Custo da logística no e-commerce é um desafio a ser superado
15/02/2024 às 17:41
*Luciano Furtado C. Francisco 

O e-commerce é um setor em constante crescimento no Brasil e no mundo. No ano passado, o faturamento do e-commerce brasileiro foi de R$ 185,7 bilhões, 10% a mais em relação ao ano anterior, de acordo com a Abcomm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico). Esse crescimento foi impulsionado por diversos fatores, como a popularização do acesso à internet, a maior confiança dos consumidores nas compras online e a pandemia da Covid-19, que levou muitas pessoas a comprarem mais pela web. 

Tal crescimento implica em desafios. Um deles é a gestão dos custos da logística. Pesquisa da consultoria McKinsey mostrou que o custo do frete no e-commerce brasileiro é, em média, 20% do valor do pedido, um percentual maior do que o praticado em outros países. Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos esse índice é de 12%, na China corresponde a 7%, e a média mundial é de 10%. 

Os principais fatores que contribuem para o maior custo da logística no e-commerce brasileiro são as distâncias entre as localidades, às vezes necessitando de multimodalidade ou transporte aéreo, a infraestrutura nacional, dependente do modal rodoviário, e as regulações e leis, que acabam impactando o custo do frete. 

São fatores que tornam a logística um desafio para os varejistas online brasileiros. Para se manterem competitivos, precisam encontrar maneiras de reduzir os custos logísticos, sem prejudicar a experiência do cliente. 

Mas como isso poderia ser feito? Claro que não há uma resposta única, mas algumas ações podem ser adotadas pelos lojistas virtuais para minimizar os custos logísticos. Otimizar rotas de entrega é uma delas, ampliando a eficiência e reduzindo tempo. Usar centros de distribuição regionais e estabelecer parcerias e terceirizações pode ser uma solução criativa e de baixo custo. E, por fim, a logística colaborativa, com os empresários do e-commerce se unindo a outras empresas para compartilhar recursos logísticos, como veículos, transportes e armazéns. 

Além dessas estratégias, outras medidas podem ser adotadas como o uso de embalagens mais leves, redução dos itens devolvidos e negociação com os transportadores, melhorando preços e condições. É importante avaliar cada caso individualmente para encontrar a solução mais adequada. 

Além disso, o uso de ferramentas tecnológicas como a inteligência artificial (IA), a robótica e a automação têm o potencial de tornar a logística mais barata. Nesse campo, o empresário tem de estar sintonizado e acompanhando as tendências de mercado. 

A racionalização de custos no e-commerce não é tarefa de apenas um dos envolvidos, mas de um esforço conjunto. A discussão desse tema é prioridade para que e-commerce brasileiro ganhe mais competitividade e cresça mais que o esperado. 

*Luciano Furtado C. Francisco é analista de sistemas, administrador e especialista em plataformas de e-commerce. É professor do Centro Universitário Internacional – Uninter, onde é tutor no curso de Gestão do E-Commerce e Sistemas Logísticos e no curso de Logística.
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