Síndrome de Burnout: Quando a motivação vai embora

463
Umberto Anselmi – psicólogo e terapeuta comportamental comenta o assunto

Quando uma vela está acesa, quanto mais ela ilumina, mais se desgasta, chegando ao ponto de se apagar: Burnout. Foi com essa analogia que se oficializou a denominação do extremo esgotamento psicológico e emocional, que causa o esgotamento de milhares de pessoas pelo mundo todo. A Síndrome de Burnout está tão presente na atualidade que em 2019 a OMS – Organização Mundial da Saúde a incluiu na Classificação Estatística Internacional de doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-11), que entrará em vigor em 2022. Porém, no Brasil, o Decreto 3.048/99 já trata a síndrome como uma doença ocupacional.

Em tempos de grandes mudanças e incertezas, estar atento à saúde emocional nunca foi tão indispensável. O psicólogo Umberto Anselmi (CRP 08/11548), terapeuta comportamental, explica que o assunto não é novo, embora esteja ainda mais latente nos últimos dois anos. “Todos os excessos são prejudiciais. Agora, falando especificamente do excesso de trabalho, situações de estresse e ansiedade, torna-se uma bomba relógio, que está amplamente em estudo e chamamos de Síndrome de Burnout”, diz o especialista.
Anselmi lista alguns indícios que podem levar ao diagnóstico de Burnout. “Além de outras situações preliminares de ansiedade e estresse, o Burnout se caracteriza principalmente por alterações específicas de humor, como a negatividade constante, sentimento de fracasso, incompetência e insegurança. Estes sentimentos levam a problemas físicos, como dores musculares, problemas gastrointestinais, alterações nos batimentos cardíacos e frequentes dores de cabeça. Mas só uma análise de um profissional médico, psiquiatra ou psicólogo pode confirmar o diagnóstico”, ressalta Umberto.

Com constantes atendimento nessa área, o psicólogo especialista ressalta que é possível sim um tratamento eficaz. “A psicoterapia é o principal método de tratamento, aliado, se necessário, a medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos”. Sobre o prazo de tratamento, o especialista diz que é muito específico. “Resultados podem ser visíveis a partir do primeiro mês, porém, tudo varia do grau e também da resposta do paciente. Atividades físicas regulares e alimentação são também importantes nesse processo” reforça.
Já em 2018, o Brasil ocupava o segundo lugar na pesquisa da ISMA/BR que apontou os países onde a síndrome de Burnout estaria mais presente. Anselmi relata que esse é um dado preocupante e que torna o assunto um problema em massa. “Ter profissionais esgotados impacta diretamente em seu rendimento. Nesse caso, em médicos, policiais, professores e uma lista enorme de profissionais que não estão conseguindo focar em sua atividade e precisam de ajuda imediata”.