Dalton Trevisan, ainda e sempre por aqui
25/03/2025 às 19:00
O contista fabuloso Dalton Trevisan guardou seus escritos e imagens desde 14 anos de idade, revelando-se, após sua recente morte, aos 99 anos, ter sido um bom memorialista de si mesmo. Esses guardados, agora que se comemora seu centenário, vão virar livros, exposição na USP e de momento se tem a peça Daqui Ninguém Sai, com estreia nacional nesta terça 25, pelo 33º Festival de Curitiba.
Com elenco formado por seleção e direção de Nena Inoue, Dalton Trevisan (1925-2024) chega ao palco pelo Teatro de Comédia do Paraná. Foi na montagem do texto com dramaturgia de Henrique Fontes, que os guardados do escritor curitibano vieram à tona, com auxílio de  Fabiana Faversani, curadora da reedição da obra do escritor. Ela reafirma que “o título da peça foi dado pelo próprio Dalton, que tinha muito carinho pela Nena, e estava acompanhando todo o processo da dramaturgia até vir a falecer (em dezembro último)”.
A peça passou por 27 versões, lembraram Nena e Fontes na entrevista desta manhã, no QG do festival. Pode ser     que ganhe mais ajustes até junho quando deve entrar em temporada normal. A prova de fogo, ou seja, a apreciação do público será no festival. E a opção da versão final é uma obra em ensaio.  “O processo nos levou a inserir a própria construção teatral na encenação”, dez Nena, confessadamente exausta.
Amorosa com o elenco, debitando também aos atores a façanha de dar carne à palavra do autor, a diretora conta com atores selecionados por edital do Teatro Guaíra: Carol Mascarenhas, Fábyo Rolywer, Laís Cristina, Madu Forti, Paula Roque, Paulo Chierentini, Sidy Correa, Simone Spoladore, Trava da Fronteira, Val Salles, Wenry Bueno e Zeca Sales.
Daqui Ninguém Sai reúne trechos de treze de 60 cartas do missivista Dalton, para Millôr, Pedro Nava, Drumond, Adhemar Guerra (diretor que levou ao palco O Vampiro e a Polaquinha), entre outros. De seus livros foram pinçados cerca de 40 textos, que se entrelaçam com os personagens João, Maria e Nelsinho, além dos anônimos. Nena diz:“Não tem um conto principal ou menos principal. Todos eles constroem a dramaturgia, assim como as cartas inéditas do autor”.
Henrique Fontes detalha ter mergulhado na obra do maior contista do Paraná nos últimos seis meses, verificando: “Nem todo conto de Dalton pode ir para o teatro”, mas o respeito é fundamental: “Nossa premissa não era adaptar, não mudar o texto, nem cortar”.
A peça, que também comemora a volta do  TCP, nascido em 1963 , conta com iluminação de Beto Bruel, figurinos de Verônica Julian, cenografia de Carila Matzenbacher e trilha original de Grace Torres e Lilian Nakahodo. Babaya atuou na preparação musical de alguns textos de Dalton.

Mais créditos 

Composição “Maria Bueno”: Grace Torres, Lilian Nakahodo e colaboração do elenco
Composição “Balada das mocinhas do Passeio”: Paulo Chierentini
Composição “Perdido”: Madu Forti e Zeca Sales
Cenografia: Carila Matzenbacher
Integração Somática/Hatha Yoga: Carlos Cavalcante
Preparação Coreográfica: Rapha Fernandes
Projeção Mapeada: Ivan Soares
Intérpretes de Libras: Beatriz Reni, Elisa Maganhoto, Jamille de Jesus, Kelly Caobianco, Lais Guebur, Letícia Guebur, Nathan Sales, Ravena Abreu e Talita Grunhagen
Tradutores em Cena: Talita Grünhagen e Jessica Nascimento
Assistente de Figurino: Cristina Rosa
Assistente de Iluminação: Anry Aider
Costureira: Doralice Peron
Cenotécnico: Fabiano Hoffmann
Produção Geral: Diego Bertazzo
Assistente de Produção: Guilherme Jaccon e Daniel Militão
Ilustrações: Poty Lazzarotto
Identidade Visual: Marcos Minini
Fotos: Kraw Penas
Agradecimentos: Angela Moraes, Caetano Galindo, Carlos Careqa, Catharine Moreira, Eduardo Engelhardt e equipe da Padaria América, Estevan Silveira, Gabriel Machado, Gabriela Grigolom, Guilherme Rodrigues, Instituto Moreira Salles, Marcio Marcelli, Pedro Inoue e Rose Matias.
E agradecemos a participação de atrizes e atores da voz off: Cassia Damaceno, João Luiz Fiani, Kauê Persona, Leonarda Glück, Marino Jr, Marisia Bruning, Nena Inoue, Pedro Inoue, Regina Bastos, Rodrigo Ferrarini e Silvia Monteiro

Confira
Guairinha nos dias 25 e 26 de março, às 20h30. Ingressos gratuitos. Parte deles será distribuída para convidados do CCTG e do Festival de Curitiba e outra será distribuída ao público em geral, por ordem de chegada, uma hora antes de cada espetáculo na bilheteria do teatro.
Classificação indicativa: 16 anos
 
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