O Partido dos Trabalhadores (PT) surgiu no início dos anos 80, com uma proposta ideológica socialista e com bandeiras alternativas aos partidos tradicionais da história política brasileira conhecida até então.

O Partido dos Trabalhadores (PT) surgiu no início dos anos 80, com uma proposta ideológica socialista e com bandeiras alternativas aos partidos tradicionais da história política brasileira conhecida até então. As lideranças do partido eram provenientes, principalmente, dos movimentos sociais, das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), fundamentadas na Teologia da Libertação (ala progressista da Igreja Católica), boa parte da intelectualidade brasileira e, ainda, das principais Centrais Sindicais do país, de onde emergiu seu principal líder, Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante as décadas de 80 e 90 o PT consolidou-se como um dos principais partidos de oposição do Brasil, tendo a ética e a luta social como sua principal bandeira. No entanto, o partido cresceu e aspirou a maiores possibilidades, inclusive a de chegar ao centro do poder (Presidência da República). A expressiva votação do candidato Lula para presidente em 1989, indo ao segundo turno e desbancando nomes como Brizola e Quércia, velhos conhecidos da política brasileira, credenciou o candidato petista a sonhar sim, concretamente, com o cargo máximo do país. No entanto, as derrotas nas eleições gerais de 1994 e 1998, respectivamente, foram cruciais para mudar os rumos do partido. A mudança da "esquerda" para o "centro" do espectro político foi uma questão de tempo. O próprio presidente reconheceu, recentemente, a sua própria mudança e a mudança no programa do partido: "Eu perdi três eleições, e cada eleição que eu perdia, perdia por 15%. Chegou um dia em que alguém me convenceu de que eu não precisava mais ficar fazendo discurso para agradar ao PT, que eu não precisava mais ficar fazendo discurso para agradar aos 30% ou 35% que eu tive em todas as eleições. Era preciso que eu me preparasse para ter do meu lado os 15% que faltavam. E eu me preparei e ganhei a eleição".

De fato, a evolução do voto petista de 1989 a 2006 foi bastante expressiva: em 1989, no primeiro turno para a Presidência da República, o partido totalizou 11,6 milhões de votos, (16,1%) do total dos votos válidos. Na segunda tentativa, em 1994, foram 17,1 milhões de votos (27%); em 1998, 21,4 milhões de votos (31,7%). No entanto, sempre faltavam alguns percentuais e, em 2002, depois de uma mudança radical no programa, bem como a formação de alianças com partidos de centro e até de direita (PL), o candidato Lula somou nada menos do que 39,4 milhões de votos (46,5%) no primeiro turno e venceu as eleições, no segundo turno, com mais de 52 milhões de votos (61,2%). Em 2006, depois de quatro anos no poder, o candidato petista fez 46.662 milhões de votos (48,6%) no primeiro turno, e se reelegeu, no segundo turno, fazendo mais de 60% dos votos válidos.

Mas e agora, para onde caminha o PT? Voltará às suas origens socialistas ou dará continuidade ao seu governo de coalizão? O eleitor poderá esperar ainda um projeto de desenvolvimento ao país, ou assistirá a práticas de rentismo à elite financeira nacional e internacional e ao assistencialismo aos mais pobres (Bolsa Família)? Ao que tudo indica, depois do 3º Congresso do partido realizado no último fim de semana, a tendência é permanecer "tudo como dantes, no quartel general de Abrantes…". Embora tenha sido aprovada uma resolução reafirmando o caráter socialista, democrático e popular do partido, acredito que nada mudará, pois é preciso manter tudo do jeito que está pra ver como é que fica. No quesito manter as coisas como estão, o partido até acenou inicialmente para a possibilidade de uma candidatura própria para a Presidência em 2010, mas, logo após, pressionado por Lula, amenizou o discurso, recuou e aceitou a possibilidade de apoiar uma candidatura a partir de partidos da base aliada (coalizão governista). Aliás, a única "novidade" foi a aprovação do código de ética do partido… Conceito que anda meio escasso ultimamente no próprio partido, bem como no meio político como um todo. Dentro desta lógica, pode-se afirmar que assistimos, sim, a morte da ideologia da esquerda do petismo para ficarmos apenas com o "lulismo" o que não interessa à democracia brasileira.

 

Dejalma Cremonese é Cientista político. site: www.capitalsocialsul.com.br