Varejo brasileiro cresce 6% em maio
09/07/2025 às 05:00

O varejo brasileiro segue mostrando resiliência e força em 2025. Segundo o Índice de Performance do Varejo (IPV), elaborado pela HiPartners, o mês de maio, tradicionalmente impulsionado pelo Dia das Mães, registrou expansão tanto no fluxo de consumidores quanto no faturamento das lojas físicas. O desempenho foi consistente em diferentes formatos de operação. As lojas de shopping centers registraram crescimento de 6% no fluxo de visitação e 6% no faturamento, enquanto as lojas de rua também mostraram avanço, com aumento de 4% no fluxo e 5% nas vendas em relação a maio de 2024. O crescimento foi consistente em nível nacional: o faturamento do varejo físico brasileiro avançou 5%, com destaque para o Nordeste e o Centro-Oeste, que registraram altas de 9% e 7%, respectivamente. As demais regiões também seguiram em terreno positivo, com 5% no Sudeste, 4% no Sul e uma leve alta de 0,1% no Norte. Mesmo nas regiões onde o fluxo de consumidores apresentou retração, como Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o faturamento seguiu sólido, impulsionado pelo aumento do ticket médio e por operações mais eficientes. O resultado reforça a capacidade de reação do consumo, mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador.
CONSUMIDOR QUER CONVERSAR COM A EMPRESA
O marketing sempre foi uma via de mão única: marcas falavam, consumidores ouviam. Mas isso mudou. Hoje, o consumidor quer conversar — e não ser interrompido. Essa mudança de comportamento exige que empresas repensem sua forma de se comunicar. É nesse contexto que surge o marketing conversacional: uma abordagem centrada em diálogos em tempo real, personalizados e escaláveis, que conecta marcas e pessoas com mais relevância. O impacto desse modelo é evidente nos números. De acordo com um estudo da Juniper Research divulgado em julho de 2022, os gastos globais com comércio conversacional (c-commerce) estão previstos para crescer quase sete vezes, alcançando aproximadamente US$ 290 bilhões em 2025. De acordo com o relatório "Next in Personalization 2021" da McKinsey & Company, 71% dos consumidores esperam interações personalizadas, e 76% se sentem frustrados quando isso não ocorre. Além disso, o mesmo relatório indica que empresas que adotam estratégias de personalização podem alcançar um aumento de até 40% na receita. A personalização, aliás, é um dos grandes diferenciais dessa abordagem. Com o uso de dados e inteligência artificial, as empresas podem adaptar suas mensagens e ofertas às preferências individuais dos clientes, criando uma comunicação mais relevante e eficiente.
EMPREENDENDO NO AGRONEGÓCIO
Entre abril de 2024 e abril de 2025, o País registrou a abertura de quase 32 mil novas empresas do setor de agribusiness, representando atualmente 868.870 unidades ativas. É o que aponta a Pesquisa IPC Maps, especializada em potencial de consumo dos brasileiros há mais de 30 anos, com base em dados oficiais. Segundo Marcos Pazzini, responsável pelo IPC Maps, apesar da escalada agro ser liderada com folga pela região Sudeste, que concentra sozinha 749.109 companhias, o destaque deste ano é do Centro-Oeste e seus 40.545 estabelecimentos, ultrapassando o Sul, com 39.124 unidades, e assumindo o segundo lugar desse ranking. Já nas últimas posições, estão Nordeste, responsável por 27.704, e Norte, com 12.388 empresas. Confirmando os números acima, os maiores mercados agro são, em ordem decrescente, os estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Goiás e Rio Grande do Sul. O levantamento aponta, ainda, a natureza jurídica dos negócios. Cerca de 77 mil unidades no setor são Microempreendedores Individuais (MEIs), enquanto as demais, que tendem a gerar mais empregos somam, juntas, 791.911 CNPJs.
MERCADO LIVRE DE ENERGIA PODE CHEGAR A TODOS OS CONSUMIDORES
O mercado livre de energia elétrica, que comemora 30 anos da promulgação da Lei 9.074/1995, vivencia uma fase de crescimento inédita, liderada por consumidores de menor porte que foram autorizados em 2022 a escolher o fornecedor de energia a partir de janeiro de 2024. A boa notícia é que o futuro pode ser ainda mais promissor, já que a Medida Provisória 1.300, enviada ao Congresso Nacional em maio, prevê universalizar esse direito a todos as mais de 93 milhões de unidades consumidoras de energia - a partir de agosto de 2026 às industriais e comerciais e a partir de dezembro de 2027 às demais, incluindo residências.
RECORDE DE MIGRAÇÃO
Em junho de 2025, números da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) mostram que o mercado livre de energia soma mais de 77 mil unidades consumidoras, um recorde na linha do tempo de migração para esse mercado, cuja liberalização foi duramente conseguida e marcada por avanços feitos a conta gotas. Essa marca de junho de 2025 (77.156) é 57,7% maior que a de 12 meses atrás (48.923 em junho de 2024) e 123,8% maior que há 24 meses (34.471 em junho de 2023), momento que o mercado livre de energia começou a atrair novos consumidores em ritmo mais veloz, sobretudo aqueles com demanda inferior a 500 kW.
REDUÇÃO DO PREÇO DA GASOLINA CHEGOU COM POUCO IMPACTO AO CONSUMIDOR
Após a Petrobras anunciar queda de R$ 0,17 no valor da gasolina no último dia 3 de junho, o preço médio do combustível diminuiu discretamente em boa parte do país em junho, segundo levantamento feito pela ValeCard, empresa especializada em meios de pagamento, soluções de mobilidade e benefícios corporativos. A análise foi baseada em transações realizadas entre os dias 1º e 26 de junho em mais de 25 mil postos de combustíveis em todo o país. Ao longo do mês, a gasolina registrou um valor médio de R$ 6,411, uma queda de R$ 0,048 (-0,74%) em relação ao mesmo período do mês anterior (R$ 6,459). Já o litro do etanol diminuiu R$ 0,057 (-1,27%), chegando a R$ 4,445, enquanto o diesel registrou uma redução de R$ 0,096 (-1,50%) frente ao mês anterior, atingindo o valor de R$ 6,284.
ATUAL PREÇO DO PETRÓLEO PODE REDUZIR PREÇO DA GASOLINA
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que "há uma real possibilidade" de queda no preço da gasolina e do diesel nas próximas semanas, caso o valor do petróleo no mercado internacional se mantenha. "Nós estávamos muito apreensivos, naturalmente, com essa guerra entre Israel e Irã. A tensão diminuiu. Esperamos que termine", disse o ministro, em entrevista. Afirmou, ainda, que o governo tem se mobilizado para evitar cobranças abusivas nos preços dos combustíveis. "O presidente Lula vem cobrando isso de forma reiterada para que, na bomba de combustível, cheguem as reduções feitas pela Petrobras. E nós estamos trabalhando de forma fiscalizatória. Esse é o papel do governo para que a gente tenha realmente o resultado desse esforço que é feito nas políticas públicas para poder construir justiça tarifária no país", acrescentou.
PRODUÇÃO DE VEÍCULOS CRESCEU 7,8% NO 1º SEMESTRE
A produção de veículos registrou alta de 7,8% no primeiro semestre de 2025, na comparação com o mesmo período do ano passado e alcançou 1,226 milhões de unidades. A informação foi divulgada pela Associação nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). De acordo com a associação, visto isoladamente o percentual é uma boa notícia, mas o contexto do mercado indica que o segundo semestre será bastante desafiador para o setor. Segundos os dados divulgados, as vendas totalizaram 1,199 milhão de unidades nos primeiros seis meses de 2025, elevação de 4,8% em relação ao mesmo período do ao passado. O balanço mostrou ainda que as exportações aumentaram 59,8% (264,1 mil unidades) no primeiro semestre do ano, parte atribuídas à recuperação do mercado argentino.
ARGENTINA É O DESTINO DAS EXPORTAÇÕES DE VEÍCULOS
O resultado coloca o Brasil em uma situação de maior dependência do país vizinho para manter os bons níveis de exportação, já que não houve altas relevantes no envio de veículos para outros países. No semestre, 60% dos embarques foram para a Argentina. De acordo com a Anfavea, as importações acumuladas do primeiro semestre cresceram 15,6% e chegaram a 228,5 mil unidades. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, ressaltou que esse volume é equivalente ao que se produz anualmente em uma fábrica nacional de grande porte, com mais de seis mil funcionários diretos, sem levar em conta as vagas geradas na cadeia de fornecimento.
QUEDA DE PRODUÇÃO EM JUNHO
Em junho, a produção chegou a 200,8 mil unidades, o que representa queda de 6,5 % na comparação com maio (214,7 mil). Na comparação com junho de 2024 também houve queda, de 4,9%. No mês passado, as vendas totalizaram 212,9 mil – 5,7% a menos do que em maio e 0,6% a menos do que em junho do ano passado. Já as exportações chegaram a 50,7 mil no sexto mês do ano, 1,7% a menos do que o comercializado no mercado externo em maio, porém 75 % a mais do que os números de junho de 2024. “Os números de junho nos preocupam um bocado. O dia útil a menos em relação a maio não justifica as quedas que tivemos no mês, de 6,5% na produção, 5,7% nos emplacamentos e 2,7% nas exportações, além de uma alarmante redução de mais de 600 empregos diretos nos últimos meses”, afirmou Calvet.
REGULARIZAÇÃO DE IMÓVEIS FORA DA JUSTIÇA
A moradia, que deveria representar segurança e estabilidade, tem se tornado um drama jurídico para milhares de brasileiros. Com a lentidão do Judiciário e o aumento dos litígios envolvendo imóveis, cresce no país a adoção de soluções extrajudiciais, realizadas diretamente em cartório, como alternativa eficiente para regularizar a propriedade de bens e resolver disputas com construtoras. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Justiça brasileira acumulava em 2023 mais de 1 milhão de ações relacionadas ao setor imobiliário. "Boa parte desses casos poderia ser resolvida sem judicialização, por meio de ferramentas como a usucapião extrajudicial e o distrato formalizado em cartório", afirma a advogada Siglia Azevedo, especialista em direito imobiliário há 15 anos e em gestão jurídica. O avanço dessa modalidade está ancorado na Lei nº 13.105/2015, que incluiu no Código de Processo Civil mecanismos para desjudicializar etapas do direito imobiliário, e na Lei nº 13.465/2017, que ampliou a atuação dos cartórios de notas e de registro de imóveis. “Hoje, o cartório não é apenas uma instância burocrática. É uma instituição de solução de conflitos que atua com agilidade, baixo custo e segurança jurídica”, destaca Siglia.
 
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