Vacinas do calendário básico destinadas a crianças estão com a cobertura bastante defasada – Foto: Marcelo Camargo | Agência Brasil

A cobertura vacinal em criança no Brasil, que já foi exemplo para mundo, vem caindo vertiginosamente desde 2018. Os últimos três anos registram a queda na aplicação de imunizantes do calendário básico em crianças, que colocam o país muito abaixo da média mundial e trazem de volta o risco de disseminação de  doenças há muito já controladas ou erradicadas, como é o caso da poliomielite.

Os dados são do novo relatório global da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), divulgados na última semana. As entidades levaram em conta informações de 177 países, incluindo o Brasil, e concluíram que o retrocesso é global mas, no Brasil, a situação é especialmente preocupante.

Analisando caso a caso, percebe-se que a média de cobertura oscila pouco entre uma vacina e outra, o que demonstra um quadro geral de relaxamento por parte dos pais. Os números de 2021 revelam que a vacina BCG, uma das primeiras que a criança recebe para proteger contra formas graves da tuberculose, tem cobertura no Brasil de 63%, enquanto, no mundo, o índice é de 84%/.

Situação semelhante à da imunização contra a hepatite B, que a exemplo da BCG também deve ser aplicada nas primeiras horas de vida de um recém-nascido, para prevenir a forma grave da hepatite. No Brasil 68% das crianças estão protegidas, no mundo, 80%

A poliomielite é um caso à parte. As campanhas nacionais, que tinham o ‘Zé Gotinha’ como garoto-propaganda, levaram o Brasil a declarar a erradicação da doença. O último caso no país foi detectado em 1989. Nos últimos anos, a cobertura deste imunizante caiu a 68% no Brasil, contra 82% no mundo.

A tríplice bacteriana, que previne a difteria, tétano e coqueluche segue na mesma proporção. No mundo 81% de crianças imunizadas, no Brasil, 68%. Mesma proporção verificada na tríplice viral, que oferece proteção contra o sarampo, a rubéola e a caxumba, doenças virais infectocontagiosas. Com Ag Brasil