Um homem de 92 anos que sobreviveu ao bombardeio atômico de 1945 em Hiroshima, no oeste do Japão, começou a compartilhar suas experiências com jovens.
Quando a bomba foi lançada, Saiki Mikio tinha 13 anos e estava em casa a 2,2 quilômetros do marco zero.
Ele disse ter falado pouco sobre o bombardeio já que se sentia culpado por ter sobrevivido enquanto tantos outros estudantes morreram.
Contudo, Saiki explica que a invasão da Ucrânia pela Rússia, entre outros incidentes, o levou a mudar de ideia. Neste mês, aos 92 anos, ele foi nomeado pela cidade de Hiroshima como testemunha do bombardeio.
Na quarta-feira, Saiki deu sua primeira palestra como testemunha certificada no Museu Memorial da Paz de Hiroshima para 43 estudantes do ensino fundamental da província de Tottori.
Ele disse que, imediatamente após o bombardeio, viu várias pessoas que não conseguiam abrir os olhos e tinham a pele pendurada nos braços, e que essas pessoas caminhavam em busca de água.
Ele observou que, após o fim da guerra, muitas pessoas perderam o cabelo de repente, ou morreram devido à leucemia ou outras doenças.
Ele disse: “Há muitas pessoas no mundo que ainda não sabem o verdadeiro horror das armas nucleares. Acredito que devemos compreender o horror com seriedade.”
Depois da palestra, uma aluna disse que o relato dele foi mais horrível do que tinha imaginado. Ela também disse esperar que os habitantes de outros países aprendam mais sobre as bombas atômicas e que todos pensem em maneiras de alcançar a paz.
Saiki disse acreditar que, considerando sua idade, pode dar palestras por quatro ou cinco anos, e que vai dar prioridade a esta tarefa.
com ag internacionais