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No dia 28 de abril, os habitantes de Portugal e Espanha foram surpreendidos com um apagão que durou cerca de dez horas. A pane mais longa na história dos dois países paralisou transportes urbanos e aéreos, derrubou sinais de celulares e afetou os sistemas de saúde, a indústria e o comércio, trazendo transtorno para milhares de pessoas.
O ex-ministro de Infraestrutura e ex-secretário de Estado da Energia de Portugal, João Saldanha de Azevedo Galamba, estará em Curitiba, em setembro, e abordará o tema. Ele é um dos palestrantes da Smart Energy 2025 – Conferência Internacional de Energias Inteligentes, que ocorre entre os dias 10 e 11 de setembro, no Campus da Indústria.
Promovido pela Fiep e pelo Tecpar, o encontro é realizado pela Rede Paraná Tecnologia e Metrologia e reúne especialistas da academia, do setor privado e do governo para debater os caminhos do setor energético no estado, no Brasil e no mundo.
Para Galamba, que é economista e consultor de projetos e políticas no setor energético, o risco de apagões só poderá ser reduzido com investimentos robustos em redes elétricas. “As soluções para os sistemas elétricos não estão seguramente na adoção de tecnologias caras, pouco flexíveis e poluentes do passado, desenquadradas das necessidades do presente e do futuro. Estão no pleno reconhecimento de que um sistema elétrico precisa investir mais em redes elétricas e, sobretudo, apostar fortemente em soluções digitais e no potencial da inteligência artificial (IA) para garantir a gestão otimizada de um sistema cada vez mais complexo e descarbonizado, dominado por renováveis variáveis”, afirma.
Outro desafio que deve pressionar as infraestruturas energéticas é a IA generativa – um ramo da inteligência artificial que depende de gigantescos data centers para armazenar e processar informações. Segundo o pesquisador brasileiro, Dr. Claudio Lima, radicado nos Estados Unidos, até 2030, os data centers para inteligência artificial devem ultrapassar 1.000 TWh (terawatt-hora) de consumo anual de energia, impulsionados principalmente pelo treinamento e pela implantação dos chamados Large Language Models (LLM), ou modelos de linguagem de grande porte da IA generativa. “Com os workloads de IA [carga de trabalho] crescendo entre 30% e 50% ao ano, a demanda por energia está aumentando mais rápido do que a capacidade da infraestrutura de transmissão consegue acompanhar. Esse crescimento acelerado está revelando vulnerabilidades profundas na infraestrutura energética, resultando em atrasos de vários anos na expansão das redes, gargalos locais na transmissão e uma dependência insustentável de modelos de planejamento energético ultrapassados”, diz.
Lima será palestrante no painel “Infraestrutura Energética para Data Centers”, com “A Nova Arquitetura Energética da IA”. Estarão com ele no painel, o coordenador de Inovação e Infraestrutura da Superintendência-Geral de Gestão Energética do Paraná (Supen), Zeno Nadal, e o diretor de Operações da Thymos Energia, Luiz Vianna.
Outros temas em debate
O uso do hidrogênio renovável, a mobilidade elétrica e a transição energética também estão entre os temas da Smart Energy 2025, que contará ainda com o Fórum Eficiência Energética, realizado paralelamente à conferência. Durante os dois dias, os participantes terão acesso a painéis, palestras e oportunidades de networking com os principais atores do mercado. As inscrições estão abertas e, até o dia 31 de agosto, o custo é de R$ 360,00. Mais informações pelo
smartenergy.org.br.
A Smart Energy 2025 – Conferência Internacional de Energias Inteligentes é promovida pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), pelo Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná), com organização e realização da Rede Paraná Tecnologia e Metrologia. O evento conta com o patrocínio de BRDE, BREE, Eletron Energia, IMS Power Quality, Novo Serviços de Engenharia, Potencializee (Programa, Investimentos, Transformadores de Eficiência Energética na Indústria), Sanepar e Zagonel Tecnologia Eficiente.