Museu do Amanhã esquenta COP 30
06/10/2025 às 16:29
Foto da suiça Claudia Andujar: lar Yanomami
Belo exemplar carioca que em dezembro comemora dez anos, o Museu do Amanhã apresenta a Ocupação Esquenta COP, com três exposições: Claudia Andujar e seu Universo: Ciência, Sustentabilidade e Espiritualidade, com a obra da fotógrafa suíça radicada em São Paulo; Água Pantanal Fogo, com fotos de Lalo de Almeida e Luciano Candisani sobre beleza e destruição, e Tromba D’água, que reúne pinturas e instalações de artistas latinas.
 A iniciativa, iniciada em julho, antecipa os debates da COP 30 e preenche o museu com debates públicos, rodas de conversa, oficinas e shows, além das exposições, até novembro. Com ela, serão inaugurados 1200m² de área expositiva, a ser deixada como legado para mostras temporárias futuras.
Claudia Andujar e seu Universo: Ciência, Sustentabilidade e Espiritualidade: uma expansão do olhar poético da artista de 94 anos para natureza, além de um reconhecimento em vida de sua importância singular para os povos Yanomami. Com curadoria de Paulo Herkenhoff, a mostra apresenta vídeos, desenhos e instalações que revelam múltiplas perspectivas sobre memória, cultura e os desafios enfrentados por comunidades indígenas e tradicionais. As 130 fotografias de Andujar irão dialogar com trabalhos de outros grandes artistas de várias gerações, em destaque: Cildo Meireles, Denilson Baniwa, Walter Firmo, Sebastião Salgado, Maureen Bisilliat e, entre os mais jovens, Xadalu e Seba Calfuqueo.
 Claudia Andujar transformou sua arte em um ato de resistência e cuidado. Sua obra não apenas documenta, mas atua como uma espécie de linha que costura o natural, o científico e o sagrado. A exposição cria pontes também entre seu trabalho e o de outros grandes artistas que estão apontando para lugares semelhantes. “Sua trajetória também aponta para outra dimensão da sustentabilidade: a de uma arte que se refaz, se ressignifica e permanece em trânsito. Sua fotografia nunca se fecha como documento fixo; é reaberta ao presente como linguagem viva”, afirma Herkenhoff.
Água Pantanal Fogo: fruto da recente parceria entre o Museu do Amanhã e o Instituto Tomie Ohtake, traz uma reflexão sobre esse bioma tão único e tão brasileiro que vem sofrendo as trágicas consequências da intervenção humana. Sob a curadoria de Eder Chiodetto, os fotógrafos Lalo de Almeida - vencedor do World Press Photo – e Luciano Candisani trabalham como “cronistas visuais” entre o esplendor da vida natural em simbiose com a água e a devastação do fogo.
 Tromba D’Água: com entrada gratuita na Galeria Leste, reúne 27 trabalhos de 14 artistas mulheres latino-americanas: Alice Yura, Azizi Cypriano, Guilhermina Augusti, Jeane Terra, Luna Bastos, Marcela Cantuária, Mariana Rocha, Rafaela Kennedy, Roberta Holiday, Rosana Paulino, Suzana Queiroga e Thais Iroko, Marilyn Boror Bor (Guatemala) e Natália Forcada (Argentina).
 A partir de pinturas, esculturas, fotografias e videoarte, a mostra das curadoras Ana Carla Soler, Carolina Rodrigues e Francela Carrer reflete sobre histórias e saberes transmitidos por mulheres que enfrentam e rompem barreiras, inspirando-se no fenômeno natural da tromba d’água como metáfora de transformação coletiva.
 " Com a Ocupação Esquenta COP, queremos afirmar a arte como um verdadeiro manifesto pelo futuro: uma forma de engajar, sensibilizar e inspirar ações concretas diante das urgências do nosso tempo", diz Fabio Scarano, curador do Museu do Amanhã.
Primeira década
Em dezembro de 2025, o Museu do Amanhã festeja dez anos.  O projeto arquitetônico de Santiago Calatrava é um sucesso entre quem passa pela Praça Mauá. Mesmo com pandemia e emergência climática, o museu, consolidado como um dos mais visitados do Brasil, celebra que mais de 40% de seu público não é frequentador de museus, e 22% visita um museu pela primeira vez.
 “Somos porta de entrada para o rico universo dos museus, que até hoje pode ser elitista e excludente, mas não deveria”, orgulha-se Cristiano Vasconcelos, diretor da instituição. Ainda segundo ele, o segredo desse sucesso vem do trabalho realizado pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão na administração da casa, regido pelas diretrizes e regramento da prefeitura do Rio de Janeiro.
 “Temos um modelo de gestão sustentável e inovador, cujas receitas vêm de múltiplas fontes. A principal delas é a captação feita via Lei Rouanet, mas também dependemos de bilheteria, locação de nossos espaços para eventos, patrocínios, além da concessão de espaços como o restaurante e a loja de souvenirs. Assim, conseguimos nossa total autonomia financeira”, explica.
Fechando um balanço de cerca de 55 exposições temporárias e 17 virtuais, mais de mil atividades — entre palestras, workshops, oficinas e debates — que receberam mais de 113 mil participantes, além de 290.000 pessoas alcançadas pelos seus programas educativos, o Museu do Amanhã entra em um momento de renovação, sem abrir mão de seus pilares: o conhecimento científico, a sustentabilidade e a diversidade.(Foto Agência Brasil)
 
Anote:
Museu do Amanhã –(Praça Mauá, 1, Centro, Rio de Janeiro), visitação até 4 de novembro de 2025
Horário: De quinta a terça-feira, das 10 às 18h
Informações: www.museudoamanha.org.br
 
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