Paisagem de Urupema
Paisagem de Urupema

A cidade dos sonhos, para quem está preocupado com qualidade de vida acima de qualquer outro valor, aqui vai uma sugestão: vá conhecer (ou viver) Urupema, na serra catarinense, uma cidadezinha de 2.800 habitantes, com rios de água limpa, agricultura orgânica disseminada, a maior floresta de pinus Araucária da América do Sul, trutas no perímetro urbano, cascata que congela.

O obstáculo para almas não sulistas – não acostumadas com baixas temperaturas no inverno – pode ser a informação de que lá neva todos os anos. Mas por que não conhecê-la?

Quem me destaca qualidades dessa “Pasárgada” é o leitor Carlos Solera, coordenador do Primeiro Encontro Nacional de Tropeirismo (ENAT), que lá acontecerá de 29 a 31 deste mês (contatos: 41 9226 5170).

2 – FITOTERÁPICOS

E, por último, mas não menos importante, conta ainda Solera:

“A Saúde Pública Municipal (em Urupema) é realizada a base de fitoterápicos produzidos no próprio Departamento de Saúde; tem coleta de lixo seletiva; possibilidade de visitação aos macieirais e vinícolas locais e regionais. E tudo isso numa paisagem entre 1450 e 1750 metros de altitude, com vistas espetaculares e muita tranquilidade! ”

O convite do pessoal do ENAT tem forte apelo: “Assim, se “aproxegue” e venha “esquentar o peito” com um bom vinho ou “aquele” chimarrão, sapecada de pinhão e frescal que é nossa carne desidratada pelo vento da noite.

Muita música e prosa. ”

Henrique Paulo Schmidlin, o “Vitamina”
Henrique Paulo Schmidlin, o “Vitamina”

Outros contatos poderão ser feitos com a Prefeitura de Urupema, que se apresenta como “a cidade mais fria do Brasil”.

Carlos Solera
Carlos Solera

Os painéis, os debates, estudos e mesas redondas serão muitos. Além de Carlos Solera, que dirigirá alguns deles, anote-se a presença do Henrique Paulo Schmidlin, o “Vitamina”, que preside o encontro.

Os temas que estão na programação são amplos: vão desde o tropeirismo na América Castelhana a Minas Gerais, até a mestiçagem no mundo do tropeirismo, a medicina tropeira à base de ervas, expressões musicais, entre outros temas.


NO ESCRITÓRIO COM CIDA

 

Vice-governadora do Paraná Cida Borghetti - Curitiba/Pr, 22/01/2015 (Foto: Jonas Oliveira)
Vice-governadora do Paraná Cida Borghetti – Curitiba/Pr, 22/01/2015 (Foto: Jonas Oliveira)

A chefia da Representação do Paraná em Brasília não é nenhuma novidade para Cida Borghetti. Ela comandou o Escritório do PR de 1998 a 2000 na Capital.

Logo que assumiu, semana passada, Cida envolveu-se na procura de soluções para fortes demandas do Paraná. Dentre elas, captação de recursos e parcerias na Educação e Saúde; a ampliação da construção de casas populares; investimentos nas rodovias e aeroportos; revisão da poligonal do Porto de Paranaguá e a construção do Trem Pé-Vermelho (trem de passageiros ligando as regiões metropolitanas de Londrina e Maringá) e da ferrovia Norte-Sul.

São ações que demandam participação vital do Governo federal.

 


ANGOLANA VENCEDORA

 

A angolana Isabel Tchicoco Yambi, aluna do curso de Direito do Centro Universitário Internacional Uninter é a vencedora, em nível Brasil, do Prêmio Soroptimista Viva o Seu Sonho – Educação e Capacitação para Mulheres.

Ela vai receber cinco mil dólares para futuros investimentos em seus estudos, como reconhecimento por seus esforços para sua formação profissional. A aluna foi indicada pela Soroptimist International Curitiba Batel, concorrendo com outras 30 candidatas.

Criado em 1972 pela organização internacional e sem fins lucrativos Soroptimista Internacional das Américas, o prêmio auxilia anualmente cerca 1.200 mulheres a realizar seus sonhos de uma vida melhor.


OPINIÃO DE VALOR

PROVOCAÇÕES

 

Robson Lima *
A palavra provocação deriva do latim (provocatio), correlata de provocare e significa “desafiar”. A palavra é formada por “pro” – à frente + “vocare” – chamar. Sendo assim, provocar é chamar alguém ou algo à nossa frente, encarar, desafiar.
Antônio Abujamra (Foto: Marcia Monjardim)
Antônio Abujamra (Foto: Marcia Monjardim)

A vida é a nossa maior provocadora. Ela sempre nos chama à frente e nos desafia, nos encara e pergunta: o que é a vida, oh vivente? As respostas são variadas, das mais vulgares às mais brilhantes e filosóficas, porém a vida é a mesma, no mesmo tempo, para todos. Uma ampulheta ambulo que nos empurra a todos rumo ao fim da seringa, coringa da vida.

O tijolo pergunta ao pedreiro: o que é a vida? E o pedreiro, assentando cada tijolo, responde que a vida é construção.

O som pergunta ao maestro: o que é a vida? O maestro, lendo a partitura, responde que a vida é música.

A cena pergunta ao ator: o que é a vida? E o ator, cheio de talco, responde que a vida é o palco.

A madeira pergunta ao escultor: o que é a vida? E o escultor, suado de remover, responde que a vida é uma forma de viver.

A poesia pergunta ao poeta: o que é a vida? E o poeta responde que a vida é o terror diante de uma página em branco, mesmo que seja um guardanapo de papel um bar qualquer. A página em branco é a maior provocadora de um poeta.

Sim, a vida nos provoca… Ai de mim, ai de mim se eu não for provocado, chamado a desafiar a vida e colocar-me à frente dela! A vida despreza quem não a provoca. Lembremo-nos de Prometeu – do grego – aquele que antevê – ele enfrentou Zeus e trouxe o fogo aos homens. Fiat Lux! O castigo do provocador Prometeu foi árduo, mas ele anteviu que a sua provocação seria eterna.

Antônio Abujamra era um provocador. Provocou no teatro, no cinema, nas novelas, nas suas interpretações de belos textos e ácidos poemas. Antônio provocava a monótona televisão brasileira. Provocava os mornos programas de entrevistas como o de Jô Soares.

Abujamra era mestre em provocações. Mestre em desconcertos. Mestre. Há uma frase libertadora e provocativa que ele dizia a seu filho André, desde pequeno, e a muitos de seus entrevistados: “A vida é sua, estrague-a como quiser! ” Essa frase é de uma liberdade tão pungente que nos remete imediatamente à responsabilidade. Em outras palavras, sou tão livre que preciso cuidar de mim para que eu não me estrague.

Esta frase de eloquente autonomia deveria ser talhada diante de todas as escolas. Cada aluno que adentrasse os portões de uma escola, seria obrigado a ler: “A vida é sua, estrague-a como quiser! ”. Quem sabe, assim, os jovens ouvissem mais seus mestres para que, cheios de liberdade, descobrissem, no conhecimento, os seus limites, de modo a não estragarem a sua vida por completo.

Ah, Antônio Abujamra, seu ateu miserável! Aposto que, agora, você deve estar cercado por anjinhos com cítaras dissonantes e asinhas emplumadas, todos lhe provocando eternamente com a pergunta Prometeu: “Antônio, o que é a vida? ”

Minha homenagem a um grande provocador, um grande homem e intelectual que dedicou sua vida a descobrir, por meio da arte e da filosofia, em que consistia a vida.

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(*) O Professor Robson Lima é curitibano, nascido no bairro da Água Verde. É professor de Língua Portuguesa, Literatura, Leitura de Múltiplas Linguagens e um estudioso da poesia paranaense. Autor de livros didáticos, também é Consultor Educacional e Assessor Pedagógico nas áreas de Linguagens e Comunicação, ministrando palestras em todo o território nacional. Poeta, músico, declamador, ator e transador de palavras, Robson Lima é um amante dos versos, artes e artemanhas. Autor do livro Wintervalo.

 


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