A bolsa paulista encerrou a sexta-feira aos 54.637 pontos, alta de 3,09% em relação à sexta anterior.

CENÁRIOS TÉCNICOS DO MERCADO DE AÇÕES João Marcello Tramujas Bassanezejmtb@fbadv.com.br                          Abrindo a segunda-feira nos 52.994 pontos, perto do fim do dia o índice alcançou a máxima de 53.395. A partir daí, no entanto, entrou em uma rápida trajetória baixista que durou até os 51.389 (mínima semanal) dos 15 minutos finais de terça, momento em que o Ibovespa inverteu a tendência: nos três últimos pregões da semana subiu sem praticamente nenhuma interferência, encerrando esse período de cinco dias, como já disse, nos 54.637. A máxima semanal, conquistada uma hora antes do término dos negócios na sexta, deu-se nos 54.714.             Em um fim de semana repleto de compromissos sociais e também de jogo no Couto Pereira, não está me sobrando tempo suficiente para escrever, pelo que então precisarei ser mais sucinto. As minhas projeções de cenários para médio prazo, expostas na coluna da semana passada, continuam sendo as mesmas, pelo que então remeto o leitor, caso tenha interesse, a tal material. No que se refere a curtíssimo prazo, definitivamente o acontecimento mais importante destes últimos dias foi a formação de um pivot de alta no gráfico diário do Ibovespa. Após subir sem qualquer obstáculo dos 44.937 (16/08) aos 53.395 (27/08), o índice recuou para 51.389 (28/08). Na quinta, os 53.395 até chegaram a ser superados em nível de intraday (máxima de 53.644), mas não de fechamento (52.857), o que veio a ocorrer apenas na sexta, quando então o mercado encerrou em 54.637, praticamente na sua máxima diária e semanal de 54.714.             De quebra, o Ibovespa deixou para trás a linha de tendência de baixa (LTB) de curto prazo formada pela ligação dos 58.056 de 24/07 e dos 55.615 de 08/08. O primeiro rompimento deu-se na segunda; na terça o índice recuou para dentro dela outra vez; novo rompimento na quarta, até que na quinta os preços tocaram-na pelo lado de fora e acabaram ali se segurando.             Tal como a LTB, a retração fibonacci de 61,8% de todo o movimento de queda dos 58.293 aos 44.937 já virou história, isto em ambas as escalas, tanto a aritmética (53.191) quanto a logarítmica (52.777). A máxima semanal (54.714) ficou na casa da retração logarítmica de 76,4% (54.820). Antes que os entendidos em fibonacci me critiquem, antecipo-me em admitir que 76,4% não é uma decorrência matemática da seqüência áurea. Gosto de usá-la, no entanto, porque representa o inverso de 23,6% (esta sim, uma decorrência). Isto sem contar que muito freqüentemente diversos movimentos a respeitam!             O volume de negociações da sexta-feira, da ordem de R$ 4.472.346.112,00, foi o sexto melhor do ano. Para quem esteja estranhando estes valores, devo afirmar que trabalho com o Profit Chart da Nelógica (www.nelogica.com.br), o qual calcula o volume correspondente às negociações com as ações que compõem o índice e não insere nesta conta nada mais! Penso que esta seja a maneira mais acertada de fazê-lo, afinal, se a análise é do índice, qual a utilidade em se trabalhar com volume onda se inclua ações que dele (índice) não façam parte, negociações com opções etc.?             No campo dos indicadores técnicos, já desde quinta-feira (fechamento em 52.857, repito) o OBV está sinalizando rompimento dos 58.293, caminhando atualmente em seus maiores níveis históricos. No mais, estudos como macd, ifr, índice de força e oscilador de preços seguem evoluindo sem demonstrar divergências baixistas. Enfim, um conjunto de fatores que reforça a tese dos 44.937 terem sido o início de uma nova perna de alta.             A pulga atrás da orelha que insiste em mordiscá-la é o Dow Jones. Como sabe o leitor, não nos desgrudamos do mercado dos Estados Unidos. E, nas raras vezes em que o fazemos, tal sempre se limita a muito pouco tempo. Pois bem, observando a configuração do índice americano, tal não vem apresentando a mesma pujança do brasileiro. E não me refiro aqui ao gráfico em si, mas ao comprometimento do investidor dos Estados Unidos com o mercado de bolsa.             No gráfico, o DJ tenta completar um pivot de alta semelhante ao brasileiro. Após partir dos 12.517 pontos de 16/08, o que seria o equivalente aos 44.937 do Ibovespa, o Dow Jones cravou 13.387 em 27/08; na seqüência, caiu para 13.034 (28/08) e, por fim, na sexta, em uma primeira tentativa de romper os 13.387, obteve sucesso em nível de intraday (13.428), mas não de fechamento (13.357). Não obstante o insucesso inicial, por incontáveis vezes eu já vi pivots serem formados exatamente assim: num primeiro dia o rompimento da resistência se dá apenas no intraday; no segundo, em nível de fechamento. O próprio Ibovespa, tal como acima detalhado, trabalhou desta maneira na seqüência de movimentos de quinta e de sexta, pelo que então eu não veria maiores problemas em o DJ não ter conseguido ultrapassar os 13.387 na sexta, o que não significa dizer que irá fazê-lo na terça (segunda será feriado nos Estados Unidos), deixando para trás também os 13.428. O que quero frisar é que apesar de ver com certa continuidade pivots de alta serem configurados em uma segunda tentativa, por vezes o que acaba efetivamente sendo formado são topos duplos.             Há uma LTB no Dow Jones formada pela ligação dos 14.009 de 20/07 e dos 13.695 de 08/08. Na segunda-feira a linha foi respeitada à risca pelo índice, acontecendo a mesma coisa na quinta. Na sexta, todavia, houve o rompimento, com os preços fechando acima do divisor.             No que tange às retrações de fibo, a máxima de sexta (e também da semana), em 13.428, ficou na região dos 61,8% (13.447) do movimento de queda dos 14.021 de 17/07 aos 12.517 de 16/08, movimento este, esclareço, que é o equivalente aos 58.293 / 44.937 do índice brasileiro.             Em suma, como pode perceber o leitor, o Dow Jones vem caminhando um passo atrás em relação ao Ibovespa, muito embora fosse mais prudente admitir que o Ibovespa é quem imprudentemente vem caminhando um passo à frente do Dow Jones. Por que imprudentemente? Porque apesar de todas as semelhanças gráficas (descontado, é claro, o atraso citado) que há no momento entre o Ibovespa e o Dow Jones, há um ponto fundamental, destoante entre ambos os mercados! Refiro-me ao comprometimento dos investidores. Se aqui o OBV vem alcançando níveis recordes, lá ele mostra extrema desconfiança; se aqui a manada – da qual eu me incluo, registre-se – foi em peso às compras quando da queda do dia 16/08, lá o que imperou foi a parcimônia.             É inclusive interessante notar que até 10 minutos antes do fechamento do pregão de sexta o Dow Jones trabalhava acima dos 13.387. Porém, o medo de ficar comprado no fim de semana prolongado falou mais alto do que a ganância! O mercado chegou a perder nestes derradeiros instantes 46 pontos (13.341), vindo a fechar em 13.358. De todo jeito, cautela maior do investidor americano na comparação com o do resto do mundo não chega a ser anormal, afinal, quantos investidores daquele país não devem ter entre seus vizinhos alguns dos famosos caloteiros da tão falada estória dos subprime?             Encerrando, cumpre-me informar que não poucos investidores brasileiros perceberam esta situação, sendo o principal indicativo disto o mercado futuro do índice. Apesar deste seguir copiando os movimentos gráficos do Ibovespa à vista, em termos de valores ele se encontra atualmente (fechamento de sexta) em 54.450, ao passo que o índice em 54.637. Indicativo, portanto, de falta de confiança no futuro. E olhe que o próximo vencimento do contrato na BM&F ainda está longe! Caso deseje receber os gráficos que ilustram esta coluna, não hesite em pedir através do email.