A má fase do Congresso Nacional, fruto de indigna postura de alguns de seus integrantes, está reforçando o time dos deputados federais dispostos a disputar Prefeituras em 2008.

Ayrton Baptista 

CURITIBA – A má fase do Congresso Nacional, fruto de indigna postura de alguns de seus integrantes, está reforçando o time dos deputados federais dispostos a disputar Prefeituras em 2008. Normalmente isto já acontece. Agora agrava-se Um parlamentar apenas entre mais de 500 deputados se sente ofuscado e não vê condições de corresponder à expectativa dos seus eleitores. Daí os parlamentares pensando num retorno estratégico às bases. Na Prefeitura, o deputado passa ou volta a ter caneta cheia. Pode realizar obras, influir na região e na governança do Estado. E replantar a semente de muitos votos nas urnas na eleição seguinte, para ele mesmo ou em apoio a um correligionário. Correligionário – antigamente se dizia de quem participava do mesmo partido, das mesmas opiniões, ideologicamente próximo. Hoje, nem tanto. Quem é correligionário de quem? Até quando? A mudança de partido é uma constante. O correligionário de ontem é o adversário de hoje.

Por sinal, o adversário até que pode muitas vezes estar ao lado, pois disputa a mesma vaga. É mais fácil ligar-se a outros candidatos, outras legendas, pois os diferentes candidatos em diversos partidos não disputam a mesma vaga. O regime eleitoral brasileiro acabou fazendo do correligionário o maior adversário do colega de partido. Mudanças de regras, entretanto, são postergadas. Afinal, o mesmo colégio, a Câmara dos Deputados, por exemplo, nunca irá proceder a mudanças que venham a prejudicar um de seus integrantes. Querer o contrário é chover no molhado. Ou jogar para a platéia.

Então, assim, entre uma decepção e outra, entre a necessidade de ter o nome em voga novamente, é natural que os deputados federais pensem em disputar as prefeituras de origem. Em Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, dentre outros municípios, diversos parlamentares (além dos estaduais) já se preparam para as disputas. E é de justiça ressaltar-se que nem todos figuram na situação acima descrita. Alguns são parlamentares atuantes, mas que dão preferência ao Executivo.

Na capital, deve aventurar-se o deputado Ratinho Júnior, ele que já traçou sua ambição política: quer ser governador. Então, baterá o ponto em tantos pleitos quantos lhe sejam possíveis . Em Londrina, o ex-prefeito de Cambé, cidade vizinha, o deputado Luis Carlos Hauly, que já ocupou a pasta da Fazenda no Governo Álvaro Dias, figura de destaque no parlamento brasileiro, pensa em concorrer outra vez. Com ele ou contra ele, seguramente mais dois deputados federais com base na Capital do Norte – Barbosa Neto, do PDT, e André Vargas, do PT. E por aí a fora. A realização de pleitos a cada dois anos, permite esta dança, ora para o legislativo, ora o Executivo.

Assinale-se que, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral, os políticos só têm mais um mês para filiarem-se ao partido pelo qual estão dispostos a concorrer em 2008, ou mudarem-se de mala e cuia para outro. E para variar, creditar-se, mesmo perdendo, a um outro pleito logo mais. Se houver reclamações de que são sempre os mesmos, surge a resposta já preparada: está-se prestigiando a democracia brasileira.   Ayrton Baptista, jornalista.