Um ousado projeto da startup Lablaco pretende criar um novo ecossistema para uma moda circular, transparente e sustentável.

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 Foto: Julien Boudet para Forbes

Um das palavras do momento no mundo tech que vêm se tornando cada vez mais presentes no dia-a-dia, mas ainda é um mistério para uma boa parcela da população é o blockchain.

Amplamente conhecida pelo nicho de investidores em bitcoin, pois é o ambiente onde as operações com a moeda virtual acontecem, o blockchain consistiria em “(…) um livro-razão digital distribuído que registra transações – na verdade, uma maneira de registrar essas transações de forma mais segura e incontestável. Ao invés de partes diferentes em um contrato manterem seus próprios registros dessa transação – que poderiam ser diferentes e causar confusão – o blockchain cria um registro “mestre” e compartilha entre todos os usuários. Isso não pode ser alterado depois que a transação foi gravada, tornando-o uma forma segura de autenticação.  (https://medium.com/ktech-bytes/explaining-tech-to-your-grandma-10-technology-terms-defined-simply-d4295b9b3ec3).

Em princípio, a tecnologia desse “livro-razão digital” pode servir a um ilimitado número de operações, eventos e negócios nas mais diversas áreas. Desde registros de obras de arte, contratos jurídicos, informações sobre procedência de produtos agrícolas e industriais, auxiliando na criação de cadeias de produção mais transparentes e certificações mais confiáveis.

Pois bem. O blockchain poderá ser um grande aliado da moda circular e sustentável.

Nos dias 03 e 04 de outubro de 2020 participei de um Seminário Internacional de Moda Circular (www.circularfashionsummit.com) que foi o primeiro no mundo a ser realizado inteiramente em ambiente de realidade virtual, onde os inscritos somente acessavam o evento com o uso de óculos interativos, e pela plataforma social Alt Space.

Este evento estava planejado para ocorrer presencialmente, e seria realizado em Paris, no Grand Palais, a “casa” da cobiçada marca francesa de luxo Chanel.

Com a pandemia do coronavírus alterando radicalmente os planos, a Lablaco (www.lablaco.com), startup idealizadora do evento, criou uma reprodução em 3D do Grand Palais, um histórico salão de exposições parisiense frequentemente usado pela Chanel para seus desfiles de moda. Por meio de avatares, os participantes podiam “passear” pelo Grand Palais, assistir às palestras e interagir com outros participantes do mundo inteiro, tudo isso em VR.

Para além desse ineditismo, a Lablaco plataforma de comércio global movida exatamente pela tecnologia do blockchain, também é pioneira em aplicá-la ao universo da moda, e pretende implantar os princípios da circularidade, rastreabilidade, transparência e sustentabilidade, tendo a inovação como aliada.

A maneira como a Lablaco pretende fazer isso é conectando todos aqueles interessados em acelerar a digitalização e a transição de um modelo linear (extrair-produzir-descartar) para uma economia circular (reduzir-reusar–reciclar) multidimensional para a indústria da moda, umas das maiores poluidoras do planeta.

Os fundadores da marca, Lorenzo Albrighi e Kuo ShihYun, ex-profissionais do mercado da moda, decidiram criar a Lablaco após se darem conta do inacreditável volume de matéria-prima desperdiçado pela indústria fashion, e da importância de se adotar modelos de consumo e produção conscientes (ODS12).

A empresa pretende, por meio da utilização do blockchain criar um ambiente de transparência de ponta a ponta, onde todas as fases da vida de um item de vestuário são conhecidas e rastreáveis, desde a produção da matéria prima até a cadeia de consumidores, evitando, inclusive, a circulação de peças contrafeitas.

Além disso, no website da empresa, através da ferramenta SPIN, usuários também podem cadastrar e “tokenizar” seus itens usados ​​com uma identificação de propriedade digital rastreável em modelos circulares: troque, compartilhe, peça emprestado e troque de volta com suas marcas favoritas.

Usando um código QR ou um chip NFC, é possível abrir a câmera do celular, escanear o produto e ter acesso às informações do item.

A Lablaco já fez parceria com alguns dos maiores nomes da indústria como The Lane Crawford Joyce Group, Alibaba, Unilever, Swarovski e H&M em projetos de circularidade.

O objetivo mais ambicioso da startup no que concerne a transformar a forma como consumimos moda é reunir dentro de sua plataforma SPIN os 500 bilhões de peças de vestuário os quais, segundo a empresa, estão pendurados em lojas e depósitos em todo o mundo, que acabam sendo descartadas erroneamente.