Para quem não acredita que o mundo é marcado por idéias, uma frase do jornalista Carlos Alberto Di Franco, um dos bons nomes do jornalismo PHD deste país, já repercutida nesta coluna, dá o que pensar.

PEDRO WASHINGTON    E.mail: press@terra.com.br

 Para quem não acredita que o mundo é marcado por idéias, uma frase do jornalista Carlos Alberto Di Franco, um dos bons nomes do jornalismo PHD deste país, já repercutida nesta coluna, dá o que pensar. “O tráfico de drogas, brutal e hediondo , tem aliciado mão-de-obra no mercado da desesperança e do desespero”. Não é apenas essa a consequência da imensa exclusão social deste país. Muitas outras aconteceram, principalmente o êxodo de populações inteiras do nordeste, perseguidas pela seca ou o que é pior, pela “indústria da seca” manipulada por um coronelismo político insensato que representava aquelas regiões inclusive nas Câmaras altas do país, manipulando recursos enviados à região e forçando um êxodo extraordinário para o “sudeste maravilha”. O próprio presidente Lula é exemplo disso! Voltando ao tema principal: a situação hoje enfrentada pelos grandes centros obriga à criação de programas de repressão fadados ao fracasso se não forem acompanhados de outras providências. De nada adianta combater as conseqüências, cuja face mais visível é o aliciamento de jovens pela criminalidade. É necessário investir também nas origens. Por onde entra grande parte do narcotráfico e do contrabando de armas? Pelas extensas fronteiras com Paraguai e Bolívia. No Paraná, basicamente no trecho Guaíra-Foz do Iguaçu, área ocupada em quase toda sua extensão  pela represa de Itaipu. Região de difícil fiscalização até porque, o braço do banditismo organizado está cooptando lavradores da região que descobriram uma maneira tão arriscada quanto plantar mas, muito mais rendosa, ao ajudar na transposição do lago e acoitamento do contrabando e  drogas. Já se vê que a postura do governo do Paraná em não aceitar apoios externos, como o solicitado por Foz à Força de Segurança Nacional, é um erro crasso. Tem razão o deputado Élio Rusch que está levantando o assunto. A região oeste precisa de muito mais atenção na área de segurança.

 Em cima da hora

No apagar das luzes, como diria o narrador de futebol, o STF resolveu transformar em réus alguns dos mais notórios envolvidos no “mensalão”. Inclusive Zé Dirceu, o outro Zé, o Genoino, dirigentes do PT  de antes e, três paranaenses: dois Zés, o Borba e o Janene, mais o tesoureiro do PTB,  Émerson Palmieri.

 Susto

Se não der em nada, e o longo tempo de duração  que tais processos costumam levar conspira a favor dos réus, pelo menos fica a lição: nem tudo está perdido.

“Colarinho branco” já não representa garantia de tranquilidade.

 A espada do direito

Por aí se vê a importância de evitar que o Ministério Público perca suas prerrogativas, não sendo cerceado como pretendem alguns deputados paranaenses, seguindo o exemplo de Minas que tirou mais de mil pessoas do alcance do MP.

  

Lado fraco da corda

Mesmo que por alguns dias, já que tão logo publicada a lei votada na Assembléia, dando isenção a 432 mil carros emplacados em cidades com praças de pedágio, desde ontem a lei está em vigor. Se o recurso impetrado pelas concessionárias não for acatado, a saída das empresas será aumentar o pedágio para os demais usuários.

 Irritação

Se depender do humor do assessor do governo, Doático Santos, pelo menos uma ação sobrará ao presidente da CPI das Invasões, vereador Roberto Hinça, cujo relatório final foi divulgado. Doático e mais dois assessores governamentais são apontados como incentivadores das recentes invasões ocorridas em terrenos da capital.

 Conotação política

A única contestação ao relatório partiu da Professora Josete (PT), que desqualifica o depoimento da dirigente comunitária Maria de Fátima, principal acusadora de Doático, por ser ela agente comunitária de saúde da prefeitura. Esse vínculo de Fátima “dá conotação política à sua denúncia”, contesta a Professora Josete.

 

Projeto órfão

A tese levantada na Assembléia Legislativa através o projeto “sem paternidade”, visando reduzir os poderes do Ministério Público, está gerando polêmica. Deputados da oposição  estão questionando-o.

 

Justificativa

Um dos mais agressivos defensores da limitação de poderes ao MP é o deputado Dobrandino da Silva (PMDB), por sinal às voltas com ações que ameaçam seu mandato. “Tem muito promotor que deveria estar preso. Eles fazem o que querem e temos que contratar advogados para nos defender de acusações sem fundamento”, acusa ele.

 No vácuo

Apoiado pela situação, na medida em que agrada o governador Roberto Requião, hoje em confronto aberto com o MP por conta do nepotismo combatido por este, até o PT, teoricamente da base de apoio do governo, fechou questão contra.

 

Desdobramento

A guerra do governador contra o MP, depois que este exigiu a demissão de todos os parentes de  Roberto Requião que ocupam cargos em comissão, teve desdobramento na “escolinha” desta terça.

 

Aposentadorias questionadas

A afirmação do governador, contestando as altas aposentadorias no MP e o tempo real de serviço que incorpora até o período de estágio, foi contestada em nota oficial do MP: é tudo legal, afirma a nota. Embora como em outras situações, o que é legal pode não ser moral.

 

Em choque

Do deputado Ney Leprevost (PP), contrário à posição dos deputados que desejam restringir a atuação do Ministério Público: “Isso vai  na contra-mão dos anseios da sociedade que espera cada vez mais a transparência dos poderes”.