Cerca de cinco mil pesquisadores brasileiros e estrangeiros debatem, de hoje (21) até sábado (25), no Rio, problemas e soluções para doenças ligadas ao sistema de defesa do organismo humano.

Eles participam do 13º Congresso Internacional de Imunologia, maior encontro mundial da área, realizado pela primeira vez na América Latina.

Para o presidente do congresso e membro da Sociedade Brasileira de Imunologia, o imunologista Jorge Kalil, a realização do encontro no Brasil é uma oportunidade para que pesquisadores e alunos latino-americanos possam se comunicar com cientistas de renome mundial. Ao todo são 400 conferencistas convidados, 60% deles da Europa e Estados Unidos.

“A imunologia é uma das ciências mais importantes da área médica pois muitas doenças decorrem de processos imunológicos que causam inflamação, seja pela defesa contra infecção por vírus, bactérias ou parasitas, seja todas as outras doenças como câncer, seja todas as doenças auto-imunes, como o diabetes do tipo 1. São várias doenças, e a base disso é imunológica".

Entre as principais preocupações dos pesquisadores, inclusive no Brasil, Kalil destacou o esforço para combater o vírus HIV, causador da aids.

"Gostaríamos de evoluir o nosso conhecimento para que pudéssemos combater a aids com uma vacina preventiva ou terapêutica para a doença”.

Pesquisas de vacinas contra a aids – que já causou mais de 20 milhões de mortes e hoje afeta cerca de 40 milhões de pessoas em todo o mundo – serão um dos focos de discussão. Até agora, em torno de 200 vacinas foram desenvolvidas no mundo, mas nenhuma delas foi capaz de garantir proteção contra o HIV.

 

Vinte e cinco dos mais renomados cientistas que trabalham com o tema vão apresentar resultados de seus estudos, dentre eles, a primeira vacina contra o HIV-1 integralmente elaborada e testada no Brasil. A vacina obteve resultados positivos em experimentos com camundongos.

De acordo com Kalil, também estarão em debate a busca de métodos mais eficientes de proteção para tuberculose e malária , além de pesquisas envolvendo lupus, diabetes e esclerose múltipla.

Entre os pontos de interesse da comunidade científica, ele apontou os esforços para aprimorar métodos de tolerância a transplantes. Hoje, para evitar a rejeição aos novos órgãos, reduz-se a imunidade geral dos pacientes, deixando-os vulneráveis a infecções.

“Temos esperança de trabalhar com métodos de tolerância específica para que o indivíduo fique tolerante somente àquele órgão que foi transplantado”.

Participam do encontro o australiano Peter Doherty e suíço Rolf Zinkernagel, ganhadores do Prêmio Nobel de 1996 por trabalhos sobre o sistema imunológico.

O 13º Congresso Internacional de Imunologia ocorre no Riocentro, com várias atividades paralelas em outros pontos da capital fluminense.