Seja a mãe que você gostaria de ter tido

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*por Claudia Queiroz

Quando a paciência com seu filho esgotar, respire fundo e seja a mãe que você gostaria de ter tido. Sempre que ele cair ou se machucar, acolha como gostaria de ter sido. Brinque, dê colo, esgote o peito de leite até a última gota, elogie, incentive, colabore, ensine, mostre o mundo, como gostaria de ter aprendido a viver na idade dele. Isso é empatia, um valor excepcional para exercitar especialmente em casa.

Muitas vezes passamos a vida cultivando lembranças doloridas e que ainda ecoam memórias.  Dos hits clássicos da educação, como “engula o choro”, “porque sim”, “vai ver quando seu pai chegar em casa”, às trilhas sonoras imaginárias de tensão, medo e dor, geralmente acompanhadas dos estalos de tapas e chineladas, as ameaças eram os argumentos que os pais tinham na época para ‘adestrar’ seus filhos, pensando estarem educando. Forte essa frase, concordo. Eles não eram maus, só não sabiam ser diferentes. E agora? Vai passar a vida no divã ou será a mãe que gostaria de ter tido?

Invista nas raízes da sua família com a riqueza do tempo qualitativo, não importa quantas horas do seu dia elas sejam, desde que esteja totalmente disponível. Conte histórias, explique o que quer que ele entenda, ensine a fazer as coisas da maneira mais segura. Prepare o terreno para que seu filho cresça. Adube ideias. Precisamos podar o jardim e não nossas crianças, que só merecem ser nutridas de amor.

Os conceitos de educação mudaram e as explicações vieram para clarear a mente dos pequenos, diariamente inundados com tanta informação e estímulos. Aqui entre nós, duvido que alguma mãe nunca tenha imaginado agir por impulso, pelo qual se arrependeria amargamente em menos de um minuto.

Por isso, conte até mil, mas seja a mãe que gostaria de ter tido. Esta estratégia adoça a relação com sua versão miniatura e cura feridas da sua criança interior, garantindo uma análise profunda e rica sobre você mesmo, seus sentimentos, a construção da mentalidade… Afinal, muitas das verdades, que se convenceu serem as únicas, nasceram neste passado, enquanto ficava de castigo, com raiva, triste e mal compreendida.

O melhor de tudo é que como você já cresceu, poderá contar para sua criança interior que descobriu um mundo mais bonito e colorido para sorrir, brincar e ser feliz. Conseguirá, inclusive, desarmar-se da “adultice” e proporcionar muita diversão junto com seu filho.

Desta maneira estabelece a paz com o passado, conectando-se ao presente, naquilo que existe de mais importante, o aqui e agora. Porque criança não sabe esperar. Ela tem pressa! Ainda bem. Sendo assim não perde tempo com o que não da certo e improvisa logo uma saída para explorar cada segundo da vidinha dela.

Dia desses, na praia, chegamos em frente ao mar e minha filha, de 4 anos, saiu correndo para “molhar os pés”. Lógico que ela não se aguentou e curtiu aquele momento mergulhando de roupa e tudo. Certa ela. Eu e meu marido assistíamos aquela explosão de alegria e integração com a natureza apaixonados. Logo depois o tempo fechou, os trovões chegaram e fomos jantar. Pela janela, a água derramava do céu, até que a filhinha disse: “Mamãe, a chuva é brilhante!”

Pois brilhante mesmo é a imaginação e a capacidade de ver beleza em tudo. Privilégio ter essa filha incrível para renovar minha história. Esta é definitivamente a maior aventura da vida! E a maternidade vai ficando cheia de ‘glitter’ com tantos segundos intermináveis de alma.

Claudia Queiroz é jornalista.