da Ásia; Prêmio de Melhor Som e Melhor Direção de Documentário no Festival do Rio (Brasil); os Prêmio ABC 2025 (Brasil) nas categorias Melhor Direção de Fotografia, Melhor Montagem e Melhor Som; Melhor Longa Metragem Documentário Internacional no 27º Festival Internacional de Cinema de Guanajuato GIFF 2024  (México); Prêmio Fundação INATEL no Festival DocLisboa 2024 (Portugal); e o Prêmio Principal Fethi Kayaalp no Festival Internacional de Documentários Ecológicos de Bozcaada 2025 (Turquia).
    
SINOPSE  
A partir do poderoso testemunho do xamã e líder Yanomami Davi Kopenawa, o filme acompanha o importante ritual, Reahu, que mobiliza a comunidade de Watorikɨ num esforço coletivo para segurar o céu. O filme faz uma contundente crítica xamânica sobre aqueles chamados por Davi de povo da mercadoria, assim como sobre o garimpo ilegal e a mistura mortal de epidemias trazidas por forasteiros que os Yanomami chamam de epidemias “xawara”, e traz em primeiro plano a beleza da cosmologia Yanomami, dos espíritos xapiri e sua força geopolítica que nos convida a sonhar longe.  
  
FICHA TÉCNICA  
Direção e Roteiro: Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha  
Com  Davi Kopenawa, Justino Yanomami, Givaldo Yanomami, Raimundo Yanomami, Dinarte Yanomami, Guiomar Kopenawa, Roseane Yariana e comunidade de Watorikɨ 
Produtores: Eryk Rocha, Gabriela Carneiro da Cunha e Donatella Palermo 
Produtor Associado: Richard Copans 
Direção de Fotografia e Câmera: Eryk Rocha e Bernard Machado 
Câmera Adicional: Morzaniel Ɨramari e Roseane Yariana 
Montagem: Renato Vallone 
Som Direto: Marcos Lopes 
Desenho de Som: Guile Martins 
Mixagem de Som: Toco Cerqueira 
Color Grading: Brunno Schiavon, Giovanni Bivi 
Consultoria: Bruce Albert, Ana Maria Machado, Dário Vitório Kopenawa, Morzaniel Ɨramari e Marília Senlle 
Assistente de Direção: Mariana de Melo 
Produção Executiva: Heloisa Jinzenji e Tárik Puggina 
Direção de Produção: Margarida Serrano 
Tradução Yanomami: Ana Maria Machado, Richard Duque, Corrado Dalmonego, Marcelo Moura e Morzaniel Ɨramari 
Produção Local: Lidia Montanha Castro e Naira Souza Mello 
Gerente de Projeto: Lisa Gunn 
Designer: Sofia Tomic, Camilla Baratucci 
Produção: Aruac Filmes 
Co-produção: Hutukara Associação Yanomami, Stemal Entertainment com Rai Cinema 
Produção Associada: Les Films d'Ici  
Distribuição Brasil: Gullane+ 
Distribuição França: La 25ème Heure 
Distribuição nos EUA: KimStim Films 
Apoio: Fondation Cartier pour l’art contemporain, ISA - Instituto Socioambiental, Nia Tero, Ford Foundation, Porticus, CLUA - Climate and Land Use Alliance, Instituto humanize, Instituto Arapyaú, RFN - Rainforest Foundation Norway, NICFI - Norway's International Climate and Forest Initiative, RCA - Rede de Cooperação Amazônica, Instituto Iepé, Instituto Meraki, IRIS - International Resource for Impact and Storytelling, Projeto Paradiso, Amazon Watch e Fondation AlterCiné  
 
Comentários    Quero comentar
* Os comentários não refletem a opinião do Diário Indústria & Comércio